Composição do Terra em Cena
O Coletivo Terra em Cena é uma articulação de coletivos de teatro, audiovisual e artes visuais que atuam em comunidades da reforma agrária, quilombolas e em meio urbano. É composto por professores universitários da UnB, da UFSJ, da UFSC e da UFVMJ, da rede pública do DF, por estudantes da Licenciatura em Educação do Campo da UnB e por militantes de movimentos sociais do campo e da cidade.
O Terra em Cena se configura como Programa de Extensão da UnB, com Projetos de Extensão articulados na Faculdade UnB de Planaltina (FUP) e como grupo de pesquisa cadastrado no diretório de grupos do Cnpq.
Um dos projetos é a Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do DF (ETPVP-DF) que integra a Rede de Escolas de Teatro e Vídeo Político e Popular Nuestra America.
quarta-feira, 10 de maio de 2017
quarta-feira, 26 de abril de 2017
Programa Revoluções - Ep. 3 - Feminismo
No terceiro episódio do Programa Revoluções, o Coletivo Terra em Cena aborda a luta das mulheres e o avanço dos feminismos contra o patriarcado, em um contexto de resistência ao golpe no Brasil e aos retrocessos nos direitos sociais, buscando relações entre feminismos e a luta por mudanças em nossa sociedade.
Programa Revoluções - Ep. 2 - Doutrina do Choque
O Coletivo Terra em Cena investiga, no segundo episódio da série “Revoluções”, a hipótese de que o argumento de Naomi Klein no livro “A doutrina do choque: a ascensão do capitalismo de desastre” seja pertinente ao que estamos vivendo no país. Para isso, debatemos com militantes do MST e do MPL o argumento do livro, sobre a dinâmica da implementação do neoliberalismo nos países, analisando as causas, os impactos, e os efeitos de desorientação, apatia, desmobilização e melancolia manifestado por muitas pessoas diante do desmonte acelerado do país.
Como no primeiro episódio, buscamos nos interlocutores de movimentos organizados alternativas forjadas na cultura política de resistência para combatermos o golpe. E fomos à rua, conversar com manifestantes que estiveram na manifestação contra a PEC 55 no dia 13 de dezembro de 2016. O elenco do Terra em Cena, junto com a sexta turma da Licenciatura em Educação do Campo da UnB esteve na rodoviária de Brasília com a intervenção de agitprop “Pega a Democracia”, em que a Constituição de 1988 é disputada por dois grupos, com posições reacionárias e progressistas, e nos surpreendemos com o anseio das pessoas de participar, discutir, dar o seu depoimento, deixar o seu protesto gravado pela lente das câmeras, em busca de uma interlocução sonegada pela mídia empresarial.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
Programa Revoluções - Ep. Piloto - Ocupações
Episódio piloto do programa Revoluções, realizado pelo Coletivo Terra em Cena (UnB Planaltina) na TV Comunitária Cidade Livre - DF, que trata das recentes ocupações de escolas e universidades, do feminismo e da luta contra a PEC 55 e o primeiro golpe de Estado que o Brasil sobre no século XXI, há 52 anos do golpe de 1964.
Mesclando formato documental com linguagens artísticas, o programa faz uma cobertura das lutas sociais travadas atualmente no país, buscando um enfoque estrutural das questões, para além das emergências impostas pela conjuntura atropelada que se instalou no Brasil desde o golpe de Estado.
Em face à conjuntura regressiva, Revoluções busca identificar nas contradições da luta a emergência potencial de uma nova cultura política, capaz de se contrapor à crise do capitalismo. Recolocar em pauta a questão da Revolução será um dos objetivos do programa, para além do enquadre nacional, abordando as experiências revolucionárias que insurgiram no século XX.
Por fim, a intenção de nosso coletivo é organizar uma rede de colaboradores, envolvendo coletivos teatrais e de produção audiovisual, movimentos sociais, grupos de pesquisa, conforme dinâmica da Rede Teatro e Sociedade, que o Terra em Cena integra. O formato do programa está em construção, por isso agradecemos pelos retornos, pelas críticas e sugestões.
