Todos os grupos teatrais verdadeiramente revolucionários devem transferir ao povo os meios de produção teatral, para que o próprio povo os utilize, à sua maneira e para os seus fins.
O TEATRO É UMA ARMA E É O POVO QUEM DEVE MANEJÁ-LA!
Augusto Boal
O Coletivo Terra em Cena é uma articulação de coletivos de teatro, audiovisual e artes visuais que atuam em comunidades da reforma agrária, quilombolas e em meio urbano. É composto por professores universitários da UnB, da UFSJ, da UFSC e da UFVMJ, da rede pública do DF, por estudantes da Licenciatura em Educação do Campo da UnB e por militantes de movimentos sociais do campo e da cidade.
O Terra em Cena se configura como Programa de Extensão da UnB, com Projetos de Extensão articulados na Faculdade UnB de Planaltina (FUP) e como grupo de pesquisa cadastrado no diretório de grupos do Cnpq.
Um dos projetos é a Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do DF (ETPVP-DF) que integra a Rede de Escolas de Teatro e Vídeo Político e Popular Nuestra America.
Esta publicação faz parte da organização de uma memória dos processos formativos mediados pela Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do Distrito Federal (ETPVP-DF), por sua rede local e regional. Nela, compartilhamos o trabalho realizado pela escola com o teatro político, com o vídeo popular e com a cultura como matriz de formação. O livro reúne visões de mundo de agentes dessa rede narrando seus processos de pesquisa, criação, produção e circulação de cenas a partir da experiência com a escola. Nesse processo, os autores abordaram a diversidade de ações e de relações que a escola criou e possibilitou até o momento. Pensamos que este material possa ser de grande valia para trabalhos no campo da cultura e da educação, com vieses em relação aos movimentos sociais nos territórios.
Faça o download da versão completa do livro no link abaixo:
Não perca! Amanhã, dia 15/06/2022, às 19:00hs, no canal do Youtube do Terra em CENA!
Lançamento da publicação do livro digital da ETPVP-DF
A publicação reúne um prefácio e dez artigos, escritos por professoras(es), estudantes e colaboradoras(es) da Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do Distrito Federal, que compartilham processos de pesquisa, criação, produção e circulação de cenas e vídeos a partir da experiência com a escola.
O livro traz subsídios para trabalhos no campo do teatro político, do vídeo popular, da cultura e da educação em relação aos movimentos sociais nos territórios.
Entre os dias 9 a 12 de junho deste ano (2022), aconteceu em Cavalcante/GO, a II Mostra Afro Cena. Trata-se de um evento gratuito, que celebra as matrizes artísticas afro-brasileiras, de modo a evidenciar a arte, a memória e a política como elementos da territorialização dos povos quilombolas, em especial do povo Kalunga, que habita a região da Chapada dos Veadeiros.
A programação contou com espetáculos teatrais, rodas de conversa, oficinas, apresentações de dança (sussa), bem como com cortejo e mostra audiovisual.
A Mostra Audiovisual "Terra em Cena/Afrocena" - ocorreu no dia 9 de junho na Praça "Diogo Telles Cavalcante" - é fruto de uma parceria entre o Programa de Pesquisa e Extensão "Terra em Cena" - ligado à Licenciatura em Educação do Campo da UnB -, com apoio da Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do PI "Cenas Camponesas" - ligada à Licenciatura em Educação do Campo da UFPI -, e as organizadoras da II Mostra Afro Cena.
No processo de curadoria compartilhada entre os parceiros, foi definida a relação Cultura-Ecossistema como eixo orientador da atividade, buscando-se evidenciar modos de vida e resistência quilombolas. Nessa perspectiva, os curadores priorizaram não apenas valorizar a produção local, selecionando filmes realizados na Chapada dos Veadeiros, mas que trazem entre seus protagonistas personalidades quilombolas da região, além de evidenciar em suas narrativas a complexidade da existência quilombola Kalunga, em suas formas de recriação de reprodução da vida, na relação com a natureza e com os bens simbólicos da tradição Kalunga.
Os filmes selecionados refletem sobre uma forma de viver a partir de uma relação íntima com o Cerrado, seja pelo partejar da vida, bem como pela maneira que se constroem moradias, mas também a partir da corporeidade rítmica e vinculadas à dança, ao toque e ao canto de memórias e tradições presentes no território.
Além disso, a curadoria foi pensada com a preocupação de enraizar a Mostra audiovisual como um processo de formação e organização do território.
