Composição do Terra em Cena

O Coletivo Terra em Cena é uma articulação de coletivos de teatro, audiovisual e artes visuais que atuam em comunidades da reforma agrária, quilombolas e em meio urbano. É composto por professores universitários da UnB, da UFSJ, da UFSC e da UFVMJ, da rede pública do DF, por estudantes da Licenciatura em Educação do Campo da UnB e por militantes de movimentos sociais do campo e da cidade. O Terra em Cena se configura como Programa de Extensão da UnB, com Projetos de Extensão articulados na Faculdade UnB de Planaltina (FUP) e como grupo de pesquisa cadastrado no diretório de grupos do Cnpq. Um dos projetos é a Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do DF (ETPVP-DF) que integra a Rede de Escolas de Teatro e Vídeo Político e Popular Nuestra America.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Reflexões de estudantes da LEdoC sobre a VII Mostra Terra em Cena e na Tela

Toró: Memória, Terra e Resistência na Cena Popular do Grupo Fuzuê 

Amanda Araújo da Mata

A apresentação da Peça Toró, do grupo Fuzuê, foi uma experiência marcada pela força da ancestralidade, da memória e da resistência. Conduzida por duas mulheres, a peça começa com uma afirmação simbólica profunda: não haveria homens no palco, mas suas presenças surgiriam através das histórias, das marcas de violência, das lutas e dos impactos que deixaram na vida das mulheres, das famílias e das comunidades. Essa escolha dramatúrgica já anuncia uma atuação voltada à centralidade da mulher como corpo narrador aquela que guarda, lembra, denuncia e reconstrói o que muitas vezes é silenciado pela sociedade.

Ao longo da apresentação, as atrizes trazem relatos que atravessam diferentes tempos: o período da escravização, o pós-abolição, a modernidade desigual e o presente marcado por conflitos sociais. A peça costura essas temporalidades para mostrar que a injustiça no Brasil não é acidental, mas sim estrutural. E é nesse fio que um dos temas mais fortes aparece: a luta pela terra. Essa luta é apresentada como símbolo de sobrevivência, continuidade e direito humano básico, algo que historicamente sempre foi negado aos povos negros, indígenas e camponeses. As atrizes falam com intensidade sobre a terra como lugar de vida, sustento, identidade e pertencimento. Recordam que, desde os tempos coloniais, possuir terra no Brasil é possuir futuro. Apesar disso, a história do país foi construída sobre a concentração fundiária e o impedimento de acesso à terra para a maior parte da população. Esse desequilíbrio histórico, mostrado na peça, não é apenas uma memória distante: ele continua vivo nos dias atuais, refletindo-se nas desigualdades sociais e no constante impedimento para que famílias camponesas conquistem seu espaço de trabalho e moradia.

É nesse ponto que a Peça Toró dialoga profundamente com a realidade do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O espetáculo aborda a forma como inúmeras famílias lutam para conquistar um pedaço de terra onde possam viver e produzir. O MST surge como símbolo da resistência contemporânea, enfrentando inúmeras formas de criminalização, preconceito e violência institucional. Assim como narrado em cena, a luta pela terra não é apenas por território físico, mas pela possibilidade de existir de forma digna. Cada família que tenta acessar a terra carrega uma história de enfrentamento às estruturas que há séculos buscam impedir a autonomia do povo.

A peça articula essas histórias de expulsão, violência e resistência com a realidade atual, revelando como a terra sempre foi tratada como mercadoria e instrumento de poder. Ao mesmo tempo, mostra que quem produz a terra, quem cuida dela, quem a transforma em alimento, permanece sendo a parcela mais oprimida da sociedade. Essa contradição histórica é exposta no palco com sensibilidade e força, lembrando o público de que o direito à terra é também o direito à vida.

Outro ponto central é a forma como a peça evidencia que essas lutas recaem majoritariamente sobre as mulheres. São elas que carregam o peso da resistência diária: mães, avós, filhas e trabalhadoras rurais que vivem na linha de frente das opressões. Na peça, elas aparecem como protagonistas da memória coletiva, responsáveis por preservar tradições, histórias e identidades mesmo em meio a tempos de intensa dificuldade. Assim como no mundo real, são elas que seguram a comunidade quando o peso das injustiças tenta destruí-la. Transformam dor em movimento, silêncio em voz e perda em força.

Além disso, a Peça Toró provoca uma reflexão sobre como a arte é uma das poucas ferramentas capazes de confrontar a violência simbólica que permeia a história do Brasil. Quando as atrizes narram as dores, as perdas e os enfrentamentos das comunidades, elas não apenas relembram o passado elas expõem feridas ainda abertas. A encenação mostra que a memória é um ato político, um modo de resistir às tentativas de apagar as histórias do povo negro e camponês. Ao transformar essas experiências em arte, o grupo Fuzuê afirma que a cultura é também um território de luta.

Outro aspecto marcante é a forma como o corpo das atrizes é usado como instrumento de memória, denúncia e cura. Cada movimento, cada gesto, cada pausa carrega significados que ultrapassam a palavra dita. O corpo aparece como espaço de ancestralidade e, ao mesmo tempo, como campo de disputa. Na luta pela terra, na resistência das mulheres e nas contradições reveladas pela peça, o corpo é o primeiro território a ser violado e o último a desistir. A corporeidade em Toró dialoga com os movimentos sociais do campo, que também colocam seus corpos na linha de frente como ato de sobrevivência. A peça também desperta uma reflexão mais ampla sobre o que significa ser comunidade. O grupo Fuzuê evidencia que não há luta pela terra sem coletividade, sem partilha, sem união. Em diversos momentos, as narrativas mostram que o individualismo é uma construção imposta, enquanto a vida comunitária é o que realmente sustenta o povo. Essa compreensão se conecta diretamente às práticas do MST, em que a coletividade é central: cozinhas comunitárias, mutirões, assembleias, creches e escolas construídas pelo próprio povo. Toró não apenas retrata essa lógica, mas a reafirma como caminho possível para um futuro mais justo.