Nesse primeiro programa contamos com a colaboração de dois coletivos, a Frente Palavras Rebeldes do MST e o Coletivo Calcanhar de Aquiles, de Brasília. Agradecemos pela colaborações.
Fortes abraços!
Coletivo Terra em Cena
Agitprop: ao final de 2016 entra em cena a Brigada Fidel Castro Ruz do MST
O dia 07 de dezembro de 2016 marca a entrada na cena política e cultural da capital do país da Brigada de agitação e propaganda Fidel Castro Ruz do MST do Distrito Federal e Entorno.
O novo coletivo de agitação e propaganda apresentou a peça “A luta de box do camponês contra agronegócio” no Encontro dos Amigos do MST, que reuniu no Albergue da Juventude, em Brasília, cerca de trezentas pessoas, entre militantes de movimentos sociais do campo e da cidade, parlamentares, membros da esquerda partidária e estudantes e professores universitários.
Formada por estudantes universitários, do ensino médio e por camponeses militantes de movimentos sociais, e coordenada por militantes que integravam a Brigada de Agitprop Semeadores do MST/DFE (2003-2013), o coletivo da Brigada Fidel decide vir à público recuperando do repertório do teatro de agitprop brasileiro uma peça que foi criada por diversos coletivos, dentre eles a Brigada Semeadores do MST/DFE e o Coletivo Peça pro Povo, do MST/RS.
A luta de box, que estabelece um confronto de posições de classe antagônicas, sob a forma cômica de um enfrentamento físico, foi incorporada pelo agitprop brasileiro pelos grupos que integravam a Brigada Nacional de Teatro do MST Patativa do Assaré, que adaptaram a estrutura para a representação didática do confronto entre dois modos de produção: agronegócio X reforma agrária e agricultura camponesa.
Além da presença dos lutadores e do juiz, personagem corrupto que pende sempre para a direita, foram acrescidos coros – as vozes coletivas que trazem os dados que o coletivo informa ao público – no desencadear de cada golpe dos lutadores.
Na Marcha pela Reforma Agrária, Justiça Social e Soberania Alimentar, de Goiânia à Brasília, realizada em 2005, realizada durante dezessete dias, com mais de doze mil pessoas, a peça era apresentada por seis grupos da Brigada Nacional de Teatro do MST Patativa do Assaré. Ao mesmo tempo, os coletivos se espalhavam percorrendo as tendas que abrigavam os milhares de marchantes, e no dia da chegada da marcha em Brasília, uma versão ampliada da peça, com bonecos gigantes e grandes coros, foi apresentada no Teatro Procissão “A história da luta pela terra contada pelos camponeses”.
Batizada com o nome do comandante da Revolução Cubana, e surgindo na conjuntura do primeiro golpe de Estado desfechado pela direita brasileira no século XXI, que marca o rompimento do pacto de conciliação de classes com que a esquerda partidária governou por mais de doze anos o país, fica a expectativa que a Brigada possa ter vida longa e colaborar de modo produtivo para o soerguimento de um novo período histórico, marcado por lutas radicais que recoloquem em pauta a questão da Revolução.
Para isso, será importante que a Brigada Fidel Castro aprenda com os acertos e equívocos das brigadas anteriores, e preserve a disciplina para o estudo, os valores socialistas, a audácia, a permanente capacidade de treinamento e qualificação técnica para ampliar de modo constante seu repertório tático.
Mas, para além do acerto interno ao coletivo, será necessário que as diversas forças de esquerda compreendam que no novo ciclo histórico que se abre a articulação entre cultura, política e formação não poderá mais ser uma força secundária, diante da opção prioritária pelo marketing como forma reificada de contato com a classe trabalhadora.
