Composição do Terra em Cena

O Coletivo Terra em Cena é uma articulação de coletivos de teatro, audiovisual e artes visuais que atuam em comunidades da reforma agrária, quilombolas e em meio urbano. É composto por professores universitários da UnB, da UFSJ, da UFSC e da UFVMJ, da rede pública do DF, por estudantes da Licenciatura em Educação do Campo da UnB e por militantes de movimentos sociais do campo e da cidade. O Terra em Cena se configura como Programa de Extensão da UnB, com Projetos de Extensão articulados na Faculdade UnB de Planaltina (FUP) e como grupo de pesquisa cadastrado no diretório de grupos do Cnpq. Um dos projetos é a Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do DF (ETPVP-DF) que integra a Rede de Escolas de Teatro e Vídeo Político e Popular Nuestra America.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Reflexões de estudantes da LEdoC sobre a VII Mostra Terra em Cena e na Tela

 A 7ª Mostra Terra em Cena e na Tela aconteceu entre 26 e 29 de novembro de 2025 e integrou atividades de ensino, pesquisa e extensão. 

Uma das disciplinas envolvidas no processo organizativo e formativo do evento foi Processo Experimental em Teatro 1, ministrada pelo professor Rafael Villas Bôas e pela doutoranda do PPGCÊN Simone Menezes da Rosa (cursando Prática Docente). A turma se encarregou da construção, ensaio e apresentação da mística de abertura, realizada no dia 27 de manhã, e participou dos diversos momentos formativos que a mostra proporcionou. Publicamos a seguir alguns dos trabalhos escritos por educandos da disciplina, refletindo sobre diversos aspectos da atividade: 

Quando o Teatro Educa: Impressões de uma Estudante na 7ª Mostra do Terra em Cena
Ana Karine Soares Jordão 

A 7ª Mostra do Terra em Cena, para mim, estudante de Matemática, foi uma experiência diferente do que estou acostumada. Optei por pegar a matéria optativa para conhecer as outras áreas de habilitações do curso de Licenciatura em Educação do Campo (FUP/UnB) e vivenciar outros mundos, e obtive essas vivências principalmente por meio das peças teatrais do primeiro e penúltimo dia da 7ª Mostra.

A primeira peça foi apresentada no sarau de abertura da 7ª Mostra, com uma pauta fortíssima, de dar arrepios mesmo! A peça inicia contando a história de uma moça que há pouco tempo abriu o seu bar, em uma zona urbana, e tendo como ajuda só seu filho para manter o local.

Corta para uma cena do tecladista que trabalha nesse mesmo bar, chegando e interagindo com a dona, estabelecendo acordos. Depois chega um casal no ambiente, com interesse principal de só beber e socializar, até o momento em que a mulher quer levantar e dançar, já que havia bebido um pouco mais da conta; e, após isso, seu companheiro acha ruim a forma como ela dança e se expressa, acreditando que aquilo tudo era para seduzir o tecladista que ali está trabalhando.

Por fim, vemos a tragédia que um ciúme obsessivo causa a uma mulher. Trouxe essa peça como análise por abordar um tema central: violência contra mulheres ou feminicídio, em que mulheres no Brasil morrem ou são abusadas, tanto física quanto mentalmente, todos os dias e a qualquer momento, pelos seus parceiros ou familiares. A importância dessa peça ser apresentada em um ambiente escolar ou universitário como ferramenta de ensino e conscientização para a população é de extrema necessidade.

A segunda peça, que me encantei, também vem com um tema polêmico e necessário. A peça de Teatro Fórum “Padrão”, do grupo estreiante Encena Kalunga, de Cavalcante (GO), formado por estudantes quilombolas da LEdoC, que apresentou para a gente um retrato de uma escola militar tratando seus estudantes com diferença de classe e preconceito.

Vemos uma moça negra que sofre discriminação por conta do penteado do seu cabelo crespo, por parte da diretora da escola onde estuda. A reação da estudante foi de injustiça, raiva e choro, enquanto a plateia estava revoltadíssima com a postura da diretora e dos dois estudantes que apoiavam o comportamento da autoridade da escola.

A plateia interagiu muito com a peça, e houve até uma participação na cena final, como parte da dinâmica do Teatro Fórum, uma técnica do Teatro do Oprimido, com uma pessoa da plateia trazendo outra visão e forma de como ela reagiria no lugar da estudante que sofreu preconceito da diretora. Uma outra reação, com pulso mais firme, exigindo respeito da diretora e da estudante, porém com um ar de barraco, e, com isso, a plateia discordou dela, achando que ela poderia usar outro tom e outra abordagem para se defender. Porém, eu entendi que esse coletivo ainda está na construção dessa peça e, por isso, as novas ideias serão incorporadas.

Por fim, foram muito boas as ideias de tema, a criação e a construção das cenas e falas, todas bem claras, construtivas e didáticas, nos ensinando que nossos direitos estão garantidos por lei, porém, nem sempre elas serão suficientes para o combate à violência escolar e à violência contra nós, mulheres. 

Fotos da autora.