Outro ponto que se destaca é a crítica à forma como o poder econômico controla não só a terra, mas também a memória e a narrativa oficial do país. Ao falar das desigualdades históricas, a peça questiona quem são os donos da terra, mas também quem são os donos da história. O espetáculo propõe recuperar narrativas apagadas, dar nome e voz a pessoas que foram silenciadas pelo sistema colonial e capitalista. Ao recontar essas histórias, a peça cria fissuras na narrativa dominante e abre espaço para que o público enxergue o Brasil a partir de outras lentes as lentes do povo. Por fim, Toró também nos convida a pensar sobre a permanência aquilo que resiste mesmo quando tudo desaba. A chuva forte, o toró, pode ser metáfora da destruição, mas também da fertilidade. Depois da tempestade, a terra respira, floresce, renasce. Assim é o povo retratado no palco: mesmo diante da violência, da exclusão e da negação de direitos, continua plantando, cuidando, construindo e sonhando. A peça mostra que resistir não é apenas sobreviver; é continuar imaginando o que ainda não existe. E é justamente nessa imaginação que nasce a possibilidade de transformar o mundo.

Assim, a peça não se limita a mostrar injustiças; ela denuncia e convoca. Toró funciona como um espelho da realidade, trazendo à cena aquilo que muitas vezes é silenciado na sociedade. Ao relacionar a luta pela terra com a trajetória histórica do povo brasileiro, o grupo Fuzuê nos lembra que a arte é essencial para compreender e transformar a vida. Ela nos força a revisitar nossas raízes, reconhecer as violências que ainda moldam o país e entender que a luta pela terra é também luta por dignidade, por comida, por educação, por futuro e por humanidade.

Ao final, o público não recebe apenas um espetáculo, mas um chamado para refletir sobre as desigualdades que sustentam o Brasil e sobre a importância da resistência coletiva. Peça Toró, ao trazer à tona essas questões, reafirma que a memória não é estática ela pulsa, se movimenta e cria novas possibilidades de existir. A luta pela terra, o papel das mulheres e a força das comunidades camponesas se unem no palco para lembrar que, enquanto houver injustiça, haverá também resistência .

Apresentação da peça "Toró" no auditório Augusto Boal

Processo de construção e execução da mística da VII Mostra Terra em Cena e na Tela

Dolores da Conceição Santos

A 7ª Mostra Terra em Cena e na Tela, sob a coordenação do Professor Rafael Villas Bôas (UnB), representa um marco de excelência e experimentação no teatro. Este projeto, desenvolvido no âmbito da disciplina Processo Experimental no Teatro 1, busca ir além da performance convencional. Ele se estabelece como um espaço de criação coletiva e cultural, onde a mística atua como ferramenta potente.

A 7ª Mostra é fundamental para promover um diálogo direto com coletivos teatrais de todo o Brasil, especialmente os influentes grupos de São Paulo e muitos outros estados. Demonstra-se, assim, uma rica tapeçaria de formas de expressar a arte e a política. Ao adotar essas inspirações, a Mostra materializa o conceito de ocupação dos espaços da Faculdade UnB Planaltina, transformando o campus em um palco vivo e pulsante de experimentação, aprendizado e resistência cultural, refletindo as diversas vozes e métodos do teatro brasileiro contemporâneo.

O processo de construção e execução da mística da VII Mostra Terra em Cena e na Tela considerou a mística como um processo coletivo de recuperar a memória da infância, adolescência, na sua cidade em que nascemos, então nessa construção nos primeiros ensaios tinhamos que pensar em um objeto, que lembrasse nossas memórias. De primeira pensei no objeto chapéu, ainda comentei sobre ele, mas relembrando as minhas memórias na vida do campo onde nasci no estado do Maranhão, já começando trazendo a lembrança do passado. Continuando e ensaiando com os colegas, cada um já escolheu seu objeto, começando com pilão, caneta, mochila, uma escultura de oficina de barro, violão pra alegrar mais a mística, chapéu, como falei, comecei com esse pensamento, mas não ainda estava segura com esse objeto chamado chapéu.

Aí o professor Rafael apareceu com um boi pequeno, quando o vi veio uma lembrança viva na minha infância e adolescência e vida adulta na minha família. Meus pais, uma tradição folclórica do mês de junho, eles faziam uma apresentação do Bumba Meu Boi com grupo de pessoas, tinham as índias que eram vestidas de roupas de penas fabricadas pelas próprias, as músicas eram muito divertidos e mais um homem que ficava dentro do boi que dançava e cada hora trocava de couro que era bordado de miçanga, então foi de grande importância relembrar tudo aquilo, parecia que estava vivendo naquela época.

Na 7ª Mostra Terra em Cena e na Tela teve uma apresentação oral do jornal lido pelos colegas e pelo professor, as notícias do Jornal Correio Braziliense, jornal da cidade, com reportagem sobre o ex-presidente da República, sobre o golpe de estado e outras notícias. Tudo isso que aconteceu na mística foi muito produtivo e cultural, representação viva e de grande aprendizado. Uma prática inédita, uma participação inédita e um público assistindo a nossa apresentação sobre as nossas memórias, com cada uma de nós trazendo uma lembrança diferente. E tudo que aconteceu sobre a 7ª Mostra ficou marcada em uma lembrança que jamais esquecerei.