Nos contextos e países em que os coletivos de agitprop vigoraram com protagonismo na luta política as direções sindicais, partidárias e de movimentos de esquerda tinham a consciência de que era necessário se empenhar na construção de uma agenda de lutas que envolvesse as brigadas de agitprop de forma ativa, nas assembleias, nas marchas, nos processos formativos, e no debate sobre o horizonte estratégico. Garantindo condições de existência, fortalecimento e multiplicação das brigadas.
Inspirada nos valores, na audácia combativa, e nos métodos de construção do poder popular empregados por Fidel Castro e suas companheiras e companheiros revolucionários, a Brigada Fidel nasce num momento de fortalecimento do contato do MST do Distrito Federal e Entorno com a população do campo e da cidade, por meio do circuito de feiras que será realizado em quatro cidades do DF e Entorno: Planaltina e Brazlândia (DF), Formosa (GO) e Unaí (MG).
O momento para o surgimento da Brigada Fidel não poderia ser mais promissor, com um novo circuito não mercantil estabelecido pela juventude em luta, ocupando mais de mil escolas públicas, e mais de duzentos campi de universidades e institutos federais brasileiros, em resistência ao golpe e ao conjunto de medidas regressivas implementadas por políticos corruptos que usurparam os 54 milhões de votos que elegeram a presidenta deposta de modo ilegítimo.
Operando no contexto de potencial reascenso de massas, impulsionada pelo desemprego crescente, pelas mudanças constitucionais que regridem direitos, e pelos flancos abertos na base frágil de sustentação do governo golpista, a Brigada Fidel pode encontrar farto combustível para o emprego de suas táticas de intervenção, se for capaz de articular formação e organização social por meio do fortalecimento da cultura política da classe trabalhadora.
Professor Rafael Villas Bôas
Campus de Planaltina da UnB
Integrante do Coletivo Terra em Cena
terça-feira, 11 de outubro de 2016
domingo, 24 de julho de 2016
Cartas do exílio e a forma de narrar de Cecília Thumin Boal
Numa tarde fria e chuvosa de 20 de junho de 2016, dentro
da pequena sala do Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, onde está a
exposição Cartas do Exílio, Cecília se pôs a falar para uma plateia
interessada, que lotava a sala repleta de cartas, fotos e cartazes.
Pelas cartas de Augusto Boal podemos perceber o gesto da
disciplina intelectual de elaborar, sempre, sobre as contradições da realidade
em que vivia e com a qual se defrontava. No diálogo com companheiros, como
Chico Buarque e Guarnieri, estava sempre a compartilhar sentimentos,
impressões, e a combinar trabalhos conjuntos, publicações, peças, músicas.
Proletários artistas profissionais, empenhados na melhor divulgação dos seus
trabalhos, buscando meios de sobreviver na adversidade, agindo como
propagandistas contra o golpe no exterior.
A ligação com organizações políticas, como o Partido
Comunista Brasileiro (PCB) e a Aliança Libertadora Nacional (ALN),
era também uma característica comum. Tempos menos fragmentados: o trabalho
intelectual não estava à serviço de carreiras individuais, a realidade não era
apenas objeto de análise.
Mas, naquela tarde estava Cecília a discorrer sobre as
cartas: o homem com quem viveu e trabalhou, a ditadura, o exílio e seus
múltiplos traumas, ressaltando todavia as possibilidades que a experiência
proporcionou à família. De todas as formas como a história pode ser
contada, Cecília evita aquelas cujo encaixe de sua presença no processo ou à
destaque, ou a reifique, no lugar tradicional da mulher de um grande homem.
Diante de nós estava uma atriz e uma psicanalista, a
mulher por quem Boal se apaixonou e levou uma vida junto. Uma trabalhadora que
não se vangloria contando os espetáculos em que atuou. O desavisado não saberá
por ela, mas pelo cartaz da montagem de “Arena conta Zumbi”, que lá estava ela
no elenco, e também de muitas outras peças em diversos países.