Entre os filmes exibidos na Mostra Terra em Cena/AfroCena estão:
Flor de Moinho, documentário que aborda a experiência de Dona Flor, parteira e rezadeira da comunidade Moinho, situada em Alto Paraíso de Goiás (direção de Érika Bauer);
Oficina de Adobe Kalunga, vídeo protagonizado por Carlos Roberto, quilombola que revela o saber-fazer envolvido na confecção dos tijolos artesanais de adobe, muito utilizados nas moradias do povo Kalunga (produção de BlueTapeMedia);
Grupo de Sussa Flores e Frutos do Quilombo Kalunga, que versa sobre o grupo de Sussa formado por crianças e adolescentes quilombolas, que há mais de 10 anos se reune para dançar, tocar e manter vivos os rituais tradicionais o seu povo quilombola (direção de Maiana Diniz)
Após a exibição de cada filme, teve conversa mediada pelas curadoras, com a participação especial de integrantes dos Grupo de Sussa e de Carlos Roberto.
Mais informações sobre a Mostra Afro Cena podem ser obtidas em
O terceiro ano do governo de extrema direita no Brasil foi marcado pelo
agravamento de tragédias: mais de 600.000 vítimas brasileiras de covid-19,
crises ambientais, agravamento da fome... e pela sequência de tentativas
orquestradas de desmonte da democracia brasileira, algumas derrotadas, outras bem-sucedidas.
Mas, poderemos nos lembrar de 2021 e do tempo da pandemia também por ações de
solidariedade, protestos, ações de resistência, experiências virtuais de grupos
de estudo e seminários.
Imbuídos desse espírito de pensar para organizar a crítica e o combate, inúmeros encontros foram realizados para refletir marcos importantes da história recente brasileira. O centenário de Paulo Freire foi uma das efemérides mais amplamente debatidas. E os debates sobre os 90 anos que faria Augusto Boal foram fóruns que promoveram o encontro de gerações de artistas, militantes, pesquisadores, movimentos e coletivos. Relacionamos neste texto alguns desses momentos marcantes, com o intuito de contribuir para uma visão plural dessa história que segue se construindo, viva, intrigante, polêmica.
Conhecido como um dos homens de teatro mais importantes da América Latina pelo trabalho desenvolvido como diretor do Teatro de Arena e como criador do Teatro do Oprimido, a historiografia sobre Augusto Boal tem avançado amplamente nas décadas recentes, contemplando temas como: os anos de formação de Augusto Boal e a importância de sua passagem pelos Estados Unidos, cuja principal obra é a dissertação “Teatro do Oprimido: uma construção periférica-épica” (2015) de Geo Britto, um dos curingas do Centro do Teatro do Oprimido; a dimensão de Boal dramaturgo e a amplitude de sua obra, cujo marco de virada na historiografia é o livro “A hora do teatro épico no Brasil”, de Iná Camargo Costa, publicado em 1996 e, posteriormente, em 2016, pela editora Expressão Popular; as relações do Teatro de Arena com os movimentos de cultura popular dos anos 1960; a relação entre a Pedagogia do Oprimido e o Teatro do Oprimido, ; o papel de Boal e companheiros como Vianinha e Guarnieri, no debate político e cultural, como agitadores e propagandistas.
Augusto Boal foi um homem do fazer coletivo, um homem de movimentos, de grupos, de partido. Sua ampla atuação não deve desconsiderar esse registro fundamental: vivendo sobretudo em contexto de resistência contra derrotas políticas, como os golpes na América Latina, Boal procurou sempre articular dialeticamente as esferas da cultura, da política e da educação.
Dessa forma, por exemplo, aprendeu a questão do racismo como um dado constituinte da exploração de classe quando a esquerda partidária não conferia relevância estrutural ao tema. Certamente a proximidade com Abdias do Nascimento e o Teatro Experimental do Negro colaboraram para essa argúcia do olhar.
A 9ª edição das Jornadas Internacionais de Teatro do Oprimido e Universidade, em 2021, promoveu amplo debate sobre os legados de Paulo Freire e Augusto Boal, com o tema “Esperançar, recriar e (RE)existir: pedagogias do sul na (re) construção das práticas de liberdade”, mobilizando pesquisadores e curingas de diversas universidade brasileiras e de diversos coletivos. Além disso, um grupo de professores ligados às jornadas e ao grupo de estudos em Teatro do Oprimido (GESTO) deu a partida, neste ano, à criação de um Observatório de Teatro do Oprimido nas universidades, para saber em que universidades, em quais áreas, quem e como trabalham com o Teatro do Oprimido, em todas as regiões do país.