Aquele público aplaudindo a nossa apresentação, a todos nós, também com aquele olhar de felicidade e de grande entusiasmo... E eu fiquei muito mais feliz por aquele boi pequeno que apareceu na minha frente. Fiquei tão feliz que parecia uma criança ganhando um presente de Natal, que até agora não consigo esquecer aquele momento de ver aquele objeto chamado boi, que foi a vida e tradição muitos e muitos anos na minha família, até meus pais falecerem. Foi uma realização maravilhosa que nunca esquecerei. O professor Rafael está de parabéns por essa iniciativa, por essa mística que nos proporcionou à nossa turma para esta disciplina Processo Experimental no Teatro 1. Foi um processo excelente, criativo e cultural, um presente que nos presenteou que vai ficar na memória, que voltou aos nossos tempos que vivíamos com a nossa família humilde de 17 irmãos.

Chegamos ao fim de cinco dias intensos de arte, experimentação e profundo aprendizado na 7ª Mostra Terra em Cena e na Tela. Este período foi marcado por uma rica diversidade de cenas, oficinas e apresentações de vários coletivos, que transformaram os espaços do campus da UnB de Planaltina.

A 7ª Mostra cumpriu seu papel vital ao dar visibilidade e palco às representações dos movimentos sociais, focando em narrativas que tocam diretamente nas realidades que compartilhamos. Foi especialmente significativo o destaque dado às vivências urbanas periféricas, que frequentemente permanecem isoladas ou invisibilizadas na sociedade. O teatro se provou, mais uma vez, uma ferramenta essencial para romper esse isolamento e construir pontes de entendimento.

Expressamos nossa sincera gratidão a todos os professores pela coordenação impecável e pelo apoio contínuo. Agradecemos também aos estudantes, cuja dedicação, coragem e talento foram a força motriz que deu vida a cada performance e debate. Esta Mostra não é apenas um evento, mas um ato coletivo de resistência e celebração da nossa diversidade.

Imagem de Dolores da Conceição com o boi, em ensaio no teatro Augusto Boal.

Crédito da foto: Rafael Villas Bôas



sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Reflexões de estudantes da LEdoC sobre a VII Mostra Terra em Cena e na Tela

O que vi, senti e aprendi: uma análise pessoal da VII Mostra Terra em Cena e na Tela 

Lara Monteiro Abreu

A VII Mostra Terra em Cena e na Tela aconteceu na Faculdade UnB Planaltina nos dias 26 à 29 de novembro de 2025, iniciando com o sarau artístico e seguindo de oficinas de muralismo, teatro, cerâmica e audiovisual, além de apresentações de peças, filmes e debates que contribuem no processo social e formativo dos estudantes da FUP. Eu, como discente no curso de Licenciatura em Educação do Campo e, também artista, considerei esse evento bastante produtivo no sentido de entender diferentes maneiras de como a arte pode ser política e contribuir para desenvolver pensamentos críticos na sociedade, e particularmente foi um momento motivador, que mexeu internamente com o corpo e com a minha mente, me inspirando a entrar ainda mais neste mundo artístico. 

Nesses dias, também fiquei responsável por algumas gravações do evento, devido a disciplina do professor Felipe Canova “Processo experimental em Audiovisual I”, em que faremos um documentário sobre alguns momentos e cenas da Mostra. Logo, pude observar todas as oficinas que aconteciam simultaneamente, realizar entrevistas, e gravar detalhes das cenas e das rodas de conversa que as peças geravam.

O evento foi iniciado com o sarau, que aconteceu a noite, com a coordenação do professor Paulo Henrique Vieira. Neste dia, fiquei responsável para auxiliar no som. E por eu ser artista, mais voltada para o âmbito musical, também apresentei algumas músicas autorais durante a noite. Foi um momento interessante, pois tenho apreço por organizar eventos culturais e movimentar a FUP.

O sarau começou com a Lavagem no prédio Paulo Freire, que é um momento de ritual de purificação misturando elementos do catolicismo com o candomblé, seguido de um cortejo aos sons de palmas, atabaques e cânticos de origem africana, até a entrada do Restaurante Universitário, onde aconteceria o restante do sarau. Por volta das 19h aconteceu a abertura da VII Mostra com a apresentação da peça “Cotidiano” do grupo Cenas Emendadas, com a direção da Bárbara Reis, que elaborou uma cena ainda em construção sobre a violência contra a mulher. O sarau seguiu após a peça, com um desfile de moda Afro-Raízes da Resistência, apresentando materiais desenvolvidos pelo estilista e calouro de Licenciatura em Educação do campo, Tainam Malta. Após o desfile, iniciaram as apresentações musicais e as recitações de poemas, seguindo assim até o encerramento da noite.

No dia seguinte a mostra iniciou com uma mística realizada por nós, estudantes da turma “Processo Experimental de Teatro I”, ministrada pelos professores Rafael Villas Bôas e Simone Menezes. Esse processo da construção e execução da mística foi bastante enriquecedor no ponto de vista de desenvolver alguma ideia de forma coletiva e em tão pouco tempo. Foram duas tardes para elaborar as ideias, ensaiar e no dia seguinte apresentar. No primeiro dia, pensamos nos lugares possíveis para realizar a mística, pois o clima estava chuvoso. A ideia inicial era realizar no teatro arena, tanto que nosso primeiro ensaio foi neste espaço, mas devido a chover bastante durante à noite, decidimos alterar para dentro do auditório Augusto Boal.

