Está chegando a VIII Mostra Terra em Cena e na Tela!
Confira a programação completa, entre os dias 20 e 21 de agosto de 2026, na Faculdade UnB de Planaltina (FUP).
#teatropolítico #FAC #FUP #Ledoc #VIIIMostra
Está chegando a VIII Mostra Terra em Cena e na Tela!
Confira a programação completa, entre os dias 20 e 21 de agosto de 2026, na Faculdade UnB de Planaltina (FUP).
#teatropolítico #FAC #FUP #Ledoc #VIIIMostra
O Prêmio Paulo Freire reconhece pessoas, projetos e comunidades que contribuem para a promoção do direito à educação, da gestão democrática e de práticas pedagógicas comprometidas com a transformação da realidade. Receber essa homenagem reafirma a importância das experiências construídas coletivamente e do papel da arte como dimensão fundamental dos processos educativos.
Este reconhecimento ao nosso trabalho reflete os mais de quinze anos de construção coletiva entre universidade, escolas, movimentos sociais, comunidades camponesas e quilombolas. Desde 2010, o Terra em Cena atua junto a acampamentos, assentamentos e ao território quilombola Kalunga, articulando ensino, pesquisa e extensão por meio do teatro, do audiovisual, das artes visuais e, mais recentemente, da literatura. Ao longo dessa trajetória, formamos estudantes, educadores, artistas e multiplicadores comprometidos com a produção cultural e a transformação social em seus territórios.
Esta homenagem pertence a todas as pessoas que fizeram e fazem parte dessa caminhada: estudantes, professores, educadores populares, movimentos sociais, comunidades parceiras e coletivos que acreditam na educação, na cultura e na organização popular como instrumentos de transformação.
Viva Paulo Freire!
Viva a educação pública!
Viva a cultura popular!
Nos dias 29 e 30 de maio de 2026, aconteceram oficinas de teatro político e gestão cultural junto com os grupos de teatro Jiquitaias e Encena Kalunga do Território Quilombola Kalunga, em suas comunidades, para retomada e preparação das cenas e do elenco para participarem da 8ª Mostra Terra em Cena e na Tela, com data prevista para acontecer entre os dias 20 e 22 de agosto de 2026 na FUP/UnB.
Essas ações formativas nos territórios de Teresina e Cavalcante integram os objetivos do Terra em Cena em promover a socialização dos meios de produção teatral, o debate sobre a permanência dos grupos, processos de organização social, atuação comunitária e crítica por meio de linguagens artísticas.
Encontro com o Grupo Jiquitaias – Teresina de Goiás (29/05/2026)
No dia 29 de maio, no período da tarde, o encontro foi na Comunidade Diadema em Teresina Goiás, embaixo do pequizeiro em frente à Escola Municipal de Educação Escolar Quilombola Tia Adesuíta, quem abriu os caminhos e recebeu o coletivo Terra em Cena para a imersão formativa, foi a professora Núbia, mestranda do PROFArtes/UnB, egressa da LEDOC/UnB e integrante fundadora do grupo Jiquitaias. Estavam presentes 12 integrantes do Jiquitaias, sendo sua maioria novos no grupo e com uma diversa faixa etária entre 8 e 33 anos.
Esse momento, iniciou em roda com apresentação dos presentes e na sequência a professora Núbia contou a história do início do grupo, o significado do nome Jiquitaias (formigueiro que defende o seu território), distribuiu impresso as duas “escrituras das cenas” que o grupo já criou.
A primeira peça “Café, farinha e rapadura: uma pitada de história libertadora”, de autoria coletiva de Núbia, Luan e Bárbara, passa no cenário de uma casa de farinha da comunidade, em formato de conversa e o descascar da mandioca conta a história do Quilombo Kalunga desde o momento da escravização que foram levados para a região a força para trabalhar até a resistência e a fuga para formar o quilombo e suas formas de organização contemporâneas no enfrentamento às mineradoras e a garantia da titulação de terra quilombolas.
A segunda cena, nomeada até o momento de “Sobre as plantas medicinais”, com autoria de Núbia, Luan e Edna, apresenta epistemologias em saúde transmitidos de geração em geração, ao utilizar as plantas como alimentos, remédios e benzimentos, com personagens anciãs que conversam em cena com o público e jovens que buscam curar suas mazelas do cotidiano com raízes, folhas e garrafadas. Todas as receitas são ensinamentos de suas mais velhas e revelam as tradições quilombolas e a sabedoria ancestral das plantas medicinais na permanência da Cultura Kalunga. Núbia, expressa a vontade de juntar as duas cenas em uma única dramaturgia para apresentar na mostra em agosto.
Na sequência, realizamos jogos teatrais do Teatro do Oprimido, como: andando no espaço e suas variações para reconhecimento do espaço delimitado, interação e confiança entre o grupo com o gesto de olhar no olho; o seguinte jogo realizado foi rato e gato que motivou a concentração do grupo em que uns estavam mais agitados e outros menos participativos, criando um momento de brincadeira e presença corporal; outro jogo proposto foi de teatro imagem, a Homenagem a Magritte dando novos sentidos a garrafa que estava ao centro, trazendo referências do cotidiano comunitário de Diadema. Nesse momento, a participação do Jiquitaias nos transporta para a diversidade de atividades que a comunidade exerce, desde o futebol, a casa de farinha, o plantio na roça às cantigas e instrumentos da sussa, evidenciando a relação com a natureza e a cultura do povo Kalunga.
A segunda parte da atividade foi dedicada à construção coletiva de um plano de trabalho, o grupo refletiu sobre seus objetivos, desafios e estratégias de organização, mapeou habilidades e divisão de tarefas. Esse processo de formação em gestão e produção cultural em perspectiva popular e comunitária, proposto por Viviane Pinto, nos colocou os desafios de logística para a participação na 8ª Mostra.
Encontro com o Grupo Encena Kalunga – Cavalcante (30/05/2026)
No dia 30 de maio de 2026, reunimos com o grupo Encena Kalunga, o encontro foi realizado na Escola Municipal Tia Cici, em Cavalcante (GO), no período da manhã e da tarde, estavam presentes todos os integrantes do grupo: Hyori, Aparecida, Brenda, Ariel, Danilo e Nelma, estudantes da LEdoC/UnB das áreas de conhecimento em Linguagens e Ciências da Natureza, além de quatro integrantes da operativa do Terra em Cena.
O encontro iniciou-se com uma roda de apresentação e compartilhamento do processo criativo em andamento. Os participantes apresentaram ideias e pesquisas que vêm desenvolvendo para a construção de uma peça sobre a Luta contra o feminicídio e as múltiplas formas de violência contra as mulheres.
A conversa rapidamente se aprofundou, trazendo relatos de violências e dores que passaram de geração em geração até casos observados no cotidiano do território e/ou que tiveram acesso com ampla divulgação nas redes sociais.
Diante desse contexto, emergiu um importante desafio dramatúrgico e político: construir uma obra de denúncia e anúncio – que não se limitasse apenas à denúncia das violências, mas que também possibilitasse refletir coletivamente sobre caminhos de enfrentamento, proteção e identificação de ações de organização social na luta contra o feminicídio.