Por intermédio de uma carta de Boal para a mãe ficamos
sabendo que, por vezes, era ela que bancava a casa – o exílio marcado
pelas dificuldades econômicas, com seu trabalho de atriz nas montagens de
sucesso que participou.
A condição de psicanalista – a audiência soube por ela
que definiu na França abandonar a carreira de atriz porque já não aguentava a
cada mudança de país ter que aprender com fluência a língua para poder atuar –
confere à narrativa de Cecília um ponto de vista terno e distanciado, tanto
sobre a relação de Boal com a mãe, quanto sobre a projeção de culpa que
carregou diante do impacto do exílio sobre os filhos dela e Boal.
Essa condição, agregada ao fato de ser argentina, também
lhe permite um comentário distanciado sobre o Brasil e seus pactos: de silêncio
sobre o passado, de conciliação cordial no presente. Países que promoveram rupturas
radicais em seus processos formativos carregam na cultura, na sociabilidade,
legados desse gesto. O impasse da conciliação permanente como gesto político
não é um dilema de nossos países vizinhos como é para nós, brasileiros.
Por isso ter Cecília entre nós elaborando sobre os
(nossos) traumas é uma oportunidade de grande aprendizado: sem vitimização, sem
heroísmo, a narrativa de Cecília vai nos mostrando uma personagem fundamental,
não apenas do passado, mas do tempo presente.
Esse tempo do agora extravasou os limites da exposição,
do período da resistência à ditadura e da expectativa com a democratização. As
pessoas perguntavam sobre o Instituto Augusto Boal, sobre a eficácia do Teatro
do Oprimido como meio de formação e resistência. Alguns, como o estudante
Andrey, do Levante Popular da Juventude, não apenas perguntava, mas dava
depoimento de suas experiências com o método.
Cecília e Julian Boal puderam então abordar as redes, os
encontros, em que estão ativamente envolvidos. Aqui termino, como testemunha da
forma produtiva que ambos têm se colocado no cenário do teatro político
contemporâneo: contra a cômoda posição de herdeiros do legado do mestre, os
dois, mãe e filho, trabalhadores do teatro – Julian também como
pesquisador, fazendo doutorado sobre o tema – têm se colocado como
articuladores, mediadores, potencializadores de
encontros intercontinentais entre grupos e movimentos sociais.
Por exemplo, ocorreu o Encontro Internacional de Teatro do Oprimido
na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST), de 27 de junho a 01 de julho de 2016, reunindo cem
pessoas de oito países e mais de vinte grupos praticantes de Teatro do
Oprimido. E o II Seminário Internacional Teatro e Sociedade (SITS), da Rede
Teatro e Sociedade, ocorrido na Universidade de Brasília, de 14 a 17 de
dezembro de 2015, em que Cecília ministrou uma das cinco oficinas,
compartilhando como era o método de interpretação desenvolvido pelo Teatro de
Arena, em que ela atuava como atriz e Augusto Boal como diretor.
O empenho de Cecília e de Julian não é o de, tão somente,
publicizar uma forma bem sucedida de teatro, mas de questionar a todo momento o
limite e a potência das formas e métodos, sempre em contraste com as
possibilidades do tempo histórico em que vivemos, e com as condições objetivas
de sobrevivência do Teatro Político na atualidade. Sem a reivindicação de um
protagonismo espetacular e hierárquico, vão a maneira deles ligando o passado
ao presente, promovendo encontros, dando palestras, ministrando oficinas,
organizando exposições, construindo elos essenciais.
Rafael Villas Bôas
Professor da
Universidade de Brasília
Integrante do Coletivo
Terra em Cena
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
domingo, 13 de dezembro de 2015
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
II Seminário Internacional Teatro e Sociedade
Bem Vindas/os ao II Seminário Internacional
Teatro e Sociedade 2015. Para que todas/os tenhamos uma ótima estadia durante o
seminário seguem algumas orientações importantes:
1º - A abertura do seminário acontecerá às
19:00hs no Anfiteatro 9, campus Darcy Ribeiro, Brasília-DF. Portanto quem
chegar à Brasília no período da tarde e optar por ir direto para o seminário
deve se dirigir ao campus Darcy Ribeiro da UnB, que fica no Plano Piloto. Ao
término da abertura a organização do evento providenciará translado dos
participantes para a Faculdade UnB Planaltina.