Eu gostei bastante da dinâmica de como a mística se construiu. O professor pediu para pegarmos um objeto em que te representasse de alguma forma, e a partir daí fomos conversando sobre esse objeto e o porquê a escolha dele. Foi um momento de trocas, de conversas, de interações que cada um dos itens escolhidos despertava nas pessoas. Logo, um pilão que representava a memória da história de infância da Maria, ainda é um objeto presente na comunidade da Cleuzirene, e foi muito utilizado pela família da Ana Rúbia para fazer paçoca. A Cabaça também foi outro objeto que trouxe várias histórias e interações, sobre seus diferentes usos e nomes em cada região. Foi um momento bem bonito e decidimos levar isso para a mística.

Outra ideia foi procurar algum jogo teatral que aprendemos em algumas das aulas dos semestres anteriores, que coubesse na abertura do evento. Ensaiamos brevemente o Homenagem a Magritte, jogos com bolas de tênis, até chegarmos à conclusão de iniciar a mística com o Jornal Mural, trazendo algumas notícias atuais.

No dia da apresentação da mística, tinha ficado bastante ansiosa até porque ia tocar uma música de minha autoria, descendo as escadas do auditório até chegar no palco, e por mais que eu ame me apresentar, fico muito insegura. Mas foi lindo todo o processo, desde o Jornal Mural, com pessoal interagindo, em seguida falando dos objetos que trouxeram para a VII Mostra que foi emocionante, e depois eu cantando minha música para todos no auditório, foi um momento especial que quero sempre lembrar com carinho. A mística pode ser realizada por vários motivos, tanto em forma de denúncia, ou relatos, memórias, podem ter poemas, músicas, diferentes sons, etc. ações que geram um debate para ser discutido na mesa de conversa. E a nossa foi como uma forma de atualizar o pessoal com as notícias e também se sentirem bem vindos à FUP com a apresentação do VII Mostra Terra em Cena e na Tela. 

Imagem 1: Ensaio da Mística no teatro arena

Imagem 2: Ensaio da mística no Auditório Augusto Boal

 

Imagem 3 e 4: Apresentação da mística no Augusto Boal

O dia seguiu com as oficinas espalhadas em diferentes lugares da universidade. A de teatro seguiu no auditório Augusto Boal, a de cerâmica na sala de artes, a de audiovisual no auditório 3 e a de muralismo no alojamento da universidade. Eu me inscrevi para a de muralismo, mas por estar na gravação do documentário, consegui participar um pouquinho das outras. A de teatro, quando cheguei, estava realizando várias atividades de corpo e jogos teatrais, alguns eu conhecia por já ter realizado em sala de aula pelo professor, mas outros foram novidade. A de cerâmica já é algo que está presente na FUP todas as quartas, logo, foi o que fiquei menos tempo pois já conheço o procedimento e é algo bastante relaxante de se fazer. Na de audiovisual, falaram sobre construção de documentário e foi algo interessante pois estava no processo de um. E ao final, a de Muralismo, que estava reconstruindo o mural desenhado pela turma 3 da LEdoC e que foi apagado recentemente devido a obra. Foi um momento muito bonito de reconstrução e reafirmação da importância que os murais têm em guardar memórias das turmas que já caminharam pelo curso.

O evento seguiu no período da tarde com a mesa sobre Agroecologia e Cultura, e um debate sobre a Conjuntura e Estratégias dos Movimentos Sociais. À noite, a segunda apresentação foi a peça “Toró”, do coletivo Fuzuê (UFSJ/MG) e para encerrar uma mostra audiovisual, com a exibição de alguns curtas produzidos pelo coletivo Terra em Cena.

No dia 28 pela manhã, foi apresentada a peça “Padrão” do Coletivo Encena Kalunga, de Cavalcante (GO). Essa peça foi inicialmente construída na disciplina Pedagogia do Teatro, ministrada pelos professores Rafael e Pedro Ribeiro, em que foi criada pelas estudantes Aparecida, Lucilene, Roseane e Thaís. As estudantes Nelma, Hiory e Brenda entraram na reprodução das cenas com as adaptações finais, que foi apresentada no auditório Augusto Boal. Ainda pela manhã, foi o momento de finalizar as oficinas que haviam iniciado no dia anterior.  No período da tarde, houve um debate sobre as linhas de pesquisa do Terra em Cena e ao final a apresentação da peça “Plataforma” do Cia Estudo de Cena (SP). Essa peça Plataforma me tocou bastante no sentido de trazer imagens de momentos de resistência dos trabalhadores relacionados com a atualidade. Fiquei vidrada do início ao fim com a atuação, com a construção das cenas e a sincronia que as atrizes estavam em todo momento. Foi bem interessante.

No sábado, o evento continuou pela manhã com a exposição de banners das escolas do campo do DF e uma mesa de abertura sobre “A escola do campo como centro popular de cultura”. Infelizmente não consegui participar dessa mesa, pois no mesmo horário aconteceu uma premiação de melhor trilha sonora no filme construídos pelos os alunos da escola que realizei o estágio, logo foi um momento especial na instituição e que não poderia perder. Mas, em seguida, voltei para a FUP e consegui assistir uma parte da peça “Aurora” de Cia Burlesca. Fiquei encantada com o trabalho da atriz Julie Wetzel, sozinha em cena ela consegue fazer tantos papéis diferentes e conseguir apresentar a educação como forma de emancipação e resistência contra a exclusão, e conectando a história de alfabetização em Cuba com a realidade brasileira. Foi uma peça incrível, que mexe com o espectador ou “espect ator” que ao invés de só assistir, ele age e reage sobre determinado tema.