O processo de construção e execução da mística

Luana de Menezes Bonfim

Construir a mística foi uma experiência que me fez enxergar que o processo é tão importante quanto o resultado. No começo, estávamos todos confusos, sem ideia clara do que fazer. E, olhando agora, percebo que esse momento de incerteza foi essencial: foi nele que aprendemos a confiar uns nos outros, a aceitar que o coletivo não nasce pronto e que a construção compartilhada acontece justamente no meio do caos, das dúvidas e das tentativas que dão errado antes de dar certo.

À medida que fomos reunindo as ideias, percebi como cada detalhe tinha valor, até as sugestões que pareciam pequenas demais, ou até meio sem sentido no começo, acabavam abrindo caminhos novos. O professor nos apresentou técnicas e possibilidades, mas o que realmente deu vida à mística foi a nossa capacidade de transformar nossas próprias vivências em algo comum. Isso ficou ainda mais claro quando cada um trouxe seu objeto, e o mais interessante é que a partir dali todas iam falando sua história e o restante escutava com muita atenção, no final percebi que criamos uma boa lembrança das nossas vidas. Foi naquele espaço que eu entendi, de verdade, que cada pessoa traz um mundo dentro de si.

Ouvir as histórias por trás de cada objeto foi como montar um quebra-cabeça humano: cada peça era diferente, mas todas se completavam. De repente, aquilo deixou de ser apenas um trabalho de sala e virou um espaço de troca, de reconhecimento e até de cuidado. Descobri que, quando compartilhamos nossas memórias, estamos na verdade oferecendo um pedaço da nossa identidade, e isso só acontece quando existe confiança.

Os jogos que fizemos, como o da bola, não foram só para “descontrair”; eles ajudaram a criar uma sintonia que nem sempre percebemos conscientemente. A mística começou a nascer ali, nos gestos espontâneos, nas risadas, nos silêncios e na tentativa de encontrar um ritmo que fosse de todo mundo, não só de um ou dois.

Nos ensaios, especialmente no geral, percebi como cada ideia finalmente começava a fazer sentido. Era como se a mística estivesse nos ensinando: que tudo tem seu tempo, que nada se constrói sozinho e que, mesmo quando parece que não vai dar certo, a união acaba encontrando um caminho. No auditório, vendo tudo se encaixar, senti que a mística não era apenas uma atividade, ela era o reflexo da nossa convivência, da nossa escuta e da nossa capacidade de criar juntos.

A forma final ficou simples, mas carregada de significado: as notícias que lemos no início, notícias atuais que estavam acontecendo no mundo, as histórias do que aquele objeto representava para nós, a música no final da apresentação, a pergunta que lançamos ao final de cada história… tudo isso fez com que a mística deixasse de ser um ato e se tornasse uma experiência. Era como se estivéssemos convidando as pessoas não só a assistirem, mas a refletirem com a gente: “E você, o que trouxe para a 7ª mostra?”, no fundo, é uma pergunta sobre presença, sobre sentido e sobre o que cada um carrega em sua própria vida.

Hoje, olhando para trás, percebo que a mística me ensinou algo muito maior do que eu imaginava. Ela me mostrou que o coletivo não é só juntar pessoas; é construir um espaço onde cada um se sente parte, onde cada ideia tem lugar e onde cada história importa. Aprendi que a verdadeira força de um grupo está na disposição de ouvir, de acolher e de permitir que o outro também transforme a gente.

A sensação de ver tudo pronto foi incrível, mas o que ficou de verdade foi o aprendizado: a mística é um exercício de sensibilidade, de humanidade e de entendimento de que, quando caminhamos juntos, criamos algo que ninguém conseguiria construir sozinho. E talvez seja esse o maior significado de tudo.

Construção da Mística

                   

                                          Apresentando os objetos

Ensaio geral no auditório

Apresentação final da mística no auditório 

Apresentação final da mística no auditório

 


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Revista Mosaico com o Dossiê "Dossiê Arte, Cultura e Reforma Agrária Popular"

 No volume 21 da Revista Mosaico (2025) estão reunidos artigos que tratam da relação entre cultura e reforma agrária. Neles foram publicados dois trabalhados de pesquisadores/as do coletivo Terra em Cena. Confira pelo seguinte endereço:

https://periodicos.unespar.edu.br/mosaico/issue/view/468




sábado, 27 de setembro de 2025

Salve a data! A VII Mostra Terra em Cena e na Tela, vem aí!


Se preparem, entre os dias 26 e 29 de novembro de 2025, a Mostra Terra em Cena e na Tela estará de volta na Faculdade UnB de Planaltina (FUP/UnB).

Estamos em comemoração! E nesta ocasião, acontecerá, também, o Seminário de Pesquisa dos 15 anos do Coletivo Terra em Cena. 

Em breve, divulgaremos toda a programação!  

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Por uma política cultural do campo no Brasil

 Há dez anos, realizei uma pesquisa de mestrado no Programa de Estudos Culturais da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP partindo de uma pergunta simples, mas estruturante, que buscou verificar se existiam políticas públicas para a cultura do campo no Brasil.