Foram discutidas diferentes perspectivas a serem incorporadas ao roteiro, como a importância da educação de meninas e meninos para relações mais igualitárias e respeitosas; o conhecimento das redes de apoio e dos mecanismos institucionais de proteção, como o Ligue 180, seu funcionamento e as falhas de alcance dessas ferramentas nas comunidades; o fortalecimento das organizações comunitárias; e a participação dos homens no enfrentamento das violências contra as mulheres.
Após exercícios teatrais voltados ao aquecimento corporal e à estimulação da criatividade, Julie Wetzel propôs a criação de cenas a partir das discussões realizadas. O poema Fogo!... de Nego Bispo foi declamado pelo grupo em forma de pergunta e resposta em coro, para experimentar um método que tenha o conteúdo de denúncia e anúncio. Durante a manhã, o grupo construiu uma primeira cena centrada em possibilidades de enfrentamento às violências. No período da tarde, foi criada uma segunda cena dedicada à representação dos ciclos de violência. Ao longo do processo, em conjunto, o grupo e os integrantes do Terra em Cena contribuíram com sugestões dramatúrgicas e metodológicas, buscando potencializar a expressividade e a potência política das criações.
Na etapa dedicada aos saberes em gestão e produção cultural em perspectiva popular e comunitária, o grupo realizou a construção coletiva de seu plano de trabalho e definiu como objetivos: apresentar-se na 8ª Mostra Terra em Cena e na Tela; realizar apresentações no Seminário do PIBID; participar de formações vinculadas ao Escola Quilombo; apresentar-se nos festejos e atividades da comunidade.
Para isso, foram planejadas diversas ações: aprofundamento e finalização dos textos dramatúrgicos; criação de uma terceira cena abordando o machismo e o fenômeno dos movimentos redpill; levantamento de dados estatísticos com recorte racial para compor a narrativa; elaboração do prólogo da peça; construção de figurinos e objetos de cena; definição da divisão de tarefas e do cronograma de trabalho; articulação de parcerias, especialmente com a Associação Quilombo Kalunga; e manutenção de uma rotina regular de ensaios.
Assim como ocorreu com o grupo Jiquitaias, os participantes também mapearam suas habilidades e contribuições para o processo coletivo, identificando competências relacionadas ao canto, música, dança e sistematização dos processos e conhecimentos.
Considerações Finais
Os encontros nos territórios de Teresina de Goiás e Cavalcante (GO) evidenciaram a potência dos dois grupos na construção dos processos formativos que articulam arte, educação do campo, organização comunitária e gestão cultural popular. Além de preparar e planejar apresentações para a 8ª Mostra Terra em Cena e na Tela, os encontros possibilitaram fortalecer práticas de autogestão e reafirmar a cultura como dimensão fundamental da produção da vida comunitária.
A construção coletiva dos planos de trabalho permitiu que os grupos refletissem sobre seus objetivos, recursos, desafios e potencialidades, valorizando formas próprias de organização, cooperação e sustentação dos processos culturais. Ao mesmo tempo, o trabalho criativo desenvolvido pelos grupos e reafirmado nas oficinas demonstra que o teatro político é um método que pode contribuir para a elaboração crítica da realidade, produção de memória, fortalecimento da identidade quilombola e construção de alternativas frente às violências e desigualdades vividas.
O coletivo Terra em Cena encerra esta etapa assumindo o compromisso de seguir acompanhando os processos de criação dos grupos Jiquitaias e Encena Kalunga, contribuindo para que suas experiências não se limitem à participação na Mostra, mas fortaleçam iniciativas permanentes de criação artística, organização cultural e mobilização comunitária em seus territórios.
Estiveram presentes como facilitadoras das oficinas pelo coletivo Terra em Cena, Adriana Gomes, Julie Wetzel, Viviane Pinto e o professor Paulo Henrique da LEdoC/UnB, integrantes da operativa do grupo.
Por fim, ainda tivemos a oportunidade de participar da posse da nova diretoria da Associação Quilombo Kalunga (AQK), realizada no fim de tarde do dia 30 de maio de 2026, em que as lideranças de outras associações reivindicaram ações territoriais nas comunidades, e parceiros como o Terra em Cena, ISPN, FUP/UNB, IFG, entre outros, parabenizaram a nova diretoria, e afirmaram o compromisso de apoio a nova gestão da AQK e a continuidade das ações conjuntas no território.
O Coletivo Terra em Cena agradece profundamente aos grupos Jiquitaias e Encena Kalunga, e a todo o Território Quilombola Kalunga, pela parceria na construção da nossa 8ª Mostra Terra em Cena e na Tela!
Adriana Gomes, Julie Wetzel e Viviane Pinto
Integrantes do Coletivo Terra em Cena
ParaTodosVerem:
Imagem 1
Card de divulgação em fundo claro, com textura de papel envelhecido, estética de colagem e tons terrosos. No topo, em letras grandes e pretas, lê-se “vem aí”, com uma linha horizontal logo abaixo.
No centro, em destaque, aparece a identidade visual “VIII Mostra Terra em Cena e na Tela”, em vermelho e preto. Abaixo, estão as informações: “De 20 a 22 de Agosto 2026” e “Campus UnB Planaltina FUP”.
Na parte inferior esquerda, há uma ilustração de uma câmera de vídeo com um olho no centro, em preto, branco e marrom. Na parte inferior direita, aparecem formas que remetem a um público ou sementes ou pegadas. Nas laterais, há traços vermelhos circulares e elementos gráficos orgânicos que reforçam a identidade visual da mostra.
Imagem 2
Card em fundo claro, com textura de papel envelhecido e tons terrosos. No topo central, aparece a identidade visual “VIII Mostra Terra em Cena e na Tela”, em vermelho e preto. Abaixo, uma linha horizontal separa a marca do texto central.
No centro, em destaque, lê-se: “Este projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal”. Abaixo, aparece a logomarca do FAC – Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.
Na parte inferior, estão dispostas as logos de realização, parceria e apoio: Terra em Cena, LEdoC, ETPVP, UnB, FUP, UnB DEX, Simpoiese, Secretaria de Cultura e Economia Criativa e GDF. Nas laterais, há elementos gráficos em vermelho e sombras de formas orgânicas de troncos retorcidos, compondo a estética visual do card.
Recebemos essa notícia com alegria, especialmente em um momento de fortalecimento da Política Nacional Cultura Viva, a maior política pública de cultura de base comunitária do Brasil e uma referência internacional na valorização das iniciativas culturais construídas pelos próprios territórios.
Durante a VI Teia Nacional - Pontos de Cultura pela justiça climática, que ocorreu entre 16 e 24 de maio de 2026, foi anunciado que mais de 16 mil Pontos de Cultura foram certificados, reafirmando a força, a diversidade e a capilaridade dessa rede que há décadas promove cultura de base comunitária em todo o país.
Para nós, do Terra em Cena, é uma honra integrar esse movimento. Há mais de quinze anos atuamos na formação artística, na educação popular e no fortalecimento de redes culturais, especialmente junto aos povos do campo, construindo processos coletivos que articulam cultura e organização social.
Ser reconhecido como Ponto de Cultura significa fortalecer esse caminho e ampliar nossa capacidade de conectar experiências e compartilhar saberes, potencializando, dessa forma, para que mais iniciativas culturais floresçam em seus territórios.