No geral, participar da VII Mostra Terra em Cena e na Tela foi muito mais do que acompanhar quatro dias de apresentações, foi um momento de aprendizado intenso que seguirei levando nos dias afora. Foram momentos de imersão no teatro não como forma de espetáculo, mas como uma ferramenta política e pedagógica, em que faz compreender o papel da cultura na sociedade. Foram dias de trocas, de encontros, peças e atividades carregadas de crítica social colocando em pauta as contradições do sistema capitalista, e mostrando a educação emancipadora e a arte no lugar de resistência e de diálogo, atuando como um método de transformação social.


Imagem 5: Eu gravando a oficina de muralismo

 

imagem 6: Apresentação da peça “Plataforma” - Cia Estudo em Cena


I
magem 7: Apresentação da peça “Aurora” - Cia Burlesca 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Reflexões de estudantes da LEdoC sobre a VII Mostra Terra em Cena e na Tela

 A 7ª Mostra Terra em Cena e na Tela aconteceu entre 26 e 29 de novembro de 2025 e integrou atividades de ensino, pesquisa e extensão. 

Uma das disciplinas envolvidas no processo organizativo e formativo do evento foi Processo Experimental em Teatro 1, ministrada pelo professor Rafael Villas Bôas e pela doutoranda do PPGCÊN Simone Menezes da Rosa (cursando Prática Docente). A turma se encarregou da construção, ensaio e apresentação da mística de abertura, realizada no dia 27 de manhã, e participou dos diversos momentos formativos que a mostra proporcionou. Publicamos a seguir alguns dos trabalhos escritos por educandos da disciplina, refletindo sobre diversos aspectos da atividade: 

Quando o Teatro Educa: Impressões de uma Estudante na 7ª Mostra do Terra em Cena
Ana Karine Soares Jordão 

A 7ª Mostra do Terra em Cena, para mim, estudante de Matemática, foi uma experiência diferente do que estou acostumada. Optei por pegar a matéria optativa para conhecer as outras áreas de habilitações do curso de Licenciatura em Educação do Campo (FUP/UnB) e vivenciar outros mundos, e obtive essas vivências principalmente por meio das peças teatrais do primeiro e penúltimo dia da 7ª Mostra.

A primeira peça foi apresentada no sarau de abertura da 7ª Mostra, com uma pauta fortíssima, de dar arrepios mesmo! A peça inicia contando a história de uma moça que há pouco tempo abriu o seu bar, em uma zona urbana, e tendo como ajuda só seu filho para manter o local.

Corta para uma cena do tecladista que trabalha nesse mesmo bar, chegando e interagindo com a dona, estabelecendo acordos. Depois chega um casal no ambiente, com interesse principal de só beber e socializar, até o momento em que a mulher quer levantar e dançar, já que havia bebido um pouco mais da conta; e, após isso, seu companheiro acha ruim a forma como ela dança e se expressa, acreditando que aquilo tudo era para seduzir o tecladista que ali está trabalhando.

Por fim, vemos a tragédia que um ciúme obsessivo causa a uma mulher. Trouxe essa peça como análise por abordar um tema central: violência contra mulheres ou feminicídio, em que mulheres no Brasil morrem ou são abusadas, tanto física quanto mentalmente, todos os dias e a qualquer momento, pelos seus parceiros ou familiares. A importância dessa peça ser apresentada em um ambiente escolar ou universitário como ferramenta de ensino e conscientização para a população é de extrema necessidade.

A segunda peça, que me encantei, também vem com um tema polêmico e necessário. A peça de Teatro Fórum “Padrão”, do grupo estreiante Encena Kalunga, de Cavalcante (GO), formado por estudantes quilombolas da LEdoC, que apresentou para a gente um retrato de uma escola militar tratando seus estudantes com diferença de classe e preconceito.

Vemos uma moça negra que sofre discriminação por conta do penteado do seu cabelo crespo, por parte da diretora da escola onde estuda. A reação da estudante foi de injustiça, raiva e choro, enquanto a plateia estava revoltadíssima com a postura da diretora e dos dois estudantes que apoiavam o comportamento da autoridade da escola.

A plateia interagiu muito com a peça, e houve até uma participação na cena final, como parte da dinâmica do Teatro Fórum, uma técnica do Teatro do Oprimido, com uma pessoa da plateia trazendo outra visão e forma de como ela reagiria no lugar da estudante que sofreu preconceito da diretora. Uma outra reação, com pulso mais firme, exigindo respeito da diretora e da estudante, porém com um ar de barraco, e, com isso, a plateia discordou dela, achando que ela poderia usar outro tom e outra abordagem para se defender. Porém, eu entendi que esse coletivo ainda está na construção dessa peça e, por isso, as novas ideias serão incorporadas.

Por fim, foram muito boas as ideias de tema, a criação e a construção das cenas e falas, todas bem claras, construtivas e didáticas, nos ensinando que nossos direitos estão garantidos por lei, porém, nem sempre elas serão suficientes para o combate à violência escolar e à violência contra nós, mulheres. 

Fotos da autora.