A Rede de Escolas de Teatro e Vídeo Político Popular Nuestra América promoveu emblemático debate reunindo numa mesa as contribuições de Carlos Brandão (Unicamp), a teatróloga peruana Alicia Saco – que trabalhou com Augusto Boal na importante experiência do projeto Alfabetização Integral (Alfin) – e a militante Lizandra Guedes, do MST do Maranhão, que abordou a experiência da recente Jornada de Alfabetização que trabalhou com a metodologia freiriana dos círculos de cultura.
Em 2021 também foi comemorada as duas décadas de existência da Brigada Nacional de Teatro do MST Patativa do Assaré, resultante de parceria entre Augusto Boal e o Centro do Teatro do Oprimido com o MST. Por meio de textos, um vídeo e uma edição do programa Cantoria de Varanda a data foi comemorada.
Vale destacar a importância que recentes grupos de pesquisa criados por uma nova geração de pesquisadores, artistas e professores tem cumprido no âmbito da pesquisa da história do teatro político, proporcionando para estudantes, professores, coletivos e movimentos novas perspectivas de abordagem sobre temas e experiências que, por décadas, foram registrados por meio de estigmas e estereótipos pejorativos, ou eram ignorados dentro de espaços de formação estética e teatral.
É o caso do grupo Núcleo de Estudos em Teatro Político (Netep) e do grupo de pesquisa História, Política e Cena da UFSJ, que em 2021 realizaram seminário para discutir a história do teatro engajado e abordaram as relações de causalidade entre o teatro de agitação e propaganda (agitprop), o teatro épico dialético e as formas do Teatro do Oprimido.
Em outra frente, o grupo de estudos em Teatro Político (Getepol) da Universidade de São Paulo promoveu o encontro de fôlego “Atos em construção: encontros em comemoração aos 90 anos de Augusto Boal” com inúmeras mesas avaliando diversas dimensões da atuação de Augusto Boal.
No âmbito da pesquisa cabe destacar a chegada, em 2021, da tese de doutorado de Cláudia Pegini, pela Universidade Estadual de Maringá: “A urgência de 1968 nos estilhaços estéticos da I Feira Paulista de Opinião: espaço de criação coletiva e de desobediência estética e civil”, que traça relevante análise estética de conjunto da Feira Paulista de Opinião, destacando um feito organizado por Augusto Boal que marcou o ano de 1968 como um forte gesto de desobediência civil e agitação e propaganda do movimento artístico contra a ditadura, a repressão e a censura. O material se beneficiou da emblemática publicação sobre a 1ª Feira Paulista de Opinião (2015) resultante do trabalho do grupo de pesquisa Laboratório de Investigação Teatro e Sociedade, coordenado por Sérgio de Carvalho (USP).
O Instituto Augusto Boal, sob o comando de Cecília Thumin Boal, segue incansável instigando a inconformidade com o fascismo, a resistência e o debate. Um exemplo foi o curso de extensão Teatro e Política, Brasil e Argentina organizado em parceria com o laboratório Drama em Cena (UFRJ), o grupo de pesquisa Terra em Cena (UnB) e com a revista Teatro Situado.
Augusto Boal não venceu todas as batalhas que lutou, pelo contrário, mais resistiu ao arbítrio e a força que logrou vitórias. Todavia, se destacou pela resiliência, pela maneira como liderou gerações de artistas militantes em tempos históricos complexos, pela perspicácia como soube evitar a consagração pela via da Indústria Cultural.
No início do neoliberalismo tentou fazer política por meio do teatro legislativo, de modo coletivo e evitando o personalismo característico do marketing político. Buscou parcerias horizontais com movimentos urbanos e do campo, não como público para suas apresentações mas como parceiros estratégicos, com quem se aprende e ensina, se traçam planos de transformação da realidade.
Em tempos de ascensão do fascismo, da hegemonia da cultura totalitária de mercado, o trabalho que Boal desenvolveu por décadas, em coletivos, movimentos, por meio da sistematização de métodos e formas organizadas na proposta do Teatro do Oprimido, por meio de sua expressiva dramaturgia épica e dialética, segue nos convidando a aprender com ele.