A resposta foi que não havia uma política sistemática voltada para a cultura do campo. Apesar da pesquisa identificar ações e programas de outra natureza que podiam contribuir com o desenvolvimento cultural das populações campesinas, havia o predomínio de recursos federais voltados para leis de incentivo à cultura — mecanismos estruturados em uma lógica neoliberal, voltada aos interesses do mercado e distante da realidade das populações camponesas. Até mesmo o Programa Cultura Viva, reconhecido por seu caráter comunitário e democrático, só em 2014 começou a mapear pontos de cultura ligados ao meio rural, e naquele momento, eles representavam menos de 3% do total.

Uma década depois: o que mudou?

Foi revigorante e inspirador ter vivenciado recentemente o Seminário Nacional “Por uma cultura popular do campo”, realizado em Brasília, de 19 a 21 de agosto de 2025. O encontro reuniu artistas, educadores, professores universitários e trabalhadores da cultura, interessados diretos no assunto do fortalecimento da cultura do campo. 

Apesar das expectativas criadas em torno de marcos legais como a PNAB – Política Nacional Aldir Blanc e o próprio Programa Cultura Viva, os recursos públicos ainda não estão chegando à ponta, para quem mais precisa. As falas de artistas e agentes culturais do campo evidenciam uma gestão pública excludente, marcada por excessiva editalização, com regras, burocracias e competições que uniformizam projetos e afastam sujeitos cujas práticas se enraízam em outros tempos, modos de vida e linguagens.

Em vez de apoiar, a ação do Estado tem frequentemente inviabilizado a participação desses agentes, que carregam consigo saberes ancestrais, comunitários e populares fundamentais para a vida cultural brasileira.

Caminhos possíveis

Depois de anos de ataques e destruição das políticas culturais brasileiras pelos governos golpistas e de extrema direita de Temer e Bolsonaro, atualmente vivemos um momento de reconstrução do contexto democrático político cultural nacional que precisa dar respostas urgentes e concretas para a população do campo.

Experiências como a do Seminário “Por uma cultura popular do campo” demonstram a potência de construir políticas a partir do encontro, da escuta e da produção coletiva de conhecimentos voltados para melhorar a realidade cultural de pessoas que lidam diariamente com a terra, as águas, as agroflorestas e a soberania alimentar.

A pergunta que fica pulsante desse processo é: como desenvolver um ecossistema cultural do campo no Brasil? 

Acredito que as respostas passam por:

  1. Ter base em pesquisas e dados – faltam informações atualizadas sobre a vida cultural das populações campesinas. Sem diagnóstico, não há política pública consistente.

  2. Formações continuadas – faltam formações continuadas que garantam que as populações do campo tenham acesso a direitos e conhecimentos para atuar em todas as etapas da cadeia cultural.

  3. Intersetorialidade – os programas precisam articular cultura com educação, agroecologia, meio ambiente, direitos humanos e comunicação.

  4. Ações de dentro para fora – as soluções não podem reproduzir a lógica colonial de imposição externa; devem emergir das próprias práticas, experiências e saberes dos agentes culturais do campo.

  5. Enfrentamento às guerras culturais – o campo é espaço de disputa simbólica desigual, onde os meios de comunicação de massa propagam cotidianamente a imagem hegemônica do agronegócio como “tec, pop, tudo”. Essa invasão cultural mina valores, subjetividades e alternativas de mundo.

Desse processo, fica também o entendimento de que o Brasil precisa com urgência de uma política cultural do campo que seja de fato de amplitude nacional, intersetorial e baseada em evidências, com ações concretas para a melhoria de vida e de trabalho cultural das populações do campo. 

Por mais pesquisas, dados e diagnósticos.
Por mais encontros, alianças e formações continuadas.
Por políticas públicas que nasçam da prática e da realidade da vida cotidiana no campo.

Só assim será possível cultivar um ecossistema cultural do campo justo, diverso e emancipador.


Por Viviane Cristina Pinto

Pesquisadora, educadora e gestora cultural

Coletivo Terra em Cena

Arte do seminário, feita pelo Anderson Augusto, da Brigada Candido Portinari de artes plásticas do MST.






quinta-feira, 12 de junho de 2025

Protocolo sobre o Café com MST em 10 de junho de 2025

 Certa feita ouvi um dos companheiros da Rede Nuestra America, Douglas Estevam, que também é integrante da Brigada Nacional de Teatro do MST Patativa do Assaré, falar que a Mística para o MST não se restringe a um momento. É um termo que se aplica às formas de socialização que congregam os espaços, a cultura que se estabelece. Citou alguns exemplos: “Dizemos que um determinado assentamento tem uma mística assim, pela maneira como recebe as pessoas, como os espaços estão dispostos (...)”.

Nesse sentido a Mística seria um também um termo relacional. Além de uma ação, ao talvez, pelo conjunto dessas ações forma uma Mística que dá o tom das organizações.

Estou rememorando essa fala desde dia 10 de junho de 2025, em que o MST convidou a Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto Federal de Brasília (IFB), parceiros na luta pela reforma agrária, para conhecer a nova sede do escritório nacional em Brasília.