O processo de construção e execução da mística

Luana de Menezes Bonfim

Construir a mística foi uma experiência que me fez enxergar que o processo é tão importante quanto o resultado. No começo, estávamos todos confusos, sem ideia clara do que fazer. E, olhando agora, percebo que esse momento de incerteza foi essencial: foi nele que aprendemos a confiar uns nos outros, a aceitar que o coletivo não nasce pronto e que a construção compartilhada acontece justamente no meio do caos, das dúvidas e das tentativas que dão errado antes de dar certo.

À medida que fomos reunindo as ideias, percebi como cada detalhe tinha valor, até as sugestões que pareciam pequenas demais, ou até meio sem sentido no começo, acabavam abrindo caminhos novos. O professor nos apresentou técnicas e possibilidades, mas o que realmente deu vida à mística foi a nossa capacidade de transformar nossas próprias vivências em algo comum. Isso ficou ainda mais claro quando cada um trouxe seu objeto, e o mais interessante é que a partir dali todas iam falando sua história e o restante escutava com muita atenção, no final percebi que criamos uma boa lembrança das nossas vidas. Foi naquele espaço que eu entendi, de verdade, que cada pessoa traz um mundo dentro de si.

Ouvir as histórias por trás de cada objeto foi como montar um quebra-cabeça humano: cada peça era diferente, mas todas se completavam. De repente, aquilo deixou de ser apenas um trabalho de sala e virou um espaço de troca, de reconhecimento e até de cuidado. Descobri que, quando compartilhamos nossas memórias, estamos na verdade oferecendo um pedaço da nossa identidade, e isso só acontece quando existe confiança.

Os jogos que fizemos, como o da bola, não foram só para “descontrair”; eles ajudaram a criar uma sintonia que nem sempre percebemos conscientemente. A mística começou a nascer ali, nos gestos espontâneos, nas risadas, nos silêncios e na tentativa de encontrar um ritmo que fosse de todo mundo, não só de um ou dois.

Nos ensaios, especialmente no geral, percebi como cada ideia finalmente começava a fazer sentido. Era como se a mística estivesse nos ensinando: que tudo tem seu tempo, que nada se constrói sozinho e que, mesmo quando parece que não vai dar certo, a união acaba encontrando um caminho. No auditório, vendo tudo se encaixar, senti que a mística não era apenas uma atividade, ela era o reflexo da nossa convivência, da nossa escuta e da nossa capacidade de criar juntos.

A forma final ficou simples, mas carregada de significado: as notícias que lemos no início, notícias atuais que estavam acontecendo no mundo, as histórias do que aquele objeto representava para nós, a música no final da apresentação, a pergunta que lançamos ao final de cada história… tudo isso fez com que a mística deixasse de ser um ato e se tornasse uma experiência. Era como se estivéssemos convidando as pessoas não só a assistirem, mas a refletirem com a gente: “E você, o que trouxe para a 7ª mostra?”, no fundo, é uma pergunta sobre presença, sobre sentido e sobre o que cada um carrega em sua própria vida.

Hoje, olhando para trás, percebo que a mística me ensinou algo muito maior do que eu imaginava. Ela me mostrou que o coletivo não é só juntar pessoas; é construir um espaço onde cada um se sente parte, onde cada ideia tem lugar e onde cada história importa. Aprendi que a verdadeira força de um grupo está na disposição de ouvir, de acolher e de permitir que o outro também transforme a gente.

A sensação de ver tudo pronto foi incrível, mas o que ficou de verdade foi o aprendizado: a mística é um exercício de sensibilidade, de humanidade e de entendimento de que, quando caminhamos juntos, criamos algo que ninguém conseguiria construir sozinho. E talvez seja esse o maior significado de tudo.

Construção da Mística

                   

                                          Apresentando os objetos

Ensaio geral no auditório

Apresentação final da mística no auditório 

Apresentação final da mística no auditório

 


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Revista Mosaico com o Dossiê "Dossiê Arte, Cultura e Reforma Agrária Popular"

 No volume 21 da Revista Mosaico (2025) estão reunidos artigos que tratam da relação entre cultura e reforma agrária. Neles foram publicados dois trabalhados de pesquisadores/as do coletivo Terra em Cena. Confira pelo seguinte endereço:

https://periodicos.unespar.edu.br/mosaico/issue/view/468




sábado, 27 de setembro de 2025

Salve a data! A VII Mostra Terra em Cena e na Tela, vem aí!


Se preparem, entre os dias 26 e 29 de novembro de 2025, a Mostra Terra em Cena e na Tela estará de volta na Faculdade UnB de Planaltina (FUP/UnB).

Estamos em comemoração! E nesta ocasião, acontecerá, também, o Seminário de Pesquisa dos 15 anos do Coletivo Terra em Cena. 

Em breve, divulgaremos toda a programação!  

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Por uma política cultural do campo no Brasil

 Há dez anos, realizei uma pesquisa de mestrado no Programa de Estudos Culturais da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP partindo de uma pergunta simples, mas estruturante, que buscou verificar se existiam políticas públicas para a cultura do campo no Brasil.

A resposta foi que não havia uma política sistemática voltada para a cultura do campo. Apesar da pesquisa identificar ações e programas de outra natureza que podiam contribuir com o desenvolvimento cultural das populações campesinas, havia o predomínio de recursos federais voltados para leis de incentivo à cultura — mecanismos estruturados em uma lógica neoliberal, voltada aos interesses do mercado e distante da realidade das populações camponesas. Até mesmo o Programa Cultura Viva, reconhecido por seu caráter comunitário e democrático, só em 2014 começou a mapear pontos de cultura ligados ao meio rural, e naquele momento, eles representavam menos de 3% do total.