Para saber mais:
Debate “Cultura Popular: diálogos entre Freire e Boal” da Rede Nuestra América, disponível no link:
• Ao centenário de Paulo Freire e os 90 anos Augusto Boal •
❗O presente evento propõe-se como um espaço de trocas de reflexões sobre a dimensão da cultura de Paulo Freire e Augusto Boal, ambos com uma trajetória marcante no Movimento de Cultura Popular (MCP) e Centros Populares de Cultura.
Serão abordados: exílio no Peru, as contribuições no Programa de Alfabetização Integral (ALFIN), suas formulações sobre a cultura popular e a experiência contemporânea da Jornada de Alfabetização do Maranhão, realizada pelo MST, focando os trabalhos com os círculos de cultura.
Há duas décadas uma aliança entre Augusto Boal e o Centro do Teatro do Oprimido (CTO-RJ) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) recoloca no curso da história um elo que foi rompido pela ditadura de 21 anos iniciada em 1964. Movimentos de trabalhadores e movimentos estudantis e artísticos se encontravam quando a ditadura destruiu os movimentos de educação, cultura e comunicação popular que construíam alternativas radicais para a democracia brasileira, que passavam pelas reformas de base e a socialização dos meios de produção da terra, da cultura, do conhecimento. Em 2001 CTO e MST reativam em escala nacional a dinâmica daquela engrenagem e o resultado, além de amplo é diversificado. Uma das mudas encontra solo fértil na Educação do Campo. O Coletivo Terra em Cena dispõe nessa sessão alguns links de artigos e vídeos que abordam elementos dessa história, produzidos por integrantes do grupo e também por militantes e pesquisadores e pesquisadoras do MST.
Seguem os links:
1) Os dois volumes do livro "Teatro e Transformação Social" da Brigada de Teatro do MST.
Eliene Rocha; Rafael Litvin Villas Bôas; Paola Masiero Pereira e Rayssa Aguiar Borges (organizadores) Residência agrária da UNB: teatro político, formação e organização social, avanços, limites e desafios da experiência dos anos de 1960 ao tempo presente https://drive.google.com/file/d/1CiFG0OtGTT3Hl3vCw726rmpqYB8_4B-L/view
No dia 05/11/2021 das 16h às 18h com a participação de Carlos Brandão (UNICAMP), Alícia Saco (Peru) e Lizandra Guedes (MST).
Neste ano celebramos o centenário de Paulo Freire e os 90 anos Augusto Boal, duas personalidades de extrema importância para a cultura popular em nosso continente. O presente evento propõe-se como um espaço de trocas de reflexões sobre a dimensão da cultura nos de Paulo Freire e Augusto Boal, ambos com uma trajetória marcante no Movimento de Cultura Popular (MCP) e Centros Populares de Cultura. Veremos como no exílio no Perú, quando os dois contribuíram no Programa de Alfabetização Integral (ALFIN), eles aprofundaram ainda mais suas formulações sobre a cultura popular. Será abordada também a experiência contemporânea da Jornada de Alfabetização do Maranhão, realizada pelo MST, focando os trabalhos com os círculos de cultura.
Como se indignar contra a desigualdade, contra a fome, contra o autoritarismo, a criminalização da luta popular, quando a indústria cultural produz em larga escala padrões de naturalização da barbárie e da violência? Como combater quando a concentração dos meios de produção e divulgação suprime a possibilidade da representação da classe trabalhadora por si mesma, representando seus dilemas, e propondo soluções para eles? Historicamente, o combate desigual no âmbito da produção dos bens simbólicos estimulou o desenvolvimento de formas de luta contra-hegemônicas pelos coletivos da classe trabalhadora. Esse fenômeno continua existindo e a Brigada de agitprop do MST Carlos Marighella é expressão desse fenômeno. As intervenções da Brigada tomam a matéria de nosso tempo histórico como pauta e os recursos técnicos e estéticos empregados procuram meios de incidir no debate político, a partir da representação do ponto de vista dos debaixo, do preço da comida e do combustível que extrapola as condições de sobrevivência, da fome, do desemprego, da indignação contra a manipulação e violência de nossa elite rentista e entreguista. Temos nos vídeos aqui reunidos bom exemplo de como resistem e se adaptam ao nosso tempo as formas de agitação e propaganda.
Reunião geral do Terra em Cena no dia 21/10 de 10 às 12h: Participem!
No dia 21 de outubro, de 10 às 12h, vamos fazer uma reunião ampliada do Terra em Cena, com os membros ativos no grupo e também com abertura para pessoas que querem se aproximar e integrar nossas ações de extensão e ou pesquisa.