Seguimos acreditando na cultura como direito a partir de processos coletivos e como força capaz de criar novos horizontes.
O professor Felipe Canova compartilhou em seminário a história e o método de trabalho do Terra em Cena com as linguagens de artes visuais, artes cênicas e audiovisual nos territórios camponeses e quilombolas da reforma agrária. Na ocasião também estiveram presentes como integrantes do coletivo as professoras Mônica Molina (LEdoC) e Fernanda Rosas (SEEDF) e o estudante Renan Barbosa (LEdoC).
O grupo de teatro Calcário, dirigido por Pedro Ribeiro, apresentou peça de mesmo nome sobre a história da 33º reunião administrativa do DF, a Fercal, destacando os impactos ambientais e a exploração do trabalho a que está submetida a comunidade da Fercal e as pessoas que trabalham nas duas fábricas de construção de cimento existentes no local.
O Terra em Cena participa desde 2010, ativamente da história do campus de Planaltina da UnB. Realizou dezenas de apresentações teatrais, com grupos formados por estudantes da LEdoC e por moradores de acampamentos e assentamentos da reforma agrária e de territórios quilombolas, produziu e exibiu documentários, e tem marcado as paredes da Faculdade com obras de artes visuais, os murais construídos coletivamente que contam a história das turmas da Licenciatura em Educação do Campo e expõem as simbologias das lutas pela terra no Brasil.
Realizamos no campus cinco edições das Mostras Terra em Cena e na Tela, e duas edições externas, uma no campus de Bom Jesus, da UFPI, e outra em Cavalcante (GO). No 2º semestre de 2026 realizaremos na FUP a 8º Mostra Terra em Cena e na Tela (em breve divulgaremos a data e a programação).
Acreditamos que a formação estética, tal como a educação do campo, é um direito nosso e um dever do Estado, e que para que seja efetivada deve ser realizada como um gesto coletivo e permanente. Nos alegra fazer parte da comunidade da FUP. Vida longa ao campus, com muita arte e cultura popular!
Coletivo Terra em Cena
Em 2016, a Turma 6 - Chico Mendes da LEdoC realizou a pintura de um mural no prédio UEP, com o tema da luta contra a violência às mulheres. Atualmente a obra ainda conserva as suas características fundamentais, mas demanda restauro após 10 anos de sua criação. E o tema mostra ser a cada dia mais urgente!
O recém-criado Projeto de Extensão Ateliê Popular, do Coletivo Terra em Cena, iniciará seus trabalhos restaurando coletivamente esse mural. Integrantes da Turma Chico Mendes que criaram a obra estarão conosco, nos orientando nessa prática artística, junto com as/o profs. Felipe Canova, Fernanda Rosas e Simone Menezes. Venha participar! Atividade aberta e certificada como horas complementares.
*Sábado, 09 de maio, manhã e tarde, a partir das 8h30.* Se não puder vir no turno da tarde, venha no turno da manhã, ou venha nos dois, como preferir!
Local de encontro: fachada lateral do Prédio UEP (prédio velho) da FUP.
O artigo foi publicado na Revista Arte da Cena, na UFG, v. 11 n. 2 (2025): Artes da Cena, Extensão e Sociedade.
O artigo analisa a experiência de encenação de três peças do coletivo soviético de teatro de agitação e propaganda Blusa Azul, no contexto de celebração do centenário da Revolução Soviética, no Distrito Federal, no Brasil. Com referencial teórico baseado em pesquisas sobre a estética, as formas e a dinâmica de produção do teatro de agitação e propaganda soviético (Amiard-chevrel, 2015), o trabalho analisa comparativamente à experiência brasileira contemporânea em termos de eficácia estética, função pedagógica do teatro, sentido histórico do trabalho teatral, as possibilidades de interface com a linguagem audiovisual no processo de construção da montagem, e condições objetivas de produção.
Palavras-Chave: teatro soviético; agitprop; teatro político; audiovisual
O artigo completo pode ser acessado no seguinte endereço: https://revistas.ufg.br/artce/article/view/83426/45093
Tornamos público o resultado do processo seletivo para bolsa de extensão para atuar no projeto "8º Mostra Terra em Cena e na Tela: artes cênicas, artes visuais, audiovisual e literatura na Educação do Campo", atendendo ao critério de "bolsa destinada às cotas" conforme Circular nº 09/2026/DEX.
1° lugar/ Rennan Mendes Barbosa – contemplado com bolsa de extensão
2° lugar/ cadastro reserva – Rafaelly Rodrigues de Sousa
3º lugar/ cadastro reserva – Eloanny Serafim da Conceição
4º lugar/ cadastro reserva – Daniela Paulino da Costa
5º lugar/ cadastro reserva – Wagner Pereira dos Santos
6º lugar/ cadastro reserva – Daltro Oliveira Vinuto
A candidata 241042972 foi desclassificada por divergência entre nome preenchido no formulário e nome que consta no histórico escolar. A candidata 232050812 foi desclassificada pelo critério do impedimento de bolsas concomitantes.
Aproveitamos para agradecer o interesse de todas(os) as(os) candidatas(os) no projeto e para convidá-los/las a integrar voluntariamente as ações extensionistas, com a devida certificação.
Prof. Rafael Villas Bôas
Tornamos público o resultado do processo seletivo para bolsa de extensão para atuar no projeto "Ateliê Popular: artes visuais e trabalho coletivo na Licenciatura em Educação do Campo", atendendo ao critério de "bolsa destinada às cotas" conforme Circular nº 09/2026/DEX.
1° lugar - matrícula 222040106
2° lugar/ cadastro reserva - matrícula 232050741
3° lugar/ cadastro reserva - matrícula 222040115
4º lugar/ cadastro reserva - matrícula 232051248
5º lugar/ cadastro reserva - matrícula 212007592
6º lugar/ cadastro reserva - matrícula 202027626
7º lugar/ cadastro reserva - matrícula 241042972
8º lugar/ cadastro reserva - matrícula 241042936
9º lugar/ cadastro reserva - matrícula 160025966
O candidato Tainam Malta Sousa teve sua inscrição indeferida por não atender aos requisitos do edital.
Aproveitamos para agradecer o interesse de todas(os) as(os) candidatas(os) no projeto e para convidá-los/las a integrar voluntariamente as ações extensionistas, com a devida certificação.
Prof. Felipe Canova
Período de inscrição: de 06 até 08 de abril de 2026
Resultado: 09 de abril de 2026
ATENÇÃO:
Quem tiver interesse não poderá receber remuneração em qualquer outro programa institucional do DEX, não possuir pendências acadêmicas e deverá ter disponibilidade de 15h semanais para realizar atividades presenciais. Estudantes da LEdoC da habilitação Linguagens, Artes e Literatura com conhecimento nas linguagens teatral e audiovisual terão preferência no processo seletivo.