Uma década depois: o que mudou?

Foi revigorante e inspirador ter vivenciado recentemente o Seminário Nacional “Por uma cultura popular do campo”, realizado em Brasília, de 19 a 21 de agosto de 2025. O encontro reuniu artistas, educadores, professores universitários e trabalhadores da cultura, interessados diretos no assunto do fortalecimento da cultura do campo. 

Apesar das expectativas criadas em torno de marcos legais como a PNAB – Política Nacional Aldir Blanc e o próprio Programa Cultura Viva, os recursos públicos ainda não estão chegando à ponta, para quem mais precisa. As falas de artistas e agentes culturais do campo evidenciam uma gestão pública excludente, marcada por excessiva editalização, com regras, burocracias e competições que uniformizam projetos e afastam sujeitos cujas práticas se enraízam em outros tempos, modos de vida e linguagens.

Em vez de apoiar, a ação do Estado tem frequentemente inviabilizado a participação desses agentes, que carregam consigo saberes ancestrais, comunitários e populares fundamentais para a vida cultural brasileira.

Caminhos possíveis

Depois de anos de ataques e destruição das políticas culturais brasileiras pelos governos golpistas e de extrema direita de Temer e Bolsonaro, atualmente vivemos um momento de reconstrução do contexto democrático político cultural nacional que precisa dar respostas urgentes e concretas para a população do campo.

Experiências como a do Seminário “Por uma cultura popular do campo” demonstram a potência de construir políticas a partir do encontro, da escuta e da produção coletiva de conhecimentos voltados para melhorar a realidade cultural de pessoas que lidam diariamente com a terra, as águas, as agroflorestas e a soberania alimentar.

A pergunta que fica pulsante desse processo é: como desenvolver um ecossistema cultural do campo no Brasil? 

Acredito que as respostas passam por:

  1. Ter base em pesquisas e dados – faltam informações atualizadas sobre a vida cultural das populações campesinas. Sem diagnóstico, não há política pública consistente.

  2. Formações continuadas – faltam formações continuadas que garantam que as populações do campo tenham acesso a direitos e conhecimentos para atuar em todas as etapas da cadeia cultural.

  3. Intersetorialidade – os programas precisam articular cultura com educação, agroecologia, meio ambiente, direitos humanos e comunicação.

  4. Ações de dentro para fora – as soluções não podem reproduzir a lógica colonial de imposição externa; devem emergir das próprias práticas, experiências e saberes dos agentes culturais do campo.

  5. Enfrentamento às guerras culturais – o campo é espaço de disputa simbólica desigual, onde os meios de comunicação de massa propagam cotidianamente a imagem hegemônica do agronegócio como “tec, pop, tudo”. Essa invasão cultural mina valores, subjetividades e alternativas de mundo.

Desse processo, fica também o entendimento de que o Brasil precisa com urgência de uma política cultural do campo que seja de fato de amplitude nacional, intersetorial e baseada em evidências, com ações concretas para a melhoria de vida e de trabalho cultural das populações do campo. 

Por mais pesquisas, dados e diagnósticos.
Por mais encontros, alianças e formações continuadas.
Por políticas públicas que nasçam da prática e da realidade da vida cotidiana no campo.

Só assim será possível cultivar um ecossistema cultural do campo justo, diverso e emancipador.


Por Viviane Cristina Pinto

Pesquisadora, educadora e gestora cultural

Coletivo Terra em Cena

Arte do seminário, feita pelo Anderson Augusto, da Brigada Candido Portinari de artes plásticas do MST.






quinta-feira, 12 de junho de 2025

Protocolo sobre o Café com MST em 10 de junho de 2025

 Certa feita ouvi um dos companheiros da Rede Nuestra America, Douglas Estevam, que também é integrante da Brigada Nacional de Teatro do MST Patativa do Assaré, falar que a Mística para o MST não se restringe a um momento. É um termo que se aplica às formas de socialização que congregam os espaços, a cultura que se estabelece. Citou alguns exemplos: “Dizemos que um determinado assentamento tem uma mística assim, pela maneira como recebe as pessoas, como os espaços estão dispostos (...)”.

Nesse sentido a Mística seria um também um termo relacional. Além de uma ação, ao talvez, pelo conjunto dessas ações forma uma Mística que dá o tom das organizações.

Estou rememorando essa fala desde dia 10 de junho de 2025, em que o MST convidou a Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto Federal de Brasília (IFB), parceiros na luta pela reforma agrária, para conhecer a nova sede do escritório nacional em Brasília.

Localizado no espaço central do Distrito Federal o escritório rompe com a ideia formal de um espaço frio, burocrático e, até mesmo, asséptico do ponto de vista estético. Este seria a ideia geral que me vem à mente quando penso em um escritório. O que conheci no tour pelo escritório do MST foram, além de salas de recepção, reuniões e projetos, um espaço que conta também com uma sala de convivência, mas não confunda com a lógica neoliberal em que a ideia de salas desse tipo para trabalhadores é recheada de jogos para lubridiar as horas de trabalho alienadas e aumentar a produtividade. O que vemos ali é um espaço que tanto possibilita um descanso para os/as trabalhadores/as que ali estão, como pode, por exemplo, receber os filhos/as destes trabalhadores/as, como foi o caso de ontem, considerando a Greve dos Professores que acontece, em paralelo, neste momento, nas escolas do Distrito Federal.