Localizado no espaço central do Distrito Federal o escritório rompe com a ideia formal de um espaço frio, burocrático e, até mesmo, asséptico do ponto de vista estético. Este seria a ideia geral que me vem à mente quando penso em um escritório. O que conheci no tour pelo escritório do MST foram, além de salas de recepção, reuniões e projetos, um espaço que conta também com uma sala de convivência, mas não confunda com a lógica neoliberal em que a ideia de salas desse tipo para trabalhadores é recheada de jogos para lubridiar as horas de trabalho alienadas e aumentar a produtividade. O que vemos ali é um espaço que tanto possibilita um descanso para os/as trabalhadores/as que ali estão, como pode, por exemplo, receber os filhos/as destes trabalhadores/as, como foi o caso de ontem, considerando a Greve dos Professores que acontece, em paralelo, neste momento, nas escolas do Distrito Federal.

Não para por aí. O novo espaço também organizou uma cozinha e um refeitório. Nada mais coerente, penso eu. Um movimento social que luta pela soberania alimentar garante a seus/suas trabalhadores/as um alimento limpo de venenos e ultra processados. Para além disso, garantir a possibilidade da comensalidade é sem dúvida o primeiro passo para gente se organizar. Não à toa, fomos convidas/os para um... Café com o MST. A recepção que o movimento nos oferece é antes de tudo uma mesa farta, além de, claro, sorrisos e abraços.

O clima amistoso segue com a Mística, formalmente dita. Não causa estranhamento que quem puxa a cantoria com palmas e violão é um dos advogados do MST. A gravata não inibe o companheiro de cantar e tocar. E aqui preciso falar que eu, que venho do chão de escola pública, mesmo não sendo uma militante orgânica do Movimento já me sinto à vontade naquele espaço. Para mim era como se estivesse na minha escola e não em um escritório.

A companheira que coordenou a reunião não só nos brindou com sorrisos como declamou poesia no entremeio da explanação das pautas. Mas alerta: “O café não é à toa, nós estamos aqui para dividir tarefas também”. E em seguida alivia: “Mas nada que o sujeito coletivo não dê conta”. E a palavra corre aberta entre a plenária composta por dois ex-reitores, professores/as da UnB e IFB, militantes do Movimento, estudantes da Universidade, ADUnB e a atual reitora da UnB.

O que fica latente nas falas é que a articulação entre MST e UnB é uma construção longeva que gera frutos, inflexiona movimentos em direção à luta por justiça social e que pode incidir ainda mais, mesmo com a conjuntura desafiadora e que impõe a emergência da organização da classe trabalhadora, a partir de movimentos internacionalizados, como o da tarde de ontem.

 No plano de fundo das pautas objetivas, o que encontros como o de ontem coloca é a dimensão de outra cultura política, onde o trabalho e a alegria coexistem na medida em que as tarefas, por mais que sejam complexas, não são esvaziadas de sentido político e social. É a dimensão do trabalho não alienado que a Mística, no sentido mais integral, parece se fazer no escritório nacional do MST, no Distrito Federal.

Simone Rosa

12 de junho de 2025



sexta-feira, 6 de junho de 2025

A Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do DF convida para exibição e debate da obra "La Insurrección Cultural"

No dia 11/06, quarta-feira, às 19h no Armazém do Campo (setor comercial sul, quadra 01, lote 30, Edifício Denasa)


🚩📢🎭🥁🎬

Com a proximidade dos 46 anos da Revolução Sandinista vamos assistir ao filme de 1981 dirigido por Jorge Denti.
"La Insurrección Cultural" debate o surgimento e formação da "Cruzada Nacional de Alfabetização" ocorrida em 1980 na Nicarágua como ação após a revolução que levou à derrubada da ditadura no país em 1979. O filme reflete sobre o exército voluntário de mais de 100.000 brigadistas de diferentes países que realizaram o feito de, em um ano, reduzir a taxa de analfabetismo de 50% para 12%.
Nosso encontro será no importante espaço da classe trabalhadora, o Armazém do Campo, fortalecendo os laços do projeto popular.

O debate contará com a presença de Felipe Canova, professor de Artes na Licenciatura em Educação do Campo da UnB e integrante do Coletivo Terra em Cena. Na sua dissertação de mestrado em Comunicação, pesquisou o Sistema Sandinista de Televisão, experiência de comunicação popular realizada na Revolução Nicaraguense (1979-1990).

"En la tierra que te daré no mantegas analfabeto a tu hermano
para que corte tu algodón y recoja tu café. Habla Yavé".
(Canto Nacional - Ernesto Cardenal) 



quinta-feira, 22 de maio de 2025

Resultado do processo seletivo para bolsa de extensão para atuar no projeto " VII MOSTRA TERRA EM CENA E NA TELA: 15 anos do coletivo Terra em Cena na FUP e atuação do grupo Ledocênicas"

 


Tornamos público o resultado do processo seletivo para bolsa de extensão para atuar no projeto " VII MOSTRA TERRA EM CENA E NA TELA: 15 anos do coletivo Terra em Cena na FUP e atuação do grupo Ledocênicas"

1° lugar - matrícula 222004727
2° lugar/ cadastro reserva - matrícula 232019026
3°  lugar/ cadastro reserva - matrícula 242017965
Matrícula 232051239 desclassificado por não atender aos pré-requisitos do edital.