Edital com formulário: https://drive.google.com/file/d/1qHv1n9wHIsPMsuR2kiF8woVip2vrgBOo/view?usp=sharing
Olá, pessoal! Estão abertas as inscrições para bolsista PIBEX do projeto de extensão Ateliê Popular: artes visuais e trabalho coletivo na Licenciatura em Educação do Campo. Venha participar de um projeto com arte e cultura na FUP e em comunidades de atuação da LEdoC, promovido pelo Coletivo Terra em Cena e coordenado pelo Prof. Felipe Canova 🎨🎨🎨
*Inscrições de 06 a 08 de abril de 2026 / Resultado no dia 09 de abril de 2026*
Edital com formulário de inscrição: https://drive.google.com/file/d/1gMcAGPhZbZjAJh0N9o0JUHgpdKXBl2i5/view?usp=sharing
O Coletivo Terra em Cena, grupo de pesquisa e ação extensionista do campus de Planaltina da Universidade de Brasília vem por meio deste se posicionar contrário à expansão das classes multisseriadas operada pela Secretaria de Educação de Goiás, nas escolas estaduais do território quilombola Kalunga, diante da ameaça à qualidade de ensino que esta ação representa, na medida em que diminui o tempo de exposição e debate sobre os conteúdos específicos de cada série, e sobrecarrega o trabalho dos professores, na medida em que eles tem que elaborar dois planos de aula e lecionar de forma sobreposta os conteúdos para estudantes de turmas diversificadas.
A implementação da medida foi realizada de forma anti-democrática, sem consulta às comunidades de abrangência das escolas e sem consulta à comunidade escolar. Como um coletivo que atua ligado à Licenciatura em Educação do Campo da UnB e segue os princípios desta concepção consideramos que a educação é investimento e não gasto, e que todo discurso e prática política que justifica o corte de gasto e a precarização em nome da eficiência e da economia das contas atende a interesses diversos aos da qualidade do ensino, da soberania popular, e da construção de uma proposta de educação que dialogue com as demandas e interesses das comunidades e dos trabalhadores do segmento escolar do território.
Esperamos que sejam realizadas audiências públicas, para que os argumentos contrários possam ser considerados e que a tomada de decisão possa ser fundamentada na escuta das comunidades e suas associações.
Segue em anexo o documento
Coletivo Terra em Cena (grupo de pesquisa e ação extensionista da FUP/unB)
Cena Padrão na VII Mostra Terra em Cena e na Tela - a pedagogia da opressão e sua insurgência por meio do Teatro Fórum
O professor e doutorando Pedro Ribeiro, que
atuou como curinga na sessão de Teatro Fórum que marcou a estreia do grupo,
registra o momento no texto abaixo.
A cena “Padrão”, apresentada pelo grupo Encena Kalunga, emergiu como uma potente denúncia das engrenagens de opressão reproduzidas dentro de uma instituição educacional cívico-militar, marcada por normas rígidas e pela vigilância constante dos corpos. O enredo expôs a trajetória de uma jovem quilombola Kalunga em seu primeiro dia de aula, confrontada por um conjunto de regras que age como dispositivo disciplinar e evidencia uma estrutura social enraizada em uma política de segregação baseada em aspectos raciais: o uniforme obrigatório, o controle sobre a aparência, o policiamento do cabelo crespo e volumoso de uma mulher negra e a deslegitimação de seus elementos culturais (cultura kalunga).
A
cena articulou, de modo crítico, o entrelaçamento entre racismo institucional,
elitismo e autoritarismo, evidenciando como a autoridade escolar se curva às
hierarquias sociais representadas pelos filhos de uma advogada e de um deputado
estadual, cuja denúncia direcionada à diretora reforça a lógica de que o poder
econômico opera como atalho para definir quem é ouvido e quem é punido. Nesse
embate, a estudante Kalunga e sua colega — ambas meninas negras — tornam-se
alvos da tentativa de silenciamento, culminando em uma imagem congelada de
opressão que não simboliza rendição, mas um estado limite de tensão,
resistência e desejo de mudança.
A
cena “Padrão”, de Teatro-Fórum, conduzida por Pedro Ribeiro e Rafael Villas
Bôas nos papeis de coringas, transformou a opressão ficcional em campo de ação
coletiva, abrindo espaço para que a plateia interviesse na realidade
dramatizada. Dessa vez, não apenas se discutiu a violência institucional, mas
experimentou-se alternativas de enfrentamento. A entrada em cena de Fernanda,
doutoranda da Faculdade de Educação da UnB, desencadeou um movimento de
insurgência: ela convocou aliados para denunciar e confrontar as imposições
injustas da diretora e da estrutura escolar, provocando uma energia de
mobilização que ultrapassou o palco e ganhou corpo no gesto do público, que se
levantou e se colocou ao lado da personagem.
O
palco tornou-se, assim, território de reinvenção política, no qual opressões
racializadas, classistas e autoritárias puderam ser criticamente tensionadas e
reinterpretadas. A cena, produzida no âmbito da disciplina Pedagogia do Teatro
do curso de Licenciatura em Educação do Campo (UnB - Planaltina/DF), ministrada
pelo professor Rafael Villas Bôas, com colaboração do doutorando Pedro Ribeiro
(lecionando conjuntamente a disciplina ao cursar Prática Docente com seu orientador),
funcionou como ato de afirmação da cultura Kalunga e como exercício pedagógico
de emancipação, reafirmando o Teatro do Oprimido como prática estética capaz de
transformar espectadores em sujeitos coletivos de ação.
Por
Dhenise Galvão, doutoranda em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília
A peça Plataforma cria um
espaço onde diferentes tempos do trabalho feminino se tocam sem pedir licença.
As figuras das operárias da revolução industrial aparecem quase costuradas às
trabalhadoras da era digital. A cena funciona como uma dobra. Passado e
presente se enfrentam e se reconhecem. Nada vem organizado em linha reta. A
narrativa escapa, volta, comenta a si mesma e revela suas engrenagens. A
sensação de distanciamento, o modo como as atrizes nomeiam suas ações e a
circulação entre ficção e realidade aproximam a peça da proposta brechtiana,
algo que para mim ficou evidente ao longo de toda a encenação.
O espetáculo me trouxe
outras associações pessoais. Em vários momentos pensei no filme “Dançando no
Escuro”, de Lars von Trier. Talvez pelos gestos exaustos das personagens,
talvez pelo peso industrial que repousa sobre tudo. Talvez simplesmente porque
se trata de mulheres atravessadas por sistemas que exploram até o limite. O
figurino sustenta essa aspereza. Ele fala de desgaste. De repetição. De
sobrevivência.
Há um ponto decisivo na
forma como a peça articula cena e tecnologia. O celular aparece como dispositivo
dramatúrgico que molda ações, produz vigilância e condiciona a presença das
personagens. Ele opera como mais uma máquina que observa enquanto observamos,
instaurando um circuito contínuo de exposição, coleta de imagens e dependência
que espelha a lógica tecnológica da vida contemporânea. Nada ali sugere
neutralidade, o aparelho estrutura tanto a relação entre as intérpretes quanto
o modo como o público é convidado a perceber aquela vigilância. A ideia que
atravessa a obra está no “medo de não ser visível, o risco de desaparecer”, a
vigilância que se mistura à economia e o patrão transformado em câmera e
algoritmo.
Outra coisa marcou a
experiência. A plateia quase inteira permaneceu atenta. Quase ninguém mexia no
celular, o que é raro hoje. O assunto exposto no palco parecia impedir aquela
fuga rápida para a tela. Eu mesma só cheguei a ver uma pessoa olhando o
aparelho. Foi curioso perceber esse silêncio digital num espetáculo que fala
justamente da captura da nossa atenção.