Será uma oportunidade para sabermos como estão os coletivos nos territórios, se estão conseguindo retomar as atividades com o avanço da vacinação, e também para conhecermos os temas das pesquisas que estão sendo produzidas por integrantes do coletivo na iniciação científica, nos TCCs, no mestrado, doutorado, e outras pesquisas.
Vamos falar também dos grupos de estudo do Terra em Cena, da nossa relação com a Escola de Teatro Político e Vieo Popular do DF e demais escolas da Rede Nuestra América, de nosso sistema de comunicação (blog, grupos de whatsapp e e-mail) e do planejamento de 2022.
Contamos com a participação de todas, todos, todes de nossos coletivos. Queremos ampliar nossa rede e planejar o que faremos no ano de 2022, como por exemplo, a V Mostra Terra em Cena e na Tela.
Endereço para acessar o encontro:
Link da videochamada: https://meet.google.com/zvm-cyaz-yrs
Ou disque: (US) +1 615-933-5989 PIN: 973 798 389#
Fortes abraços da coordenação operativa do Terra em Cena!
Compartilhamos a entrevista com Julia Iara, militante do Coletivo Nacional de Cultura do MST e integrante da direção estadual do MST do Maranhão, realizada por Simone Menezes da Rosa, Kamilla Torres Quintanilia Cunha, Rafael Litvin Villas Bôas e Anne Caroline Ramos Tavares sobre a experiência da Jornada de Alfabetização do MST/Maranhão. Um movimento grandioso e bonito que alfabetizou 20.000 pessoas de 15 municípios distintos em 2 anos, articulando a experiência cubana do “Sim, eu posso!” com a pedagogia sistematizada por Paulo Freire.
A Escola de Teatro Político e Vídeo Popular (ETPVP) de Brasília tem como objetivo
fortalecer o processo de formação teatral e audiovisual, por meio da socialização dos
meios de produção das linguagens, visando a democratização da capacidade de produção
de bens simbólicos para movimentos e organizações da sociedade civil. O projeto da
Escola de Teatro Político e Vídeo Popular de Brasília é inspirado na experiência em
andamento da Escola de Teatro Político ligada ao Movimento Popular La Dignidad
(MPLD), e pretende incorporar a experiência metodológica dos cursos de formação dos
movimentos sociais do campo brasileiros, no âmbito das articulações das esferas da
cultura, política e comunicação. O grupo proponente é o coletivo Terra em Cena, um
grupo formado por professores, estudantes, pesquisadores e militantes de movimentos
sociais, sediado na Faculdade UnB Planaltina.
A ETPVP, como Projeto de Extensão, foi contemplada com duas bolsas do Edital de
Extensão PIBEX 2021. Para participar da seleção, siga as instruções clicando nesse link: http://fup.unb.br/wp-content/uploads/2021/04/Sele%C3%A7%C3%A3o-P%C3%BAblica_Pibex-2021_ETPVP.pdf
Para conhecer os outros Editais do Programa Institucional de Bolsas de Extensão – PIBEX, clique aqui!
Regina Coelly Fernandes Saraiva, Juliana Rochet Wirth Chaibub Paulino, Simone Menezes Rosa
Resumo: Este relato de experiência
tem como objetivo registrar a oficina Educação Patrimonial realizada na Escola
Parque da Natureza de Brazlândia (EPNBraz), como parte das atividades do
Programa de Extensão “Diálogos Universidade-Escola” da Faculdade UnB Planaltina
(FUP/UnB). O objetivo do Programa de Extensão é refletir, debater e experenciar
a relação entre universidade-escola, numa perspectiva metodológica
participativa e dialógica, a partir da parceria entre a Universidade de
Brasília e a Escola Parque da Natureza de Brazlândia. A ação busca
horizontalizar as interfaces entre os espaços oficiais de formação e as
práticas aprendidas e desenvolvidas no viver cotidiano da docência mediante a
aproximação entre teoria-prática e o diálogo de saberes. A oficina, que
integrou o segundo Ciclo de Formação Continuada de Professores(as), realizado
entre docentes de ambas as instituições, foi uma experiência profunda e enriquecedora
ocorrida numa tarde chuvosa no mês de novembro de 2019, na sede da Escola. Ao
longo deste relato, esperamos traduzir essa magia que percebemos naquele
momento compartilhado com quinze professores e professoras, apresentando
algumas estratégias de ensino-aprendizagem utilizadas durante o encontro com
foco na educação patrimonial.