Aproveitamos para agradecer o interesse de todos/as os candidatos/as no projeto e para convidá-los/las a integrar voluntariamente o projeto.

Rafael Villas Bôas 

terça-feira, 13 de maio de 2025

SELEÇÃO PÚBLICA DE BOLSISTA PIBEX 2025 PARA VII MOSTRA TERRA EM CENA E NA TELA: 15 anos do coletivo Terra em Cena na FUP e atuação do grupo Ledocênicas

 

🎭🎬1 vagas para estudantes que tenham interesse nas temáticas teatro, audiovisual e luta de classes e disposição para atuarem nas diferentes atividades dos projetos de extensão (reuniões, eventos, grupos de estudo, ensaios, gravações, sistematização, etc).

🎯Desejável : ter interesse em aprofundar nos estudos e práticas do projeto; ter experiência com teatro e/ou vídeo;

Inscrições: de 13/05/2025 até 14/05/2025 pelo formulário no link: Formulário de inscrição

Edital completo no link: Edital seleção de bolsista para VII MOSTRA TERRA EM CENA E NA TELA: 15 anos do coletivo Terra em Cena na FUP e atuação do grupo Ledocênicas

terça-feira, 29 de abril de 2025

ARTIGO: Movimentos do teatro político brasileiro: da década de 1960 aos enfrentamentos com o neoliberalismo

Urdimento: Revista de Estudos em Artes Cênicas | Abril de 2025. 


Resumo: A  pesquisa  articula  dois  momentos  do  teatro  político  brasileiro:  o  ascenso  do  teatro  épico  em conjunção com as lutas populares dos anos 1960 e, com o impacto do golpe de 1964 e a ditadura, a sequente posição regressiva do teatro no sistema cultural do país ao passo que a televisão ascendeu como  meio  de  informação  e  entretenimento.  O  segundo  momento  aborda  o  período  posterior  à ditadura,  da  luta  dos  trabalhadores  do  teatro  de  grupo  em  resistência  ao  neoliberalismo,  e  desde  o início  do  século  XXI,  articulando  experiências  de  movimentos  sociais,  coletivos  de  teatro  e  grupos universitários. O estudo de caso aborda as experiências do Coletivo Terra em Cena articulado com a rede que o compõe.

Palavras-chave: Teatro político. Movimentos sociais. Teatro épico. Rede Nuestra América.

Autores: Rafael Litvin Villas Bôas; 
Simone Menezes da Rosa; Julie Anna Wetzel Deeter

Acesse para ler a Revista e o artigo completo: 

https://revistas.udesc.br/index.php/urdimento/issue/view/1011

quinta-feira, 10 de abril de 2025

2° Encontro do Cineclube da ETPVP com o filme "Saudações, Cubanos" de direção de Agnés Varda


Na última quarta-feira, dia 09/04/25, realizamos o 2° encontro do Cineclube da ETPVP que já nasce super potente. A diversidade de pessoas que estamos alcançando é impressionante, o que proporciona reflexões no debate de grande aprendizado coletivo.

Ter a oportunidade de discutir com pessoas integrantes do Movimento Negro Unificado (MNU), do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), do Núcleo de Estudos Cubanos (NESCUBA/UnB),  da Associação dos Docentes da UnB (ADunB), do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES), do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores Por Direitos (MTD), da Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do Distrito Federal (ETPVP DF) e do Coletivo Terra em Cena, tendo o Cinema como dispositivo de reflexão da realidade e possibilidade dos encontros presenciais, fortalece a luta e a organização popular! 

A 2ª sessão cineclubista, exibiu o filme "Saudações, Cubanos" da diretora Agnés Varda, documentário do ano de 1963, que em montagem experimental com fotografias retrata o Povo, a História e a Cultura Cubana em processo revolucionário. O debate avançou sobre o período especial, experiências dos participantes na ilha, o trágico legado do racismo e do patriarcado como marcas do processo colonial cubano, processo histórico e atual do bloqueio econômico dos EUA e o projeto político de país socialista.

Viva a Revolução Cubana, exemplo de Luta e Resistência contra o imperialismo!

Escrito por Adriana Gomes e Simone Rosa


Próximas sessões do Cineclube da ETPVP

14/05  Nicarágua e a Revolução Sandinista

11/06 – Programa Revoluções: Doutrina choque (Episódio 3)

Sempre às quartas-feiras, no Armazém do Campo DF (Setor Comercial Sul), às 19h.