A peça não se propõe a uma
narrativa pessoal, no entanto pequenas fissuras deixam ver vidas que tentam
existir enquanto trabalham. Uma das personagens fala da filha. A chuva cai
dentro e fora da cena. Há uma vibração emocional que atravessa tudo isso e que
se mistura às questões mais amplas do trabalho. Mesmo sem contar uma história
íntima, o espetáculo convoca o público a lembrar que todo corpo em cena é um
corpo que trabalha, cansa, insiste. Saí com essa sensação. A de que todas nós
somos arrastadas pela engrenagem. Mesmo quando não estamos numa fábrica. Mesmo
quando pensamos que escapamos.
“Plataforma” não oferece
conforto. Ela cutuca, mostra. Insiste para que a gente veja o que está diante
dos olhos e o que escapa. É um trabalho que revela a paisagem invisível do
cotidiano laboral das mulheres. Expõe os atravessamentos históricos. Faz a
plateia pensar e sentir. E isso ficou evidente no interesse total do público
durante a apresentação. A recepção foi de escuta, de concentração e de impacto.
Um silêncio atento que dizia muito sobre a força do que estava sendo
compartilhado ali.
“A Aurora”, da Cia. Burlesca
Por Dhenise Galvão
No Distrito Federal, a formação de
plateia teatral ainda enfrenta resistências culturais, com parte do público
associando o teatro a algo distante ou excessivamente comercial. Nesse cenário,
espetáculos como “A Aurora”, da Cia. Burlesca, cumprem um papel essencial, ao
oferecer uma experiência cênica acessível, politicamente engajada e
esteticamente sólida, capaz de aproximar novos espectadores, inclusive crianças
e jovens, de temas urgentes da realidade brasileira.
Apresentado na 7ª Mostra Terra em Cena e
na Tela, evento dedicado a obras que abordam o campo, os trabalhadores rurais,
quilombolas, assentamentos e lutas agrárias, o monólogo “A Aurora” tem
interpretação de Julie Wetzel e direção de Patrícia Barros e Lyvian Sena. A
peça parte do livro “A Revolução de Anita”, de Shirley Langer, e constrói, a
partir do relato de uma professora do campo, uma reflexão profunda sobre o
direito à educação.
Julie Wetzel alterna cenas com fluidez
notável, transitando entre momentos de leveza e tensão dramática. O espetáculo
inicia com uma interação direta com a plateia, questionando as profissões dos
sonhos de cada um, respostas que revelam aspirações comuns, como professor,
bombeiro ou cantor, para, em seguida, confrontar essas projeções com a
realidade de grande parte da população brasileira, para quem o acesso à
educação é limitado e o futuro parece predeterminado.
No centro da narrativa está o poder
transformador da leitura, do letramento e da educação popular como instrumentos
de emancipação individual e coletiva. A atriz sustenta o monólogo com presença
cênica intensa, valendo-se de um cenário minimalista e funcional, uma mesa que
se transforma em vários espaços domésticos e simbólicos, abrindo compartimentos
para livros e objetos que ampliam o universo da personagem.
Entre os momentos de maior impacto está
a sequência ritmada com batidas no peito, acompanhando a canção “Front de
guerra”, de Alessandra Leão, que reforça a ideia de uma luta cotidiana e
coletiva pela dignidade e pelo conhecimento. Embora apresente um trecho mais
expositivo ao detalhar a inspiração da história, a peça mantém o envolvimento
do público até o final, quando se abre para um debate rico, no qual a atriz compartilhou
sua recente experiência de apresentar o trabalho em Cuba.
Um diferencial importante é o material
distribuído ao final, o folder com a “Biblioteca da Aurora”, uma compilação
cuidadosa de referências bibliográficas, reportagens, documentários, artigos
acadêmicos e links organizados por temas. O documento abrange educação popular,
o método cubano “Yo, sí puedo”, o legado de Paulo Freire na alfabetização de
adultos, experiências do MST, casos de censura literária no Brasil e reflexões
sobre o direito à literatura, oferecendo ao espectador ferramentas concretas
para aprofundar os debates propostos em cena.
“A Aurora” exemplifica o potencial do
teatro local como espaço de resistência cultural e formação crítica. Ao aliar
rigor artístico, pesquisa histórica e compromisso social, o espetáculo não
apenas entretém, mas provoca reflexões necessárias sobre desigualdade, acesso
ao conhecimento e transformação social. Uma obra potente, que reforça a
importância de investir em produções que valorizem a inteligência e a
sensibilidade do público.
Parabéns à Cia. Burlesca, à equipe e
especialmente a Julie Wetzel por um trabalho consistente, acolhedor e
profundamente necessário.
Mostra Terra em cena e na Tela ocupa a Universidade
A disciplina de Projeto
Experimental em Teatro I ocorreu em conjunto com a 7ª Mostra Terra em Cena e na
Tela, que aconteceu entre os dias 26 e 29 de Dezembro de 2025 na Faculdade UNB
de Planaltina. A disciplina foi pensada para possibilitar nossa participação no
evento construindo a mística de abertura e assistindo às peças, filmes, debates
e oficinas. A Mostra Terra em Cena e na Tela é um evento organizado pelo grupo
de pesquisa Terra em Cena e reúne grupos de teatro, professores, pesquisadores
e estudantes de vários locais do Brasil para apresentar experiências
pedagógicas, peças e oficinas de Artes Cênicas e Audiovisual.
Na noite do dia 26, a abertura da Mostra aconteceu com a lavagem da Faculdade UNB de Planaltina e o 2º Sarau da LEdoC, no restaurante universitário, e contou com apresentações musicais e poemas recitados pelos estudantes da Licenciatura em Educação do Campo da UNB. O estudante da LEdoC Tainã Malta, apresentou um desfile com as roupas que ele desenhou, costurou e pintou, e as estudantes da LEdoC foram as modelos das roupas reafirmando nosso espaço e celebrando a cultura quilombola. Também foi apresentada uma cena de teatro muito forte do grupo Cenas Emendadas, que retratava situações de violência contra a mulher em um relacionamento abusivo que evoluiu para uma cena pesada de feminicídio. O grupo de afoxé Omó Ayó encerrou o dia com muito amor nas mensagens, dança e ancestralidade.
No dia 27 e 28
aconteceram as oficinas de argila corpo e território, cineclube popular,
muralismo na restauração de um mural que foi apagado durante uma reforma na
Universidade, e iluminação e o trabalho da luz na cena. As duas manhãs de
oficinas permitiram a construção de materiais, formações e vivências em
diferentes áreas.
As mesas de debates ocorreram na tarde do dia 27 com os temas agroecologia e cultura, e conjuntura e estratégias dos movimentos sociais. Após as mesas o Coletivo Fuzuê apresentou a peça “Toró, ode à natureza ou quando ou crime acontece como a chuva que cai.” Que inspirado em fatos reais, traz questionamentos e contradições do desastre climático, sistemas de violência. Fechando a programação do dia, ocorreu a mostra audiovisual com uma seleção de curtas e longas criados dentro da rede Terra em Cena.
Iniciando a programação
do dia 28, o grupo Encena Kalunga, criado por estudantes da LEdoC, apresentou a
peça “Padrão”, uma peça de teatro fórum, que mostrou diversas opressões dentro
do contexto de uma escola militarizada. A cena e o debate atravessou temas como
a reprodução sistêmica do racismo mesmo inconscientemente, soluções como a
organização e registro das violências como provas e a importância de uma rede
de apoio na superação de situações de opressão. Depois, a mesa de devolutivas
de pesquisas de pós-doutorado e de doutorado em andamento, mostrou experiências
concretas de práticas pedagógicas e pesquisas contra hegemônicas. A mesa foi
composta pelas professoras Ofelia Ortega, Carina Guimarães Moreira, Keyla
Morales, Dhenise Galvão, Fernanda Rosas, Simone Menezes e o professor Felipe
Canova.
Após a mesa, o grupo de São Paulo, Estudo de Cena, apresentou a peça “Plataforma, um experimento teatral.” Com um cenário muito inteligente, prático e futurista. Duas atrizes viajam em décadas diferentes, passando por diversas revoluções lideradas por mulheres da classe trabalhadora e construindo situações, diálogos e realidades a partir de fotos, que vão desde 1895, com o primeiro filme da história, que retrata “Operárias saindo da fábrica.” A fábrica é dos irmãos Lumière e o filme foi gravado por eles, o patrão filmando as trabalhadoras, que saem apressadas dos turnos exaustivos. A trama viaja no tempo e no espaço de forma épica, trazendo movimentos sincronizados, a fala curta e a troca sincronizada da atenção que é dividida entre as atrizes numa espécie de ritmo que me lembrou uma linha de produção da revolução industrial, juntamente com os sons e movimentos repetidos. A sonoplastia nos bombardeia com sons de notificações de aplicativos, que se misturam com vozes como rádio e tv, causando um desconforto, um super estímulo, que se compara com a experiência dentro da internet e nas redes sociais. A peça fala sobre desumanização e uberização do trabalho, a escala exaustiva de trabalho e relações de trabalho na perspectiva feminina, mostrando experiências reais que deram certo na história, liderados por mulheres, quase que um coro convidando para a organização e mobilização coletiva por melhores condições e realidades de trabalho. De forma engraçada e inteligente somos bombardeados de informações que nos fazem refletir o hoje e o futuro do trabalho.
No último dia da Mostra
ocorreu a exposição dos banners das escolas do campo, criando um espaço de
troca, de experiências pedagógicas nessas escolas de diversas regiões,
construindo uma teia de conhecimentos e vivências. Também aconteceu a mesa “A
escola do campo como centro popular de cultura.” Com as professoras Simone
Soares, Clarice Santos, Eliene Novaes, Viviane Pinto e o professor Felipe
Canova. Encerrando o evento, a Cia Burlesca apresentou a peça “Aurora” baseada na
campanha “Sim eu posso” que erradicou o analfabetismo em Cuba, reafirmando o
papel da educação como prática libertadora sendo fundamental na organização
coletiva para a transformação social.
Imagem 1 (Abertura da Mostra e Sarau
- 26/11/2025)
Imagem 2 (Oficina de cerâmica -
27/11/2025)
Imagem 4 (Peça “Plataforma”, grupo Estudo de Cena -28/11/2025) Fonte: Arquivo pessoal
Aimê Fernandes Monteiro
Ser estudante da Licenciatura em Educação do
Campo (LEdoC) é viver muito mais do que um simples percurso acadêmico é
atravessar processos formativos que transformam a pessoa, o corpo, a leitura de
mundo, a relação com o coletivo e o entendimento do papel político da educação.
É amadurecer, crescer e se redescobrir em comunidade.
Quando entrei na LEdoC, anos atrás, eu não
imaginava o quanto essa experiência modificaria minha forma de ser e de estar
no mundo. Se alguém me perguntasse, naquele início, se eu gostaria de
apresentar uma mística, eu responderia prontamente que não. Eu não me sentia
preparada. Meu corpo tremia só de pensar em falar diante de outras pessoas. Eu
não tinha domínio da fala, nem confiança, nem coragem para ocupar o espaço que
hoje ocupo.
Porém, quase quatro anos depois, olho para trás
e vejo que já não sou mais a mesma. A LEdoC me atravessou de um jeito que
nenhuma outra formação seria capaz. A mística, que antes me causava temor, hoje
se apresenta como uma forma mais suave e transformadoras que vivenciei. Ela não
é apenas uma apresentação artística, nem um simples ritual de abertura é um
método pedagógico vivo, sensível, político e profundamente humano. Ele nos
ensina a aprender com o corpo, com a coletividade, com as emoções, com a
ancestralidade e com os símbolos que trazemos da vida.
Na disciplina de Teatro, compreendi de forma
ainda mais concreta como a mística pode ser um instrumento de formação crítica.
A nossa mística foi construída como um verdadeiro debate político, trazendo
temas urgentes para o centro da discussão. Elaboramos uma apresentação que
dialogava diretamente com as vivências cotidianas, com símbolos carregados de
sentido e com aquilo que atravessa a realidade das pessoas que constroem a
educação do campo.
Cada objeto utilizado tinha significado; cada
gesto representava uma dor, um questionamento, uma memória ou uma resistência.
Parte da apresentação envolveu leituras de jornais das últimas vivências,
trazendo para o palco temas que estavam em pauta no país como a a repercussão
da prisão de Bolsonaro, a segunda macha nacional das mulheres, as discussões
ambientais e políticas em torno da COP30, além de reflexões sobre como esses
acontecimentos atravessam o campo, a educação, as comunidades rurais.
Essa construção deixou evidente que a mística
não é apenas um momento de distração ela
é um ato pedagógico de resistência, de consciência política, de formação
crítica e de fortalecimento coletivo. Ao mesmo tempo em que exige entrega
emocional, nos ensina que aprender não se limita ao racional aprender é também sentir, elaborar,
representar, simbolizar, denunciar e anunciar.
Ao atravessar essa formação, tornei-me uma
mulher que estar aprendendo a não tem medo. Não ter medo de apresentar uma
mística, de falar diante de uma sala cheia, de atuar em uma peça de teatro ou
de expressar posicionamentos políticos quando necessário. O teatro na LEDOC não
transforma apenas a técnica; ele transforma a pessoa por completo. Ele nos
desloca, nos desafia, nos provoca e nos prepara para ocupar espaços que antes
pareciam impossíveis.
Na minha turma, Lélia Gonzalez, vejo claramente
como esses processos impactam cada estudante. O crescimento político,
psicológico, emocional e social ficou ainda mais evidente durante a sétima
Mostra Terra em Cena. Ao longo daquela semana, me permiti observar o percurso
de cada colega. Percebi olhares diferentes, posturas mais seguras, discursos
mais firmes e corpos que aprenderam a se expressar com significado.
Cada mística, cada cena de teatro, cada debate e
cada símbolo revelava transformações que, por vezes, só são perceptíveis quando
paramos para olhar com cuidado. E, naquele momento, compreendi uma das maiores
lições da LEdoC: ninguém se forma sozinho. Nós nos formamos no encontro com o
outro. Nós nos formamos um com o outro.
As experiências no audiovisual ma disciplina
Experimento em audiovisual produção e finalização. também foram marcantes e
ampliaram a minha compreensão sobre linguagem, crítica social e expressão criativa.