Aos
que chegarem pela manhã ou início da tarde e quiserem primeiro se alojar na
Faculdade UnB Planaltina, teremos ônibus que sairão do campus de Planaltina
para o campus Darcy Ribeiro às 17h.
2°- A Faculdade UnB Planaltina localiza-se na Área
Universitária, 01, Vila Nossa Senhora de Fátima - Planaltina, Brasília – DF.
3º - Os ônibus que fazem a linha Aeroporto – Rodoviária do
Plano Piloto são:
0.102 – W3 Sul – Rodoviária;
102.1 - W3 Sul – Rodoviária.
4º - Ao chegar à Rodoviária do Plano Piloto, quem optar em
seguir diretamente para a UnB, deverá embarcar nos ônibus das linhas:
110.2 - Rodoviária Plano Piloto/ UnB;
0.110 - Rodoviária Plano Piloto/UnB.
Já quem optar por ir da Rodoviária do Plano Piloto para a FUP
deverá embarcar nos ônibus das seguintes linhas:
0.620 – Eixo Norte-Sul/Planaltina DF – Parada da plataforma
superior da Rodoviária
0.600 – Eixo Norte/Planaltina DF – Plataforma Inferior da
Rodoviária Box 16
Lembrando que estas linhas passam próximas à Faculdade UnB
Planaltina, pois passam na Avenida Independência. Ao entrar nesta avenida o
passageiro deve desembarcar na primeira parada.
5º - Quem optar por ir da Rodoviária do Plano Piloto para a
Rodoviária de Planaltina DF, existem outras linhas:
0.601 – Eixo Norte-Sul/Setor Tradicional/Rodoviária de
Planaltina DF
0.602 - Eixo Norte-Sul/Vila Buritis/ Rodoviária de Planaltina
DF
0.616 - Eixo Norte-Sul/Arapongas/ Rodoviária de Planaltina DF
6º - Para chegar à FUP, quem optar sair da Rodoviária de
Planaltina DF, deverá dirigir-se ao BOX 16 e embarcar nos micro-ônibus das
seguintes linhas:
601.4 – Feira/HRP/ V.Fátima/ UnB
601.3 – V.Buritis/ V.Dimas/
S. Sul / UnB
7º - É importante que cada participante do seminário traga
seus objetos de uso pessoal como: roupa de cama, banho, kit de higiene
pessoal,etc.
8º - O II SITS não arcará com as despesas de alimentação.
9º - Quem tiver interesse em lançar livros ou revistas deve
informar previamente à coordenação por meio do correio eletrônico do evento.
10º - Na Noite Cultural que será realizada no dia 16/12,
teremos espaço aberto para apresentações individuais e coletivas. Será
realizada também a feira de produtos artesanais da agricultura familiar.
Portanto, quem tiver interesse em expor algum produto, por favor, nos avise com
antecedência para que possamos organizar o espaço.
domingo, 6 de dezembro de 2015
II Seminário Internacional Teatro e Sociedade
Data: 14 a 17 de dezembro de 2015.
Locais: Campus Darcy Ribeiro (abertura e encerramento) e campus de Planaltina (oficinas, mesas e atividades culturais noturnas) da Universidade de Brasília
O II Seminário Internacional Teatro e Sociedade é o segundo grande evento da Rede Teatro e Sociedade, uma articulação internacional em processo de consolidação que envolve grupos de pesquisa de diversas universidades brasileiras (UnB, UFRJ, USP, UEM, UFV, Udesc, UFG, etc.), coletivos teatrais do Brasil, Argentina e Uruguai, e movimentos sociais que adotam a linguagem teatral como meio de formação e interação com a sociedade.