Vejam a matéria no Brasil de Fato 

https://www.brasildefato.com.br/2025/04/08/escola-de-teatro-politico-do-df-exibe-filme-sobre-a-revolucao-cubana-nesta-quarta-9/


quarta-feira, 2 de abril de 2025

1° Encontro do Cineclube da ETPVP de 2025 com o filme "La hora de los hornos" de direção de Fernando Solanas e Octavio Getino

 No dia 19/03/2025 compartilhamos a satisfação de recomeçar os encontros sistemáticos da Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do DF (ETPVP) com o Cine Clube da ETPVP ocorrido no Armazém do Campo. Retomamos as atividades de calendário prolongado com os objetivos basilares da escola: formar, informar e organizar para luta com as classes populares por meio da produção e análise de bens simbólicos.

Nesta ocasião foi exibida e debatida a obra “La hora de los hornos – parte 1”, filme argentino de 1968 de direção de Fernando Solanas e Octavio Getino. O filme faz parte da tradição do Cine Militante e foi exibido clandestinamente em sindicatos e agremiações políticas e estudantis durante as ditaduras de Onganía, na Argentina, e nas ditaduras militares já estabelecidas no Brasil, Paraguai e Bolívia. Em outros países como Uruguai, Chile, Cuba, México era exibido publicamente como um manifesto de luta, até o golpe militar no Uruguai e Chile onde a exibição e debate do filme passou a ser clandestina.

O filme que didaticamente expõe a estrutura histórica da dependência econômica e cultural como resultado do processo colonial aponta o caminho da luta como o meio possível para transformação do sistema. Por isso tem como corrente estética a ideia de “cinema ato”, ou seja, o cinema que mobiliza para ação.

Ao longo do debate ocorrido neste primeiro encontro foram levantados pontos de convergência e dissonância entre o argumento do filme e a conjuntura atual. A forma como o filme é construída suscita o debate e apreende a atenção de maneira distinta ao que estamos habituados nas produções da indústria cultural. O que levou a tecer coletivamente reflexões como: qual o caminho da América Latina na correlação de formação internacional em meio à emergência da extrema direita mundial e da quebra do monopólio econômico pela China? Pensamos em como a urgência climática é ponto principal nas agendas de lutas populares atualmente, diferente do que se apresentava em meados do século XX. E, ainda, e ainda reflexões de como o filme se mantém atual ao identificar o preconceito racial e o genocídio de negros e indígenas como elemento central na manutenção dos vínculos de subordinação dos povos. Entendemos também que o filme aponta para uma equação: em um jogo de cena construído com esmero o filme apresenta um matadouro de bois, onde a matéria de exportação do modelo latifundiário abate com violência os recursos naturais da região, estas cenas são entrecruzadas com imagens da indústria cultural estadunidenses. Por fim, apresenta a imagem do trabalhador em condição precarizada de trabalho. Ou seja, entre o papel que a América Latina ocupa na divisão internacional do trabalho e que sustenta o capitalismo existe o trabalhador, e é neste sujeito que reside a possibilidade de transformação dessa realidade.

A atividade foi encerrada com a definição de continuidade dos encontros e fortalecimento dos vínculos entre a rede da escola e a possibilidade de agregar novos integrantes.

O Cine Debate da ETPVP não somente inaugurou as atividades da escola em 2025 como também foi a primeira atividade de mostra em audiovisual no Armazém do Campo do DF. Este que é um importante espaço para a classe trabalhadora pois simboliza a aliança entre o campo e a cidade não somente por meio da comercialização de produtos da reforma agrária, como também sendo um espaço de encontro, circulação e debate. Vocação que se manifesta na organização do espaço, na disponibilidade à realização de parcerias como a que se frutifica entre a ETPVP e o Armazém do Campo.

O Calendário do Cine Debate para o primeiro semestre de 2025 dará continuidade com as seguintes datas:

● 09/04

● 14/05

● 11/06

Sempre às quartas-feiras no Armazém do Campo (Setor Comercial Sul) às 19h.












sexta-feira, 28 de março de 2025

Terra em Cena em Cultura Viva

 A integrante do coletivo Terra em Cena e estudante da Licenciatura em Educação do Campo Ângela Caetano produziu o seguinte vídeo para o canal "Territórios Rurais e Cultura Alimentar". O documentário conta um pouco da história do coletivo Terra em Cena e mostra como esse grupo de professores, estudantes e militantes une o teatro e o audiovisual como métodos de educação popular, formação estética e organização social. Convidamos para conferirem.

🔗 @pontosdeculturaememoriarural


quinta-feira, 13 de março de 2025

Cineclube da ETPVP convida para exibição e debate de "La hora de los hornos - parte 1"

 


A Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do DF convida para exibição e debate da obra "La hora de los hornos - parte 1" no dia 19/03, quarta-feira, às 18:30 no Armazém do Campo (setor comercial sul, quadra 01, lote 30, Edifício Denasa)
🚩📢🎭🥁🎬i
Vamos assistir a obra de 1968 dos diretores argentinos Fernando Solanas e Octavio Getino do grupo "Cine Liberación" e debater sobre o contexto político e cultural latino-americano do ciclo de ditaduras e suas reverberações na conjuntura atual da região. Nosso encontro será no importante espaço da classe trabalhadora, o Armazém do Campo, fortalecendo os laços do projeto popular por meio de um calendário de ações em que este será o primeiro encontro de um ciclo de cine debates.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

15 anos do Terra em Cena em 2025


 

No ano de 2025 o Coletivo Terra em Cena comemora 15 anos de existência. Começamos nosso trabalho buscando ampliar os aprendizados das aulas de teatro da LEdoC para as comunidades, de modo que as e os educandos pudessem aprender as técnicas, jogos e exercícios, ensinando na escola ou para a comunidade. A prova que dava certo foi a quantidade de grupos formados no quilombo Kalunga e em assentamentos. Anos depois agregamos ao trabalho de formação estética a linguagem audiovisual, e na sequência veio o trabalho com as artes visuais, o muralismo e o painelismo.