Nas aulas do professor Felipe Canova, trabalhamos filmagens centradas em temáticas
sobre moralidades da LEdoC, explorando como as narrativas se constroem a partir
de vivências reais, do território, do campo e das relações que estabelecemos
dentro e fora da universidade. Foi um exercício de observação, sensibilidade e
análise política, porque filmar não é apenas registrar é interpretar, escolher
o que mostrar, o que silenciar, o que enfatizar e o que denunciar.
Além disso, as oficinas oferecidas durante as
vivências intensivas demonstraram o quanto a LEdoC é inclusiva e aberta à
diversidade de saberes. As oficinas de barro, audiovisual e cerâmica
proporcionaram momentos de descanso mental, lazer e expressão artística. Elas
nos lembraram que o processo educativo também passa pelo fazer com as mãos,
pelo toque, pelo silêncio, pela criação coletiva e pela ludicidade.
Uma das experiências mais simbólicas foi a
oficina de muralismo, que possibilitou a restauração de um painel que havia
sido apagado pela própria faculdade. Esse gesto se tornou um marco ao
repintarmos o mural, afirmávamos que nossas memórias, lutas e existências não
serão apagadas. Podem tentar apagar nossa história, mas não conseguirão. Onde
houver apagamento, haverá reconstrução. Onde houver silêncio imposto, haverá
voz. Onde houver tentativa de invisibilização, haverá reafirmação.
Durante toda essa trajetória, percebo que a
formação na LEdoC é integral. Ela toca a mente, o corpo, as emoções, a política
e a coletividade. É uma formação que não separa teoria e prática, razão e
sentimento, indivíduo e comunidade. É um espaço onde aprendemos com o outro,
para o outro e pelo outro. Um lugar onde cada pessoa carrega consigo uma parte
do processo coletivo.
Estar na LEdoC é aprender que educação é luta, é
memória, é resistência e é afeto. É acreditar que um projeto de país mais justo
começa pela valorização dos povos do campo, de suas histórias e de seus modos
de vida. É reconhecer que o conhecimento se faz no território, na experiência e
no encontro.
Aimê
filmando a 7º Mostra em tarefa da disciplina Processo experimental em
audiovisual 1. Foto: Adonai.
Reconstrução
do painel apagado na reforma do alojamento, em oficina de Muralismo com os
professores Felipe e Ofélia. Foto: Aimê Fernandes
Oficina de Mística como continuação da disciplina Processo Experimental em Teatro 1 da Ledoc/UnB em Cavalcante-GO
Angela Lopes Caetano
A imagem mostra a ornamentação construída coletivamente durante a oficina, como parte das místicas elaboradas e apresentadas pelos dois grupos de educadoras. Créditos: Ângela Caetano
A experiência de realizar a oficina de mística na Escola da Terra, em Cavalcante, no 2° Encontro de Formação do Programa Escola da Terra no Núcleo Quilombola, coordenado pelas professoras Eliene Novaes e Kelci Pereira, foi para mim uma continuidade concreta e viva da disciplina Processo Experimental em Teatro 1, da LEdoC/UnB, ministrada pelo professor Rafael Villas Bôas e pela professora Simone Menezes. Embora eu já tivesse participado de várias místicas na UnB e em outros espaços, a disciplina me provocou a olhar para essa prática de modo mais cuidadoso, entendendo-a como linguagem estética, política e formativa. Com as contribuições do professor Rafael, da professora Simone e dos colegas, fui aprendendo a perceber os gestos, os objetos, o silêncio, os símbolos e os sons como elementos que produzem sentido, formando tanto quem assiste quanto quem cria.
Essas reflexões dialogaram diretamente com minha leitura do
verbete “Mística”, escrito por Ademar Bogo no “Dicionário da Educação do Campo”, que apresenta a mística como
uma prática carregada de ancestralidade, memória coletiva e projeto político. É
um espaço simbólico que convoca corpo, território, emoção e consciência, uma
prática pedagógica tão séria quanto sensível.
Pouco antes de viajar para Cavalcante, participei da 7ª
Mostra Terra em Cena e na Tela, realizada entre os dias 26 e 29 de novembro de
2025. Conforme a Mostra acontecia, surgiam em mim muitas ideias e uma
expectativa ainda maior em relação ao teatro. As cenas, os debates e os
encontros me lembraram da potência dessa linguagem para provocar reflexão,
despertar sensibilidade e transformar realidades. De certa forma, a Mostra
influenciou a maneira como pensamos e vivemos a oficina.
Em Cavalcante, decidimos, de forma pedagógica, iniciar a
oficina com uma mística preparada por nós, com o tema das discussões do
encontro sobre Educação Escolar Quilombola. Para compor a cena, convidamos
algumas colegas da própria LEdoC, pessoas próximas que já tinham alguma
vivência com místicas, e explicamos detalhadamente o que aconteceria: quais
gestos fariam, qual seria o percurso simbólico da cena e o sentido de cada
ação. A mística exige organização: ela é séria, tem intencionalidade e envolve
risco se não houver clareza entre quem a constrói. Nada nela é improvisado ao
acaso.
Uma das partes de que mais gosto na mística é justamente o
mistério que a precede. Antes mesmo de começar, cria-se uma atmosfera de
expectativa, um silêncio curioso, uma sensação de que algo essencial está para
acontecer. Esse mistério não é sobre esconder, mas sobre preparar o espírito
para entrar em outra qualidade de presença, aquela que nos conecta com a
memória, com o coletivo e com a própria luta. Ademar Bogo ajuda a compreender
essa dimensão ao afirmar que o mistério da mística está em “saber a razão
porque na luta as coisas extraordinárias acontecem” e em “por que desafiamos
todas as forças e todos os limites para que uma causa coletiva seja vitoriosa”
(BOGO, s.n.t.).
Depois da apresentação, conduzimos o jogo teatral do Teatro
do Oprimido chamado Batizado Mineiro,
que ajudou a quebrar o gelo, criar vínculo e aproximar as educadoras que
participavam da oficina. Esse momento reforçou a dimensão da relação que
atravessa tanto o teatro quanto a Educação do Campo: o encontro faz parte do
conteúdo.
Na roda de conversa que se seguiu, ouvimos as experiências
das professoras e percebemos que muitas já tiveram vivências com místicas em
algum momento. Suas leituras sensíveis da mística de abertura mostraram que
carregavam muitos saberes. Isso reafirmou algo central para nós na LEdoC:
ninguém chega vazio. Cada participante traz consigo história, território e
modos próprios de compreender o mundo.
Trouxemos algumas discussões e perguntas pontuais para
ajudar a organizar a reflexão coletiva e aprofundar a compreensão sobre a
mística. Falamos sobre o que é mística, qual é o seu papel, quais linguagens
podem compor uma mística e o que costuma ser fundamental na mesma. Essas
discussões ajudaram a ressaltar a importância da ornamentação do espaço, que
não é apenas estética, mas parte da construção de um ambiente acolhedor e
coerente com a cultura das pessoas presentes. Os objetos acionam memórias,
evocam os ancestrais, anunciam ou denunciam algo que precisa ser dito, e é essa
dimensão simbólica que sustenta a força da mística.
