Composição do Terra em Cena

O Coletivo Terra em Cena é uma articulação de coletivos de teatro, audiovisual e artes visuais que atuam em comunidades da reforma agrária, quilombolas e em meio urbano. É composto por professores universitários da UnB, da UFSJ, da UFSC e da UFVMJ, da rede pública do DF, por estudantes da Licenciatura em Educação do Campo da UnB e por militantes de movimentos sociais do campo e da cidade. O Terra em Cena se configura como Programa de Extensão da UnB, com Projetos de Extensão articulados na Faculdade UnB de Planaltina (FUP) e como grupo de pesquisa cadastrado no diretório de grupos do Cnpq. Um dos projetos é a Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do DF (ETPVP-DF) que integra a Rede de Escolas de Teatro e Vídeo Político e Popular Nuestra America.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Bastidores do Programa Revoluções


Programa Revoluções - Ep. 3 - Feminismo

No terceiro episódio do Programa Revoluções, o Coletivo Terra em Cena aborda a luta das mulheres e o avanço dos feminismos contra o patriarcado, em um contexto de resistência ao golpe no Brasil e aos retrocessos nos direitos sociais, buscando relações entre feminismos e a luta por mudanças em nossa sociedade.

Programa Revoluções - Ep. 2 - Doutrina do Choque

O Coletivo Terra em Cena investiga, no segundo episódio da série “Revoluções”, a hipótese de que o argumento de Naomi Klein no livro “A doutrina do choque: a ascensão do capitalismo de desastre” seja pertinente ao que estamos vivendo no país. Para isso, debatemos com militantes do MST e do MPL o argumento do livro, sobre a dinâmica da implementação do neoliberalismo nos países, analisando as causas, os impactos, e os efeitos de desorientação, apatia, desmobilização e melancolia manifestado por muitas pessoas diante do desmonte acelerado do país.

Como no primeiro episódio, buscamos nos interlocutores de movimentos organizados alternativas forjadas na cultura política de resistência para combatermos o golpe. E fomos à rua, conversar com manifestantes que estiveram na manifestação contra a PEC 55 no dia 13 de dezembro de 2016. O elenco do Terra em Cena, junto com a sexta turma da Licenciatura em Educação do Campo da UnB esteve na rodoviária de Brasília com a intervenção de agitprop “Pega a Democracia”, em que a Constituição de 1988 é disputada por dois grupos, com posições reacionárias e progressistas, e nos surpreendemos com o anseio das pessoas de participar, discutir, dar o seu depoimento, deixar o seu protesto gravado pela lente das câmeras, em busca de uma interlocução sonegada pela mídia empresarial.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Programa Revoluções - Ep. Piloto - Ocupações

Episódio piloto do programa Revoluções, realizado pelo Coletivo Terra em Cena (UnB Planaltina) na TV Comunitária Cidade Livre - DF, que trata das recentes ocupações de escolas e universidades, do feminismo e da luta contra a PEC 55 e o primeiro golpe de Estado que o Brasil sobre no século XXI, há 52 anos do golpe de 1964.

Mesclando formato documental com linguagens artísticas, o programa faz uma cobertura das lutas sociais travadas atualmente no país, buscando um enfoque estrutural das questões, para além das emergências impostas pela conjuntura atropelada que se instalou no Brasil desde o golpe de Estado.

Em face à conjuntura regressiva, Revoluções busca identificar nas contradições da luta a emergência potencial de uma nova cultura política, capaz de se contrapor à crise do capitalismo. Recolocar em pauta a questão da Revolução será um dos objetivos do programa, para além do enquadre nacional, abordando as experiências revolucionárias que insurgiram no século XX.

Por fim, a intenção de nosso coletivo é organizar uma rede de colaboradores, envolvendo coletivos teatrais e de produção audiovisual, movimentos sociais, grupos de pesquisa, conforme dinâmica da Rede Teatro e Sociedade, que o Terra em Cena integra. O formato do programa está em construção, por isso agradecemos pelos retornos, pelas críticas e sugestões.

Nesse primeiro programa contamos com a colaboração de dois coletivos, a Frente Palavras Rebeldes do MST e o Coletivo Calcanhar de Aquiles, de Brasília. Agradecemos pela colaborações.

Fortes abraços!
Coletivo Terra em Cena

Seminário discute Juventude, Comunicação e Cultura no atual cenário político





http://www.mst.org.br/2016/12/10/seminario-discute-juventude-comunicacao-e-cultura-no-atual-cenario-politico.html

Agitprop: ao final de 2016 entra em cena a Brigada Fidel Castro Ruz do MST

O dia 07 de dezembro de 2016 marca a entrada na cena política e cultural  da capital do país da Brigada de agitação e propaganda Fidel Castro Ruz do MST do Distrito Federal e Entorno.
O novo coletivo de agitação e propaganda apresentou a peça “A luta de box do camponês contra  agronegócio” no Encontro dos Amigos do MST, que reuniu no Albergue da Juventude, em Brasília,  cerca de trezentas pessoas, entre militantes de movimentos sociais do campo e da cidade, parlamentares, membros da esquerda partidária e estudantes e professores universitários.
Formada por estudantes universitários, do ensino médio e por camponeses militantes de movimentos sociais, e coordenada por militantes que integravam a Brigada de Agitprop Semeadores do MST/DFE (2003-2013), o coletivo da Brigada Fidel decide vir à público recuperando do repertório do teatro de agitprop brasileiro uma peça que foi criada por diversos coletivos, dentre eles a Brigada Semeadores do MST/DFE e o Coletivo Peça pro Povo, do MST/RS.
A luta de box, que estabelece um confronto de posições de classe antagônicas, sob a forma cômica de um enfrentamento físico, foi incorporada pelo agitprop brasileiro pelos grupos que integravam a Brigada Nacional de Teatro do MST Patativa do Assaré, que adaptaram a estrutura para a representação didática do confronto entre dois modos de produção:  agronegócio X reforma agrária e agricultura camponesa.
Além da presença dos lutadores e do juiz, personagem corrupto que pende sempre para a direita, foram acrescidos coros – as vozes coletivas que trazem os dados que o coletivo informa ao público – no desencadear de cada golpe dos lutadores.
Na Marcha pela Reforma Agrária, Justiça Social e Soberania Alimentar, de Goiânia à Brasília, realizada em 2005, realizada durante dezessete dias, com mais de doze mil pessoas, a peça era apresentada por seis grupos da Brigada Nacional de Teatro do MST Patativa do Assaré.  Ao mesmo tempo, os coletivos se espalhavam percorrendo as tendas que abrigavam os milhares de marchantes, e no dia da chegada da marcha em Brasília, uma versão ampliada da peça, com bonecos gigantes e grandes coros, foi apresentada no Teatro Procissão “A história da luta pela terra contada pelos camponeses”.
Batizada com o nome do comandante da Revolução Cubana, e surgindo na conjuntura do primeiro golpe de Estado desfechado pela direita brasileira no século XXI, que marca o rompimento do pacto de conciliação de classes com que a esquerda partidária governou por mais de doze anos o país, fica a expectativa que a Brigada possa ter vida longa e colaborar de modo produtivo para o soerguimento de um novo período histórico, marcado por lutas radicais que recoloquem em pauta a questão da Revolução.
Para isso, será importante que a Brigada Fidel Castro aprenda com os acertos e equívocos das brigadas anteriores, e preserve a disciplina para o estudo, os valores socialistas, a audácia, a permanente capacidade de treinamento e qualificação técnica para ampliar de modo constante seu repertório tático.
Mas, para além do acerto interno ao coletivo, será necessário que as diversas forças de esquerda compreendam que no novo ciclo histórico que se abre a articulação entre cultura, política e formação não poderá mais ser uma força secundária, diante da opção prioritária pelo marketing como forma reificada de contato com a classe trabalhadora.
            Nos contextos e países em que os coletivos de agitprop vigoraram com protagonismo na luta política as direções sindicais, partidárias e de movimentos de esquerda tinham a consciência de que era necessário se empenhar na construção de uma agenda de lutas que envolvesse as brigadas de agitprop de forma ativa, nas assembleias, nas marchas, nos processos formativos, e no debate sobre o horizonte estratégico. Garantindo condições de existência, fortalecimento e multiplicação das brigadas.
            Inspirada nos valores, na audácia combativa, e nos métodos de construção do poder popular empregados por Fidel Castro e suas companheiras e companheiros revolucionários, a Brigada Fidel nasce num momento de fortalecimento do contato do MST do Distrito Federal e Entorno com a população do campo e da cidade, por meio do circuito de feiras que será realizado em quatro cidades do DF e Entorno: Planaltina e Brazlândia (DF), Formosa (GO) e Unaí (MG).
            O momento para o surgimento da Brigada Fidel não poderia ser mais promissor, com um novo circuito não mercantil estabelecido pela juventude em luta, ocupando mais de mil escolas públicas, e mais de duzentos campi de universidades e institutos federais brasileiros, em resistência ao golpe e ao conjunto de medidas regressivas implementadas por políticos corruptos que usurparam os 54  milhões de votos que elegeram a presidenta deposta de modo ilegítimo.
Operando no contexto de potencial reascenso de massas, impulsionada pelo desemprego crescente, pelas mudanças constitucionais que regridem direitos, e pelos flancos abertos na base frágil de sustentação do governo golpista, a Brigada Fidel pode encontrar farto combustível para o emprego de suas táticas de intervenção, se for capaz de articular formação e organização social por meio do fortalecimento da cultura política da classe trabalhadora.


Professor Rafael Villas Bôas
Campus de Planaltina da UnB
Integrante do Coletivo Terra em Cena

domingo, 24 de julho de 2016

Cartas do exílio e a forma de narrar de Cecília Thumin Boal

Numa tarde fria e chuvosa de 20 de junho de 2016, dentro da pequena sala do Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, onde está a exposição Cartas do Exílio, Cecília se pôs a falar para uma plateia interessada, que lotava a sala repleta de cartas, fotos e cartazes.
Pelas cartas de Augusto Boal podemos perceber o gesto da disciplina intelectual de elaborar, sempre, sobre as contradições da realidade em que vivia e com a qual se defrontava. No diálogo com companheiros, como Chico Buarque e Guarnieri, estava sempre a compartilhar sentimentos, impressões, e a combinar trabalhos conjuntos, publicações, peças, músicas. Proletários artistas profissionais, empenhados na melhor divulgação dos seus trabalhos, buscando meios de sobreviver na adversidade, agindo como propagandistas contra o golpe no exterior.
A ligação com organizações políticas, como o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a Aliança Libertadora Nacional (ALN), era também uma característica comum. Tempos menos fragmentados: o trabalho intelectual não estava à serviço de carreiras individuais, a realidade não era apenas objeto de análise.
Mas, naquela tarde estava Cecília a discorrer sobre as cartas: o homem com quem viveu e trabalhou, a ditadura, o exílio e seus múltiplos traumas, ressaltando todavia as possibilidades que a experiência proporcionou à família. De todas as formas como a história pode ser contada, Cecília evita aquelas cujo encaixe de sua presença no processo ou à destaque, ou a reifique, no lugar tradicional da mulher de um grande homem.
Diante de nós estava uma atriz e uma psicanalista, a mulher por quem Boal se apaixonou e levou uma vida junto. Uma trabalhadora que não se vangloria contando os espetáculos em que atuou. O desavisado não saberá por ela, mas pelo cartaz da montagem de “Arena conta Zumbi”, que lá estava ela no elenco, e também de muitas outras peças em diversos países.
Por intermédio de uma carta de Boal para a mãe ficamos sabendo que, por vezes, era ela que bancava a casa – o exílio marcado pelas dificuldades econômicas, com seu trabalho de atriz nas montagens de sucesso que participou.
A condição de psicanalista – a audiência soube por ela que definiu na França abandonar a carreira de atriz porque já não aguentava a cada mudança de país ter que aprender com fluência a língua para poder atuar – confere à narrativa de Cecília um ponto de vista terno e distanciado, tanto sobre a relação de Boal com a mãe, quanto sobre a projeção de culpa que carregou diante do impacto do exílio sobre os filhos dela e Boal.
Essa condição, agregada ao fato de ser argentina, também lhe permite um comentário distanciado sobre o Brasil e seus pactos: de silêncio sobre o passado, de conciliação cordial no presente. Países que promoveram rupturas radicais em seus processos formativos carregam na cultura, na sociabilidade, legados desse gesto. O impasse da conciliação permanente como gesto político não é um dilema de nossos países vizinhos como é para nós, brasileiros.
Por isso ter Cecília entre nós elaborando sobre os (nossos) traumas é uma oportunidade de grande aprendizado: sem vitimização, sem heroísmo, a narrativa de Cecília vai nos mostrando uma personagem fundamental, não apenas do passado, mas do tempo presente.
Esse tempo do agora extravasou os limites da exposição, do período da resistência à ditadura e da expectativa com a democratização. As pessoas perguntavam sobre o Instituto Augusto Boal, sobre a eficácia do Teatro do Oprimido como meio de formação e resistência. Alguns, como o estudante Andrey, do Levante Popular da Juventude, não apenas perguntava, mas dava depoimento de suas experiências com o método.
Cecília e Julian Boal puderam então abordar as redes, os encontros, em que estão ativamente envolvidos. Aqui termino, como testemunha da forma produtiva que ambos têm se colocado no cenário do teatro político contemporâneo: contra a cômoda posição de herdeiros do legado do mestre, os dois, mãe e filho, trabalhadores do teatro – Julian também como pesquisador, fazendo doutorado sobre o tema – têm se colocado como articuladores, mediadores, potencializadores de encontros  intercontinentais entre grupos e movimentos sociais. Por exemplo, ocorreu o Encontro Internacional de Teatro do Oprimido na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), de 27 de junho a 01 de julho de 2016, reunindo cem pessoas de oito países e mais de vinte grupos praticantes de Teatro do Oprimido. E o II Seminário Internacional Teatro e Sociedade (SITS), da Rede Teatro e Sociedade, ocorrido na Universidade de Brasília, de 14 a 17 de dezembro de 2015, em que Cecília ministrou uma das cinco oficinas, compartilhando como era o método de interpretação desenvolvido pelo Teatro de Arena, em que ela atuava como atriz e Augusto Boal como diretor.
O empenho de Cecília e de Julian não é o de, tão somente, publicizar uma forma bem sucedida de teatro, mas de questionar a todo momento o limite e a potência das formas e métodos, sempre em contraste com as possibilidades do tempo histórico em que vivemos, e com as condições objetivas de sobrevivência do Teatro Político na atualidade. Sem a reivindicação de um protagonismo espetacular e hierárquico, vão a maneira deles ligando o passado ao presente, promovendo encontros, dando palestras, ministrando oficinas, organizando exposições, construindo elos essenciais.

Rafael Villas Bôas
Professor da Universidade de Brasília

Integrante do Coletivo Terra em Cena

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

II Seminário Internacional Teatro e Sociedade

Bem Vindas/os ao II Seminário Internacional Teatro e Sociedade 2015. Para que todas/os tenhamos uma ótima estadia durante o seminário seguem algumas orientações importantes:

1º - A abertura do seminário acontecerá às 19:00hs no Anfiteatro 9, campus Darcy Ribeiro, Brasília-DF. Portanto quem chegar à Brasília no período da tarde e optar por ir direto para o seminário deve se dirigir ao campus Darcy Ribeiro da UnB, que fica no Plano Piloto. Ao término da abertura a organização do evento providenciará translado dos participantes para a Faculdade UnB Planaltina.
            Aos que chegarem pela manhã ou início da tarde e quiserem primeiro se alojar na Faculdade UnB Planaltina, teremos ônibus que sairão do campus de Planaltina para o campus Darcy Ribeiro às 17h.

2°- A Faculdade UnB Planaltina localiza-se na Área Universitária, 01, Vila Nossa Senhora de Fátima - Planaltina, Brasília – DF.

3º - Os ônibus que fazem a linha Aeroporto – Rodoviária do Plano Piloto são:

0.102 – W3 Sul – Rodoviária;
102.1 - W3 Sul – Rodoviária.

4º - Ao chegar à Rodoviária do Plano Piloto, quem optar em seguir diretamente para a UnB, deverá embarcar nos ônibus das linhas:

110.2 - Rodoviária Plano Piloto/ UnB;
0.110 - Rodoviária Plano Piloto/UnB.

Já quem optar por ir da Rodoviária do Plano Piloto para a FUP deverá embarcar nos ônibus das seguintes linhas:

0.620 – Eixo Norte-Sul/Planaltina DF – Parada da plataforma superior da Rodoviária
0.600 – Eixo Norte/Planaltina DF – Plataforma Inferior da Rodoviária Box 16

Lembrando que estas linhas passam próximas à Faculdade UnB Planaltina, pois passam na Avenida Independência. Ao entrar nesta avenida o passageiro deve desembarcar na primeira parada.

5º - Quem optar por ir da Rodoviária do Plano Piloto para a Rodoviária de Planaltina DF, existem outras linhas:

0.601 – Eixo Norte-Sul/Setor Tradicional/Rodoviária de Planaltina DF
0.602 - Eixo Norte-Sul/Vila Buritis/ Rodoviária de Planaltina DF
0.616 - Eixo Norte-Sul/Arapongas/ Rodoviária de Planaltina DF


6º - Para chegar à FUP, quem optar sair da Rodoviária de Planaltina DF, deverá dirigir-se ao BOX 16 e embarcar nos micro-ônibus das seguintes linhas:

601.4 – Feira/HRP/ V.Fátima/ UnB
601.3 – V.Buritis/ V.Dimas/ S. Sul/ UnB

7º - É importante que cada participante do seminário traga seus objetos de uso pessoal como: roupa de cama, banho, kit de higiene pessoal,etc.

8º - O II SITS não arcará com as despesas de alimentação.

9º - Quem tiver interesse em lançar livros ou revistas deve informar previamente à coordenação por meio do correio eletrônico do evento.


10º - Na Noite Cultural que será realizada no dia 16/12, teremos espaço aberto para apresentações individuais e coletivas. Será realizada também a feira de produtos artesanais da agricultura familiar. Portanto, quem tiver interesse em expor algum produto, por favor, nos avise com antecedência para que possamos organizar o espaço.

domingo, 6 de dezembro de 2015

II Seminário Internacional Teatro e Sociedade

Data: 14 a 17 de dezembro de 2015.
Locais: Campus Darcy Ribeiro (abertura e encerramento) e campus de Planaltina (oficinas, mesas e atividades culturais noturnas) da Universidade de Brasília

O II Seminário Internacional Teatro e Sociedade é o segundo grande evento da Rede Teatro e Sociedade, uma articulação internacional em processo de consolidação que envolve grupos de pesquisa de diversas universidades brasileiras (UnB, UFRJ, USP, UEM, UFV, Udesc, UFG, etc.), coletivos teatrais do Brasil, Argentina e Uruguai, e movimentos sociais que adotam a linguagem teatral como meio de formação e interação com a sociedade.
Durante os quatro dias do seminário serão realizadas seis mesas temáticas, cinco oficinas de teatro, mostras de vídeo, apresentações de peças teatrais e lançamentos de livros e vídeos dos grupos de pesquisa teatral envolvidos na Rede Teatro e Sociedade.
O II SITS é uma das atividades do projeto Teatro em Redes, iniciativa financiada pelo edital Mais Cultura Universidade, sendo uma das atividades dos vinte e três projetos que integram o plano de cultura da Universidade de Brasília, construído sob a coordenação do Decanato de Extensão.
O Seminário terá a abertura realizada no anfiteatro 9, do campus Darcy Ribeiro, às 19h do dia 14 de dezembro. As atividades do dia 15, 16 e 17 pela manha serão realizadas no campus da Faculdade UnB Planaltina, e o encerramento será realizado no auditório do Instituto de Letras no campus Darcy Ribeiro a partir das 14h do dia 17 de dezembro.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Ficha de Inscrição para as oficinas do II Seminário Internacional de Teatro e Sociedade

Galera,
ainda há tempo para se inscreverem no II Seminário Internacional de Teatro e Sociedade.
É só copiar e colar o link abaixo na barra de endereço do seu navegador e terá como baixar a ficha de inscrição para as oficinas e nos enviar pelo e-mail teatroesociedade2015@gmail.com

Vamos lá!!!

https://drive.google.com/file/d/0B-oXgIY1iDlNTnd2QmxhVDJYZkE/view?usp=sharing

Programação e informes do II Seminário Internacional de Teatro e Sociedade

segunda-feira, 13 de julho de 2015

A experiência do MST com Teatro do Oprimido Fala para 21ª Conferência Pedagogia do Teatro do Oprimido, Chicago, 11 a 15 de junho 2015.



Meu nome é Carla Loop, sou militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, no Brasil. Atuo na coordenação nacional do Coletivo de Cultura do MST. Ainda não sei falar inglês. Mas quero aprender. Para dizer por que aprender, preciso dialogar com vocês em português. Com licença.

Para que a luta concreta por justiça social avance radicalmente, não podemos ter fronteiras.

Desde o Brasil, o MST completa 30 anos de história, em que, a luta pela terra ainda não está superada, a luta pela reforma agrária ainda não está superada e, enquanto a propriedade privada prevalecer é preciso lutar por transformação social.

Temos mais de 150 mil famílias acampadas, ainda em barracos de lona, em todas as regiões do Brasil. E já conquistamos terra para mais de 350 mil famílias.

Temos 20 mil escolas no campo, cerca de 100 cooperativas organizando o sistema produtivo, cooperado e agroecológico.