Nestes 15 anos realizamos seis edições da Mostra Terra em Cena e na Tela, quatro delas no campus de Planaltina da UnB (FUP), uma no campus de Bom Jesus da UFPI e a última edição foi realizada em Cavalcante (GO). O curso de extensão Escola da Terra foi parceiro das duas edições que realizamos fora do Distrito Federal.

Pretendemos, em 2025, realizar a VII Mostra Terra em Cena e na Tela, no campus de Planaltina, em conjunto com um seminário de pesquisa para reunir as pesquisas realizadas e as em andamento pelas dezenas de pesquisadores do coletivo. Será uma alegria relembrarmos das peças construídas coletivamente, dos vídeos produzidos pelas integrantes do grupo e podermos debater os avanços, limites e desafios do projeto estratégico que estamos construindo, inspirados no trabalho cultural e político dos movimentos sociais populares e afinados com o curso ao qual nos vinculamos, a Licenciatura em Educação do Campo.

Nesta primeira postagem do ano, abrimos os trabalhos divulgando o selo comemorativo construído pela artista Simone Menezes da Rosa, a partir de discussão coletiva da coordenação do Terra em Cena. Que seja um ano produtivo de lutas, festas, debates, peças, murais e filmes!

 

Coordenação do Terra em Cena

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

VI Mostra Terra em Cena e na Tela



 Nos dias 26 e 27 de outubro de 2024 acontecerá a 6° edição da Mostra Terra em Cena e na Tela. Pela primeira vez a Mostra será realizada na cidade de Cavalcante - GO. Nessa edição a Mostra conta com a parceria do programa de formação continuada de professores "Escola da Terra" que em sua terceira edição promove intercâmbios entre professores/as da educação básica e pública do Distrito Federal e das comunidades quilombolas Kalunga.

Nesse sentido, a VI Mostra visa promover o intercâmbio entre os coletivos de teatro e audiovisual da rede do Terra em Cena, da Licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília e cursistas do programa Escola da Terra, bem como, fortalecer o vínculo com Cavalcante e o território Kalunga.

Por isso, a programação da VI Mostra foi pensada levando em consideração os trabalhos que dialogam com as questões relevantes ao território das escolas do campo e das comunidades quilombolas.

Confira a programação:






segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Terra em Cena apoia a candidatura da chapa 2 "Movimenta FUP"


O programa de extensão e grupo de pesquisa Terra em Cena manifesta seu apoio à candidatura da Chapa 2 “Movimenta FUP”, liderada pelas professoras Eliene Novaes e Flávia Nogueira. Como coletivo de grupos formados com estudantes da FUP de territórios quilombolas, camponesas e de zonas periféricas urbanas acreditamos que o potencial de articulação do campus de Planaltina da UnB poderá ser dinamizado pela gestão das professoras Eliene Novaes e Flávia Nogueira na medida em que ambas agregam experiências convergentes de atuação como professoras, pesquisadoras, extensionistas e gestoras capazes de ampliar as frentes de diálogo e parcerias com organizações da sociedade civil, com orgãos do governo federal e distrital. Situada em uma das cidades mais antigas do Distrito Federal, a FUP pode e deve dialogar de forma mais frequente e articulada com os movimentos culturais da cidade de Planaltina, recebendo artistas, mostras, exposições, peças, filmes, e participando da vida das escolas das cidades da RIDE divulgando seus cursos, compartilhando suas produções culturais e científicas. Além disso, acreditamos que a chapa "Movimenta FUP" apresenta em seu programa o planejamento necessário para que nosso campus se articule em nível local, regional, nacional e internacional, sediando eventos de médio e grande porte, recebendo pesquisadores e artistas em intercâmbio e residência artística, e com isso se enraizando na vida cultural e política de Planaltina e do conjunto do Distrito Federal e da RIDE, compreendendo nela as cidades do arco da Chapada dos Veadeiros e do território Quilombola Kalunga. 



quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Protocolo sobre “A aurora” – mais recente peça da companhia Cia Burlesca

 Aurora de mil de colores
Anúncio de revolução
Dos que socializam os meios de produção
E resistem aos dissabores
Desta Latina América fragmentada por ditadores
Lutam Claras, Paulos e Anitas
Pela missão infinita
 Da leitura da palavra e do mundo
Semeiam em chão fecundo
A insígnia que na bandeira agita
(Décima da Aurora latino-americana)

O mais recente trabalho da Cia Burlesca, chamado “A aurora”, encerrou no dia 06 de outubro de 2024 seu primeiro conjunto de apresentações por espaços culturais de cunho popular do Distrito Federal e escolas públicas que ofertam Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O trabalho parte do livro “A revolução de Anita” lançado pela editora Expressão Popular que relata a experiência da campanha de alfabetização levada a cabo pelo governo revolucionário de Cuba entre os anos de 1959 e 1961. O método chamado “Sim, eu posso!” foi constituído por brigadas de jovens alfabetizadores que estiveram em todos os rincões do país alfabetizando crianças, jovens e adultos. Com esta campanha conseguiram o feito de erradicar o analfabetismo no país em apenas dois anos.

A peça que é o primeiro trabalho solo da atriz Julie Wetzel, que foi dirigida por suas companheiras de companhia Lyvian Sena e Patrícia Barros, aborda o núcleo duro da experiência cubana: o direito à educação como cerne para emancipação e soberania popular. De maneira épica e dialética constroem o argumento não pela sobreposição linear dos fatos, e sim pelo circularidade da relação entre passado e presente que mobilizam a possibilidade de construção de futuro como matéria factível de ação.

A primeira intervenção da atriz provoca a plateia a projetar, pensar o futuro, a sonhar o seu local no mundo não na lógica do capital, da rentabilidade, mas pela ordem do desejo, do que mobiliza e dá sentido à existência. Ao que pude reparar à minha volta a pergunta simples: “Qual profissão vocês gostariam de exercer, sem considerar os desafios, em um plano ideal, o que gostariam de fazer?” nos provocou a refletir e confrontar a nossa expectativa e realidade. A partir dessa mobilização a peça se desenrola.

Podemos interpretar essa como uma pergunta geradora? Acredito que sim, pois a peça gira em torno de outras perguntas, algumas explicitas na dramaturgia e outras implícitas no argumento. A minha preferida é: por que Cuba erradicou o analfabetismo e nós, brasileiros, ainda em 2024 contamos com nove milhões de analfabetos? Cito aqui a comparação que Rafael Villas Bôas teceu para termos um parâmetro: Estamos falando de três vezes a população do Uruguai. (Ver https://www.brasildefatodf.com.br/2024/09/19/a-aurora-novo-espetaculo-da-cia-burlesca-aborda-em-chave-epica-o-tema-da-educacao-de-ontem-e-hoje)

A peça responde trazendo a experiência coletiva do Movimento Popular de Cultura (MCP) realizada em Pernambuco durante os anos de 1950 e 1960 da qual Paulo Freire é uma das maiores expoentes. Experiência interrompida pela golpe militar de 1964 que rompe com o processo crescente de aliança de classes e transferência dos meios de produção de linguagens, seja ela a linguagem verbal, teatral ou mesmo do audiovisual. O que está colocado e fica explicito no argumento da peça é que a existe uma interdição arbitrária e violenta da comunicação. A comunicação é o eixo de disputa, tanto para processo de emancipação por meio da socialização dos meios de produção, como para processo de interdição de discursos para manutenção de status quo.

“A aurora” nos leva a repensar o sentido de revolução e contrarrevolução a partir tensão entre projetos de socialização e privatização dos meios de comunicação. Meios de comunicação entendidos não de maneira reduzida como coube a semântica mais ordinária, mas no entendimento mais amplo: aulas, teatros, Artes visuais e de audiovisual e tantas outras formas de expressão são, nesse sentido, meios de comunicação.

Sendo assim, somos capazes de construir em conjunto com o argumento da peça que articula experiências de dois países, Cuba e Brasil, e que compõe um painel simbólico com músicas, poemas, figurinos e cenografias latino-americanos que essa é uma peça internacionalista que identifica um problema estrutural do sistema: o analfabetismo como alicerce das desigualdades e como barreira para formação de massa crítica.

A emergência do debate trazido pela obra se traduz no outro acontecimento paralelo à apresentação da peça. Nós, brasilienses, diferente dos moradores demais munícipios brasileiros, acompanhávamos como expectadores o crescente número de prefeitos e vereadores de extrema direita sendo eleitos neste domingo. A maior cidade da América Latina, São Paulo, levou para o segundo turno o atual prefeito com declarada plataforma ligada ao projeto da extrema direita e o projeto civilizatório defendido por Guilherme Boulos, tendo como terceiro candidato mais votado Pablo Marçal, que rompeu, ao longo da campanha, até mesmo com os pactos democráticos mais essenciais. O que a conjuntura nos aponta é para emergência da disputa das ideias, para necessidade de construir estratégias que dialoguem e desmonte a ordem radicalizada do capital em crise que vivemos na atualidade.

Nesse sentido, trabalhos como “A aurora” são não somente um deleite mas uma urgência. Que esta temporada que se encerra de apresentações seja apenas a primeira de tantas outras, que “A aurora” circule pelos rincões do brasil e do nosso território latino-americano à luz das brigadas de outrora, acendendo centelhas de luta pelo direito fundamental de ler, escrever, interpretar e transformar a realidade.

Simone Rosa