A criação coletiva das místicas foi um dos momentos mais
marcantes. Dividimos o grupo em duas equipes, e cada uma teve meia hora para
produzir sua cena. Mesmo com pouco tempo, as ideias surgiram com força, e a
coletividade se fez presente em cada gesto e escolha. O mais bonito foi que as duas
místicas, criadas separadamente, se complementaram: pareciam partes diferentes
de uma mesma narrativa sobre memória, luta e esperança.
Ao final da oficina, realizamos uma última roda de conversa
para ouvir as impressões das educadoras após as apresentações das místicas
criadas por elas. As avaliações foram extremamente positivas e esse momento se
tornou, para mim, um dos mais especiais. Elas se disseram satisfeitas,
emocionadas e felizes com o processo, reconhecendo nele tanto um espaço de
aprendizagem quanto de fortalecimento coletivo. Pudemos também refletir sobre a
metodologia que utilizamos: iniciamos com a vivência da mística, seguimos com o
jogo teatral para aproximar o grupo, depois aprofundamos as discussões em
círculo — ninguém à frente ou atrás, todas com o mesmo lugar de fala e escuta —
e, por fim, passamos à prática criativa em grupos, onde cada educadora teve
liberdade para experimentar e propor. Essa liberdade também envolveu as
crianças que estavam presentes, já que algumas participantes eram mães e seus
filhos acabaram integrando espontaneamente o processo, dando outra dimensão à
criação. A metodologia que adotamos reafirma o quanto nosso modo de fazer se
distancia da lógica da escola tradicional, que separa quem “ensina” de quem
“aprende” e ignora o território, a cultura, a memória e as relações.
Ao
olhar para o processo, percebi que a oficina foi a continuidade natural da
disciplina Processo Experimental em Teatro 1. O que discutimos em sala ganhou
vida no território, no encontro com as educadoras da Escola da Terra.
A oficina de mística, portanto, não foi um momento isolado: foi extensão da disciplina, reverberação da Mostra e encontro com saberes do território. E reafirmou, mais uma vez, que a mística é capaz de formar, sensibilizar e transformar, tanto quem faz quanto quem acompanha.
Reflexões que a VII Mostra Terra em Cena e na Tela me proporcionou
A 7ª Mostra do Terra em Cena me trouxe vivência e experiência além do que eu imaginei, optei por cursar a disciplina optativa “Processo experimental em Teatro 1” com o professor Rafael Litvin porque ultimamente estou pegando gosto pelo teatro, após descobrir na disciplina anterior “Pedagogia do Teatro” que o Teatro é vivo em nosso dia a dia.
Eu escolhi analisar a mística porque, em poucas cenas e gestos, ela deixou muitas das tensões que percorreram a Mostra: memória pessoal, atualidade política, técnica teatral e formação coletiva. Não foi um ato meramente ritual; foi um dispositivo pedagógico que articulou público e ator, cotidiano e espetáculo, a partir de operações simples de leitura, a disposição de objetos em cena, narração e, por isso, merece ser pensada como método formativo e como uma prática pedagógica e estética. A disciplina que abriga essa prática entende a cena como laboratório para professores em formação; ver a mística em funcionamento é, portanto, observar uma pedagogia em ato.
Vou falar um pouco de tudo o que foi pedido nas orientações da disciplina começando pela mística porque em poucas cenas e gestos podemos ver que ela conseguiu juntar muita tensão que estava presente ao longo de toda a mostra do Terra em Cena. As memórias pessoais, a política, as técnicas de teatro e o trabalho coletivo. Não foi só pra gente se divertir e bater palmas, pois uma mecanismo de pedagogia vivo que colocou lado a lado o público, os atores, o cotidiano e o espetáculo, tudo de um jeito simples, com leitura, com narrativas dos objetos apresentados e isso tem que ser pensado como um método formativo de professores e professoras. A disciplina que tem esse tipo de prática entende as cenas como um trabalho para professores que pensam em transformar a realidade das comunidades e ver a mística funcionando é observar a pedagogia em cena.
Antes de mais nada, é preciso delimitar o uso do termo. Quando falo “mística” não me refiro a algo esotérico, mas a uma sequência ritualizada de procedimentos que cria um limiar: de um lado, pessoas dispersas; do outro, um coletivo atento. Essa travessia tem efeitos tangíveis: prepara o público para escutar, desloca a distância entre palco e plateia e institui um código de relação que é ao mesmo tempo estético e ético. Ao atravessar esse limiar, entram em cena formas de convivência que, em sala de aula, podem ser ativadas para produzir escuta e participação.
A mística é uma prática comum nos assentamentos do movimento dos trabalhadores sem terra (MST) e foi levada para o nosso curso da LEdoC porque faz parte da história da nossa licenciatura, que foi um curso formado a partir de muitas lutas e que o MST participou de forma ativa na construção. Mística não tem a ver com nada de esotérico ou mágico, apesar de ter alguma magia na hora de apresentar e o que isso representa para quem está envolvido, mas são procedimentos, ensaios, intenções preparadas com a intenção de se chegar a um fim político a partir da arte, por meio do trabalho coletivo. As pessoas que assistem a mística escutam, a distância entre o palco e os espectadores fica menor, e tem uma relação direta que pode ser ao mesmo tempo considerada estética e com função ética. Quando entendemos e vivemos isso começa a entrar nas cenas a convivência, os motivos da sala de aula, a participação dos grupos, etc.
O roteiro da mística organizou esse limiar por meio de três operações complementares. A primeira foi a leitura de notícias e trechos que colocavam a atualidade no centro do gesto trazendo o macro para o espaço imediato. A segunda foi a circulação de objetos pessoais como pilão, caneta, cabaça, garrafa, o boi bumbá ,livro, mochila e pá que acionaram memórias e saberes situados. A terceira operação foi a pergunta final “e você o que você trouxe para 7° mostra”, aberta, que convocava a resposta do público e fechava o circuito tornando a experiência coletiva. Conjugadas, essas operações criaram uma ponte entre o que é público e o que é íntimo, ensinando, de modo prático, a relação entre contexto social e experiência individual.
As apresentações da mística estavam bem organizadas e cada uma completando o sentido da outra. A primeira foi uma leitura de notícias e trechos que traziam aquilo da atualidade para os gestos, trazendo o mundo todo para um espaço pequeno. A segunda foi os objetos circulando e ganhando voz.
Análises teóricas possíveis ajudam a dar contorno a essa leitura. Penso a mística na intersecção de quatro matrizes: o teatro dialético, que busca evidenciar contradições e provocar reflexão; o Teatro do Oprimido, que transforma espectador em agente; e práticas de educação popular, que colocam saberes cotidianos como fonte legítima de aprendizagem, o teatro agitprop, que busca mobilizar o público e por último o teatro cultura popular, que usa a linguagem acessível e busca estimular as reflexões e fortalecer a identidade cultural (que foi o que fizemos quando utilizamos o pilão, cabaça, pá e outros elementos que representam a cultura popular). A mística não replicou fielmente nenhuma dessas formas, mas operou em diálogo com elas: evidenciou tensões, convidou à intervenção e valorizou os saberes locais. Para a formação docente, isso implica uma demanda clara: não basta ensinar técnicas, é preciso treinar procedimentos que tornem sensível a relação entre o vivido e o pensado.
Momento de apresentação da mística (arquivo pessoal)
Momento de apresentação da mística (arquivo pessoal)