Durante os quatro dias do seminário serão realizadas seis mesas temáticas, cinco oficinas de teatro, mostras de vídeo, apresentações de peças teatrais e lançamentos de livros e vídeos dos grupos de pesquisa teatral envolvidos na Rede Teatro e Sociedade.
O II SITS é uma das atividades do projeto Teatro em Redes, iniciativa financiada pelo edital Mais Cultura Universidade, sendo uma das atividades dos vinte e três projetos que integram o plano de cultura da Universidade de Brasília, construído sob a coordenação do Decanato de Extensão.
O Seminário terá a abertura realizada no anfiteatro 9, do campus Darcy Ribeiro, às 19h do dia 14 de dezembro. As atividades do dia 15, 16 e 17 pela manha serão realizadas no campus da Faculdade UnB Planaltina, e o encerramento será realizado no auditório do Instituto de Letras no campus Darcy Ribeiro a partir das 14h do dia 17 de dezembro.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Ficha de Inscrição para as oficinas do II Seminário Internacional de Teatro e Sociedade
Galera,
ainda há tempo para se inscreverem no II Seminário Internacional de Teatro e Sociedade.
É só copiar e colar o link abaixo na barra de endereço do seu navegador e terá como baixar a ficha de inscrição para as oficinas e nos enviar pelo e-mail teatroesociedade2015@gmail.com
Vamos lá!!!
https://drive.google.com/file/d/0B-oXgIY1iDlNTnd2QmxhVDJYZkE/view?usp=sharing
ainda há tempo para se inscreverem no II Seminário Internacional de Teatro e Sociedade.
É só copiar e colar o link abaixo na barra de endereço do seu navegador e terá como baixar a ficha de inscrição para as oficinas e nos enviar pelo e-mail teatroesociedade2015@gmail.com
Vamos lá!!!
https://drive.google.com/file/d/0B-oXgIY1iDlNTnd2QmxhVDJYZkE/view?usp=sharing
terça-feira, 22 de setembro de 2015
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
segunda-feira, 13 de julho de 2015
A experiência do MST com Teatro do Oprimido Fala para 21ª Conferência Pedagogia do Teatro do Oprimido, Chicago, 11 a 15 de junho 2015.
Meu nome é Carla Loop, sou militante do
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, no Brasil. Atuo na coordenação nacional
do Coletivo de Cultura do MST. Ainda não sei falar inglês. Mas quero aprender.
Para dizer por que aprender, preciso dialogar com vocês em português. Com
licença.
Para
que a luta concreta por justiça social avance radicalmente, não podemos ter
fronteiras.
Desde
o Brasil, o MST completa 30 anos de história, em que, a luta pela terra ainda
não está superada, a luta pela reforma agrária ainda não está superada e,
enquanto a propriedade privada prevalecer é preciso lutar por transformação
social.
Temos
mais de 150 mil famílias acampadas, ainda em barracos de lona, em todas as
regiões do Brasil. E já conquistamos terra para mais de 350 mil famílias.
Temos
20 mil escolas no campo, cerca de 100 cooperativas organizando o sistema
produtivo, cooperado e agroecológico.
Trabalhamos
com cerca de 1,5 milhões de pessoas em 23 estados do país e na capital. São mulheres
e homens capazes de seguir resistindo e lutando para fazer realidade dos sonhos.
Com
esses objetivos, nos tornamos perigosos aos patrões chefes supremos. Porque a
luta educa, e ajuda tomar consciência de que há pautas mais amplas,
estruturantes para os trabalhadores efetivarem.
Como
o direito a educação pública, saúde, comunicação, agroecologia e, a cultura, e
dentro dela a arte e todas as suas linguagens, como o teatro, por exemplo.
O
contato do MST com o teatro do oprimido cumpre com um papel fundamental:
desenvolver a nossa capacidade, de construir, coletivamente, o nosso próprio
ponto de vista sobre as formas que nós queremos construir e, não apenas
reproduzir, aquilo que outros, sobre os seus pontos de vista, nos dizem o que
fazer.
Ou
seja, sem a posse por parte dos trabalhadores dos meios de produção e
representação da realidade, não há justiça social.
Esse
legado, aprendemos com Augusto Boal. Numa parceria de trabalho Boal se dispôs a
fazer teatro com o MST e não para o MST. E, Boal nos provou que não seria
suficiente apenas trazer peças para militantes ensaiarem. Era necessário
aprender o método e a técnica. E nos termos da educação popular, se propôs a
dar forma teatral aos problemas do Movimento, transferindo técnicas para que
elas fossem usadas de acordo com as demandas e interesses do MST.
Junto
com Boal e uma equipe do Centro de Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro, realizamos
um processo de formação em teatro com militantes do MST, que durou cerca de 2
anos. E, ajudou formar a Brigada Nacional de Teatro do MST. Que assumiu a
missão de multiplicar os conhecimentos do Teatro do Oprimido pelos campos de
todas as regiões do país. Eu conheci o teatro do oprimido nesse trabalho de
multiplicação.
Desenvolvemos
muitas experiências. Sem negar que temos limites, elas foram desde a realização
de oficinas e seminários, leituras dramáticas e encenações. Organização de grupos
teatrais, temos trabalhos em escolas do campo e em acampamentos, principalmente
com grupos de jovens. Estudo de peças e atividades de formação política de
militantes. Atividades para formação de educadores e trabalhos com crianças nas
cirandas infantis.
Até
colocar em pauta discussões difíceis para um Movimento camponês, como a
participação efetiva das mulheres nas lutas e na organização do MST, a inserção
da juventude nas tomadas de decisão do Movimento, a elevação cultural dos
camponeses, as relações com outros setores da sociedade, campo e a cidade. E a percepção
de que isso tudo se constrói cotidianamente.
Os
trabalhos passam por jogos teatrais, exercícios e métodos específicos, com uma
sequencia que compõem o Teatro Imagem e o método do Teatro Fórum.
No
trabalho com teatro do oprimido tivemos acesso a obras teatrais relacionadas à
abolição da escravatura e organização da república, revolução verde e ditadura
militar, em que a questão agrária ocupou a cena teatral brasileira, (entre 1955
– 1965).
Os
estudos dessas obras nos remeteram a pensar o teatro como um instrumento de
formação política e organização popular. Não só um instrumento de difusão de
ideologia, mas um instrumento que cumpre um papel de organizador coletivo.
Desta
maneira, o teatro do oprimido não pode ser idealizado, ele não faz milagres.
Ele é uma peça/um parafuso da engrenagem de uma luta política, e também, às
vezes, a própria luta política.
É
o caso de duas experiências brasileira que buscavam articular de forma orgânica
as esferas da Cultura e da Política: o Movimento de Cultura Popular (MCP), que
existiu de 1959 a 1964, e o Centro Popular de Cultura (CPC), de 1961 a 1964.
Ali, setores da sociedade atuaram engajados no enfrentamento das contradições
da sociedade brasileira, para ir ao encontro de novas demandas ensejadas pelas
lutas populares do período. Mas a ditadura militar empresarial abortou essa
possibilidade.
Portanto,
herdamos um legado histórico de movimentos culturais e políticos. Que atuaram
para que os meios de produção das diversas linguagens artísticas estivessem nas
mãos dos trabalhadores.
Se
quisermos ativar o sentido de força política formativa e de intervenção na
realidade é necessário que retiremos da caixa de embalagem da forma espetáculo
e mercadoria o teatro do oprimido.
A
experiência vivida pelo MST, com tantos limites e desafios, aponta que está em
jogo nada menos que a disputa pelas formas hegemônicas de representação da
realidade, pois reconhecemos o caráter estratégico do combate também nessa
trincheira.
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