Não para por aí. O novo espaço também organizou uma cozinha e um refeitório. Nada mais coerente, penso eu. Um movimento social que luta pela soberania alimentar garante a seus/suas trabalhadores/as um alimento limpo de venenos e ultra processados. Para além disso, garantir a possibilidade da comensalidade é sem dúvida o primeiro passo para gente se organizar. Não à toa, fomos convidas/os para um... Café com o MST. A recepção que o movimento nos oferece é antes de tudo uma mesa farta, além de, claro, sorrisos e abraços.

O clima amistoso segue com a Mística, formalmente dita. Não causa estranhamento que quem puxa a cantoria com palmas e violão é um dos advogados do MST. A gravata não inibe o companheiro de cantar e tocar. E aqui preciso falar que eu, que venho do chão de escola pública, mesmo não sendo uma militante orgânica do Movimento já me sinto à vontade naquele espaço. Para mim era como se estivesse na minha escola e não em um escritório.

A companheira que coordenou a reunião não só nos brindou com sorrisos como declamou poesia no entremeio da explanação das pautas. Mas alerta: “O café não é à toa, nós estamos aqui para dividir tarefas também”. E em seguida alivia: “Mas nada que o sujeito coletivo não dê conta”. E a palavra corre aberta entre a plenária composta por dois ex-reitores, professores/as da UnB e IFB, militantes do Movimento, estudantes da Universidade, ADUnB e a atual reitora da UnB.

O que fica latente nas falas é que a articulação entre MST e UnB é uma construção longeva que gera frutos, inflexiona movimentos em direção à luta por justiça social e que pode incidir ainda mais, mesmo com a conjuntura desafiadora e que impõe a emergência da organização da classe trabalhadora, a partir de movimentos internacionalizados, como o da tarde de ontem.

 No plano de fundo das pautas objetivas, o que encontros como o de ontem coloca é a dimensão de outra cultura política, onde o trabalho e a alegria coexistem na medida em que as tarefas, por mais que sejam complexas, não são esvaziadas de sentido político e social. É a dimensão do trabalho não alienado que a Mística, no sentido mais integral, parece se fazer no escritório nacional do MST, no Distrito Federal.

Simone Rosa

12 de junho de 2025



sexta-feira, 6 de junho de 2025

A Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do DF convida para exibição e debate da obra "La Insurrección Cultural"

No dia 11/06, quarta-feira, às 19h no Armazém do Campo (setor comercial sul, quadra 01, lote 30, Edifício Denasa)


🚩📢🎭🥁🎬

Com a proximidade dos 46 anos da Revolução Sandinista vamos assistir ao filme de 1981 dirigido por Jorge Denti.
"La Insurrección Cultural" debate o surgimento e formação da "Cruzada Nacional de Alfabetização" ocorrida em 1980 na Nicarágua como ação após a revolução que levou à derrubada da ditadura no país em 1979. O filme reflete sobre o exército voluntário de mais de 100.000 brigadistas de diferentes países que realizaram o feito de, em um ano, reduzir a taxa de analfabetismo de 50% para 12%.
Nosso encontro será no importante espaço da classe trabalhadora, o Armazém do Campo, fortalecendo os laços do projeto popular.

O debate contará com a presença de Felipe Canova, professor de Artes na Licenciatura em Educação do Campo da UnB e integrante do Coletivo Terra em Cena. Na sua dissertação de mestrado em Comunicação, pesquisou o Sistema Sandinista de Televisão, experiência de comunicação popular realizada na Revolução Nicaraguense (1979-1990).

"En la tierra que te daré no mantegas analfabeto a tu hermano
para que corte tu algodón y recoja tu café. Habla Yavé".
(Canto Nacional - Ernesto Cardenal) 



quinta-feira, 22 de maio de 2025

Resultado do processo seletivo para bolsa de extensão para atuar no projeto " VII MOSTRA TERRA EM CENA E NA TELA: 15 anos do coletivo Terra em Cena na FUP e atuação do grupo Ledocênicas"

 


Tornamos público o resultado do processo seletivo para bolsa de extensão para atuar no projeto " VII MOSTRA TERRA EM CENA E NA TELA: 15 anos do coletivo Terra em Cena na FUP e atuação do grupo Ledocênicas"

1° lugar - matrícula 222004727
2° lugar/ cadastro reserva - matrícula 232019026
3°  lugar/ cadastro reserva - matrícula 242017965
Matrícula 232051239 desclassificado por não atender aos pré-requisitos do edital.

Aproveitamos para agradecer o interesse de todos/as os candidatos/as no projeto e para convidá-los/las a integrar voluntariamente o projeto.

Rafael Villas Bôas 

terça-feira, 13 de maio de 2025

SELEÇÃO PÚBLICA DE BOLSISTA PIBEX 2025 PARA VII MOSTRA TERRA EM CENA E NA TELA: 15 anos do coletivo Terra em Cena na FUP e atuação do grupo Ledocênicas

 

🎭🎬1 vagas para estudantes que tenham interesse nas temáticas teatro, audiovisual e luta de classes e disposição para atuarem nas diferentes atividades dos projetos de extensão (reuniões, eventos, grupos de estudo, ensaios, gravações, sistematização, etc).

🎯Desejável : ter interesse em aprofundar nos estudos e práticas do projeto; ter experiência com teatro e/ou vídeo;

Inscrições: de 13/05/2025 até 14/05/2025 pelo formulário no link: Formulário de inscrição

Edital completo no link: Edital seleção de bolsista para VII MOSTRA TERRA EM CENA E NA TELA: 15 anos do coletivo Terra em Cena na FUP e atuação do grupo Ledocênicas