Trabalhamos com cerca de 1,5 milhões de pessoas em 23 estados do país e na capital. São mulheres e homens capazes de seguir resistindo e lutando para fazer realidade dos sonhos.

Com esses objetivos, nos tornamos perigosos aos patrões chefes supremos. Porque a luta educa, e ajuda tomar consciência de que há pautas mais amplas, estruturantes para os trabalhadores efetivarem.

Como o direito a educação pública, saúde, comunicação, agroecologia e, a cultura, e dentro dela a arte e todas as suas linguagens, como o teatro, por exemplo.

O contato do MST com o teatro do oprimido cumpre com um papel fundamental: desenvolver a nossa capacidade, de construir, coletivamente, o nosso próprio ponto de vista sobre as formas que nós queremos construir e, não apenas reproduzir, aquilo que outros, sobre os seus pontos de vista, nos dizem o que fazer.

Ou seja, sem a posse por parte dos trabalhadores dos meios de produção e representação da realidade, não há justiça social.

Esse legado, aprendemos com Augusto Boal. Numa parceria de trabalho Boal se dispôs a fazer teatro com o MST e não para o MST. E, Boal nos provou que não seria suficiente apenas trazer peças para militantes ensaiarem. Era necessário aprender o método e a técnica. E nos termos da educação popular, se propôs a dar forma teatral aos problemas do Movimento, transferindo técnicas para que elas fossem usadas de acordo com as demandas e interesses do MST.

Junto com Boal e uma equipe do Centro de Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro, realizamos um processo de formação em teatro com militantes do MST, que durou cerca de 2 anos. E, ajudou formar a Brigada Nacional de Teatro do MST. Que assumiu a missão de multiplicar os conhecimentos do Teatro do Oprimido pelos campos de todas as regiões do país. Eu conheci o teatro do oprimido nesse trabalho de multiplicação.

Desenvolvemos muitas experiências. Sem negar que temos limites, elas foram desde a realização de oficinas e seminários, leituras dramáticas e encenações. Organização de grupos teatrais, temos trabalhos em escolas do campo e em acampamentos, principalmente com grupos de jovens. Estudo de peças e atividades de formação política de militantes. Atividades para formação de educadores e trabalhos com crianças nas cirandas infantis.

Até colocar em pauta discussões difíceis para um Movimento camponês, como a participação efetiva das mulheres nas lutas e na organização do MST, a inserção da juventude nas tomadas de decisão do Movimento, a elevação cultural dos camponeses, as relações com outros setores da sociedade, campo e a cidade. E a percepção de que isso tudo se constrói cotidianamente.

Os trabalhos passam por jogos teatrais, exercícios e métodos específicos, com uma sequencia que compõem o Teatro Imagem e o método do Teatro Fórum.

No trabalho com teatro do oprimido tivemos acesso a obras teatrais relacionadas à abolição da escravatura e organização da república, revolução verde e ditadura militar, em que a questão agrária ocupou a cena teatral brasileira, (entre 1955 – 1965).

Os estudos dessas obras nos remeteram a pensar o teatro como um instrumento de formação política e organização popular. Não só um instrumento de difusão de ideologia, mas um instrumento que cumpre um papel de organizador coletivo.

Desta maneira, o teatro do oprimido não pode ser idealizado, ele não faz milagres. Ele é uma peça/um parafuso da engrenagem de uma luta política, e também, às vezes, a própria luta política.

É o caso de duas experiências brasileira que buscavam articular de forma orgânica as esferas da Cultura e da Política: o Movimento de Cultura Popular (MCP), que existiu de 1959 a 1964, e o Centro Popular de Cultura (CPC), de 1961 a 1964. Ali, setores da sociedade atuaram engajados no enfrentamento das contradições da sociedade brasileira, para ir ao encontro de novas demandas ensejadas pelas lutas populares do período. Mas a ditadura militar empresarial abortou essa possibilidade.

Portanto, herdamos um legado histórico de movimentos culturais e políticos. Que atuaram para que os meios de produção das diversas linguagens artísticas estivessem nas mãos dos trabalhadores.

Se quisermos ativar o sentido de força política formativa e de intervenção na realidade é necessário que retiremos da caixa de embalagem da forma espetáculo e mercadoria o teatro do oprimido.

A experiência vivida pelo MST, com tantos limites e desafios, aponta que está em jogo nada menos que a disputa pelas formas hegemônicas de representação da realidade, pois reconhecemos o caráter estratégico do combate também nessa trincheira.