Resumo: O presente artigo é
resultado da pesquisa de mestrado realizada entre 2016 e 2018, cujo título é “Escola
Parque da Natureza de Brazlândia: Utopias educacionais” (ROSA, 2018). Este
recorte discorre sobre as experiências na Escola Parque da Natureza de Brazlândia
(EPNBraz), com enfoque na Educação Ambiental e Patrimonial, campos
epistemológicos principais da escola, assim como Arte (em suas diversas
linguagens) e Educação Física A EPNBraz foi inaugurada em 2014, Em 2019 atende,
aproximadamente, 960 estudantes da Educação Infantil ao 5° ano do Ensino Fundamental,
vinculados à Educação Integral, de oito unidades escolares de Brazlândia. O
objetivo é, diante do contexto apresentado, realizar uma análise teórica da
relação entre os campos da Educação Ambiental e Patrimonial, e propor formas de
articulação entre ambos. A partir disso, levantar questões pungentes à práxis
pedagógica da escola, como a relação com a corporeidade e a estrutura de
processo e produto pedagógico.
Há dois artigos de integrantes do Terra em Cena no livro:
"Formas de uso da leitura dramática na experiência do Terra em Cena", em que analisamos as experiências do coletivo com a leitura dramática em ensaios, laboratórios, intervenções e encenações das peças Juiz de Paz na Roça de Martins Pena, Mutirão em Novo Sol, de Nelson Xavier, Augusto Boal, entre outros autores, o trabalho com peças do coletivo Blusa Azul (URSS), e com as peças encenadas pelo elenco da Escola de Teatro Político e Vídeo Popular (ETPVP-DF) O líder, de Lauro César Muniz, escrita para a Feira Paulista de Opinião e Scottsboro, do coletivo alemão Proletbuhne, essa também encenada pelo coletivo quilombola Kalunga VSLT, de Cavalcante (GO).
"Chá de cartas: a leitura cênica de epístolas autobiográficas" de Rayssa Aguiar Borges, trabalho fruto da tese de doutorado ""Chá de cartas: memórias de estudantes da EJA em cena" (UnB, 2019), da professora e pesquisadora.
No conjunto de artigos que integram o livro há diversas experiências de trabalho com a leitura dramática como método, técnica e forma de encenação, que vale a pena a leitura, sobretudo, por ampliar o universo de possibilidades para o trabalho com o texto teatral e literário em sala de aula, nas escolas, e no trabalho com coletivos em comunidades do campo e da cidade.
O livro "Encenar a leitura: relações cênico midiáticas" é organizado pelos professores André Luis Gomes e Maria da Glória Magalhães Reis, do Poslit da UnB.
Seminário I - Narrativas
insurgentes: Releituras à contrapelo do Brasil por coletivos de teatro e cinema
contemporâneos.
Dia 01 de setembro de 2020, terça-feira, das 10 às 12h.
Conversa com a professora e
diretora do Coletivo Fuzuê, Carina Guimarães (UFSJ).
Receberemos a professora Carina
Guimarães, professora dos Cursos de Graduação em Teatro (Bacharelado e
Licenciatura) e atual coordenadora do Programa da Pós-Graduação em Artes
Cênicas PPGAC-UFSJ da Universidade Federal de São João Del Rei – UFSJ, vice-líder do Grupo de Pesquisa (CNPq) em
História, Política e Cena-UFSJ e pesquisadora do Grupo de Pesquisas em Artes
Cênicas – UFSJ e Grupo de Estudos em Dramaturgia Letra e Ato – UNICAMP. Carina
Guimarães é diretora do coletivo Fuzuê. Conversaremos com ela e parte do elenco
sobre a experiência de produção e circulação do grupo, as influências estéticas
e políticas que balizam as montagens do grupo "Fuzuê" e
"Confere" como o teatro político de Erwin Piscator, o teatro
dialético de Bertolt Brecht, concepções estéticas de manifestações da cultura
popular brasileira, a filosofia da história de Walter Benjamin e a história de
lutas e resistências populares brasileiras.
O sétimo encontro do Seminário Virtual da Rede de Escolas de Teatro e Vídeo Político Popular Nuestra América acontecerá dia 29/07/2020, quarta-feira, das 17h às 18h30.
Observação: Fernanda compartilha a tese completa e sugere a leitura prioritária o capítulo 3, especialmente a introdução do capítulo (pags 81 - 89) e os subcapítulos 3.1 (pags 89 - 99) e 3.3 (pags 104 - 111).
Segue o link da transmissão do encontro no YouTube: